Contentores falantes tomaram conta da cidade do Porto

Original campanha de higiene urbana na cidade do Porto colocou contentores de lixo e de reciclagem a falar com os cidadãos, ao estilo dos "apanhados".

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Foto: Miguel Nogueira/Câmara Municipal do Porto

Lembra-se do Grilo Falante de “O Pinóquio”? A Câmara Municipal do Porto fez algo parecido mas com…. ”contentores falantes”! E se o grilo da história da Disney era uma espécie de voz da consciência de Pinóquio, estes “contentores falantes” desempenharam o mesmo papel da voz da consciência desta feita dos portuenses.

Durante cerca de um mês e antes de serem tomadas as medidas de contingência (incluindo o Estado de Emergência) devido à COVID-19, a Câmara Municipal do Porto concretizou um interessante projeto de sensibilização para a correta deposição dos resíduos.

A Campanha “O Porto é a Nossa Casa” foi concebida e criada no âmbito da sensibilização e consciencialização dos cidadãos para as temáticas relacionadas com os resíduos urbanos. Deste modo, o grande foco foi despertar consciências numa época em que se revela cada vez mais importante que cada cidadão faça a sua parte no que diz respeito à separação, reciclagem e depósito adequado dos seus resíduos, “pois as ações individuais têm um efeito impactante não só no futuro dos demais, mas também no futuro da nossa cidade”, sublinha a autarquia.

Para além de uma mais tradicional forma de comunicar assente num total de 120 mupis espalhados pela cidade do Porto, a campanha contou com a colaboração de atores que deram voz a contentores que interagiam com os munícipes – para surpresa de todos.

A campanha dos serviços municipais de higiene urbana recebeu a designação de “O Porto é a Nossa Casa”.

Os mupis…

Por um lado, os cartazes instalados nos mupis pretendiam induzir um certo sentimento de culpa ou vergonha em quem não deposita corretamente os diferentes tipos de resíduos. A mensagem dos cartazes era: “Não deite dinheiro ao lixo. Evite as multas. Separe corretamente os resíduos”.

E como se podem evitar as multas? “Depositando os resíduos perto da hora da recolha, separando-os corretamente e não os deixando do lado de fora dos contentores”, esclarece a autarquia portuense.

… e os “contentores falantes”

Por outro lado, os “contentores falantes” deram (literalmente) voz ao apelo para uma atitude correta na deposição dos resíduos.

A voz do contentor fazia-se ouvir quando alguém se dirigia para depositar algo no lixo ou num reciclador. O contentor dialogava com o cidadão sobre as regras da recolha seletiva dos resíduos e se alguém se preparava para depositar os resíduos de forma incorreta era prontamente informado. “O objetivo não era punir e sim formar pela positiva”, referem os serviços do município.

Por trás das vozes dos contentores estavam atores escondidos nas imediações que interagiam com os transeuntes, ao estilo dos “Apanhados”.

Chamada “O Porto é a Nossa Casa”, a campanha visou incentivar à separação correta dos resíduos, à utilização acertada de cada tipo de contentor e à não colocação do saco do lixo em locais inadequados, entre alguns dos comportamentos associados à limpeza do Porto e ao quotidiano de uma cidade agradável de habitar.

Esta já não é a primeira vez que o município do Porto aposta na criatividade para sensibilizar os seus habitantes para as questões ambientais. Esta iniciativa dos “contentores falantes” foi, de resto, a terceira parte de um projeto mais geral que foi implementado.

Lançada pela primeira vez em 2015, a campanha “O Porto é a Nossa Casa” teve já três temas trabalhados.

1º Tema: Deposição indevida de sacos na via pública
No decorrer do ano de 2015, foi realizada a implementação do primeiro tema da campanha cujo objetivo era a alteração de comportamentos de todos os munícipes no que diz respeito à separação dos seus resíduos – colocação dos resíduos nos locais certos, à hora certa, alertando e consciencializando para a não deposição dos sacos de resíduos na via pública, “protegendo assim a nossa cidade, que é a casa de todos nós”, declaram os responsáveis municipais.

Nesta temporada foram distribuídos folhetos informativos e foram produzidos pequenos vídeos, posteriormente difundidos na internet. Foram também realizadas pequenas ativações de rua, através de cenários montados onde se simulavam diferentes ambientes representativos de diferentes divisões das habitações.

2º Tema: Deposição de resíduos nos estabelecimentos de diversão
Durante o ano de 2017 foi desenvolvida e estruturada a 2ª fase da campanha, estando o foco direcionado, ainda que não exclusivamente, para a zona de diversão
noturna, “com o intuito de promover a separação dos copos de plástico através da sua colocação em equipamentos específicos para este fim e sensibilizar os comerciantes para as boas práticas no que concerne à deposição de resíduos urbanos – colocar os resíduos no local certo, à hora certa e devidamente separados – e promover os serviços de recolha porta-a-porta que o município disponibiliza especificamente para estes utilizadores”, explica o município.

A campanha decorreu durante 2018, através de mupis, folhetos informativos e de uma ativação original junto a alguns equipamentos de deposição nos quais se verificava a ocorrência repetida da deposição indevida de resíduos. “Nesses pontos, realizou-se a simulação da atuação de um fiscal, abordando os comerciantes, consciencializando-os e sensibilizando-os para a existência de regras na deposição dos resíduos bem como de penalizações associadas ao não cumprimento dessas regras. Foi ainda aproveitado o momento para informá-los da existência dos serviços de recolha de resíduos porta-a-porta que o município disponibiliza especificamente para os comerciantes (Baixa-Limpa, Ribeira e Movida)”, referem os responsáveis da autarquia.

À noite, decorreram ativações realizadas por promotores e por uma banda de música, no lançamento do “Copão” – separação dos copos de plástico dos estabelecimentos com atividade noturna, através da disponibilização de equipamentos de recolha específicos.

Com os “contentores falantes” (o 3º tema desenvolvido de “O Porto é a Nossa Casa”), fecha-se o ciclo desta campanha, “tendo o mote da campanha global incidido sobre a consciencialização e sensibilização de todos, para as questões práticas comportamentais que devem ser alteradas individualmente, em benefício do bem comum”, remata a Câmara Municipal do Porto.

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