A uma só voz, os vários representantes do setor e indústria automóvel em Portugal afirmam concordar com as medidas já tomadas pelo Governo no contexto do COVID-19, mas exigem um plano de apoio específico para as diversas empresas deste setor de atividade.

Numa inédita e nunca vista comunicação conjunta, ACAP (Associação Automóvel de Portugal), AFIA (Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel), ANECRA (Associação Nacional de Empresas do Comércio e Reparação Automóvel) e ARAN (Associação Nacional do Ramo Automóvel) chamam a atenção para o facto da “grave crise”, que eatá a resultar da pandemia do coronavírus, “irá ter os efeitos de uma guerra devastadora, com especial impacto na nossa economia”.

Quanto vale o setor automóvel em Portugal?

O setor automóvel representa 19% do PIB, 25% das exportações de bens transacionáveis e emprega, diretamente, cerca de duzentas mil pessoas.

Por outro lado, em termos da União Europeia, Portugal é um dos países em que as receitas fiscais geradas pelo sector automóvel, têm um maior peso no total das receitas fiscais do Estado, representando vinte e um por cento do total dessas receitas.

Num comunicado conjunto, os representantes do setor automóvel salientam que este é um setor composto por todo o tipo de empresas, desde as maiores exportadoras às pequenas e médias, às microempresas e empresários em nome individual. Por outro lado, este tecido empresarial tem uma cobertura alargada a todo o território nacional, sendo o maior empregador em muitas regiões do nosso país.

É, neste sentido, que ACAP, AFIA, ANECRA e ARAN, “que representam as empresas de todas as áreas de atividade do setor automóvel, vêm alertar para a necessidade de, para além das medidas já tomadas pelo governo, ser criado um plano específico de apoio ao setor automóvel”.

Estas associações que o setor automóvel aprova as medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo, assim como as recomendações sanitárias para as empresas e trabalhadores, as quais estão a ser rigorosamente cumpridas, garantem: “As empresas, desde o início da crise, têm vindo a aplicar planos de contingência de modo a que, por um lado, possam proteger os seus colaboradores e, por outro, possam continuar a sua laboração de modo a que as consequências, em termos económicos, não sejam ainda mais negativas”.

Na perspetiva das associações, estas medidas, permitirão às empresas não só atenuar esta crise, mas também para manter a sua competitividade, após este período, logo que se verifique a retoma gradual da economia.

Medidas urgentes

As associações em questão solicitam ao Governo que sejam tomadas medidas urgentes que passam, entre outras, pela criação de uma linha de crédito específica para as empresas deste setor, “o que não foi considerado, surpreendentemente, na apresentação de hoje efetuada pelo Governo, sobre as medidas económicas”, declaram.

O setor pede ainda a alteração do regime de lay-off, de modo a permitir o acesso imediato a esta modalidade para as empresas que tenham tido uma quebra de faturação superior a 40% nos últimos trinta dias, ou comparativamente com a do mês homólogo do ano anterior. Para as associações, “deveria, ainda, resultar claro deste regime a possibilidade de lay-off parcial”. Outra exigência das quatro associações é que o Executivo altere o regime de férias de modo a permitir, desde já, a sua marcação.

Abate de veículos em fim de vida

“Tal como aconteceu na recessão que vivemos em 2009, deverá ser implementado um plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida, com o objetivo de renovar o parque automóvel e permitir às empresas uma saída gradual da crise”, defende o setor.

Por fim, “com a possível declaração do estado de emergência, pedimos que a atividade de prestação de serviços através de veículos de pronto-socorro e o setor de assistência e reparação automóvel sejam considerados sectores essenciais, dado que são imprescindíveis para a manutenção da segurança dos cidadãos”, defende este setor.

ACAP, AFIA, ANECRA e ARAN referem que em Portugal, o setor automóvel está presente “na nossa economia e na nossa sociedade, há mais de um século e, desde sempre, assumiu o seu compromisso para com a sociedade pelo que, neste momento, particularmente difícil, iremos também contribuir para que esta pandemia seja ultrapassada rapidamente, esperando da parte do Governo a maior atenção para as propostas que apresentámos”.

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