A Micro Mobility Systems apresentou há dias o seu Microlino 2.0. O Microlino é um pequeno veículo elétrico de vocação urbana. O que o distingue são as suas linhas retro, inspiradas no Isetta dos anos 50.

Então o que se passa com o Microlino?

O problema deste projeto é mais o que não se passa. A MMS, dirigida pela família Ouboter, tem demorado bastante a tornar o projeto realidade. E não é por falta de encomendas. Já são, segundo a empresa, mais de 17.000.

Mas a verdade é que, após alguns anos desde o arranque do projeto, ainda não se iniciou a produção.

Mas agora há um Microlino 2.0?

É verdade. Aliás, só vai haver o Microlino 2.0. A MMS decidiu alterar profundamente o modelo ainda antes de iniciar a produção. Acho que é inédito, porque é uma verdadeira revolução.

O que é que muda?

Seria mais fácil perguntar o que é que não muda… Desde o chassis ao motor, as baterias, o design exterior e interior.

Comecemos pela estrutura. O Microlino 1.0 tinha chassis tubular, normalmente associado a projetos mais artesanais. Um conjunto de tubos ligados uns aos outros, que garantem a resistência às várias forças exercidas por um veículo em movimento. Além disso, servem de apoio estrutural para os elementos mecânicos, os painéis da carroçaria, o habitáculo… Ora, o Microlino 2.0 tem uma carroçaria monobloco, utilizando aço e alumínio, graças a painéis de metal prensado. É uma solução mais moderna, provavelmente justificada por uma produção em maior escala.

E isso é bom, certo?

À partida, sim. Entretanto, outras alterações na carroçaria foram feitas para melhorar o conforto e segurança. A principal alteração foi na traseira. A via posterior foi aumentada em 50%, tendo agora suspensão independente nas quatro rodas. O motor, que também é novo, está agora montado sob o piso e não junto das rodas traseiras. A MMS diz que o motor, que passou de assíncrono para síncrono, é 15% mais eficiente.

As células das baterias também têm uma composição diferente. Passaram de fosfato de lítio ferro, para uma combinação de Lítio, Níquel, Manganês e Cobalto. Segundo a Micro, esta composição aumentou a densidade energética e reduziu as dimensões e peso das baterias.

Isso tem influência no número de quilómetros por carga?

Neste caso, não. A capacidade das baterias mantêm-se inalterada. Há duas opções: 8 kWh (autonomia de 125 km) ou 14.4 kWh (autonomia de 200 km).

Acontece que a maior densidade energética permite que o pack de baterias fique montado no piso e não no habitáculo. Também são mais leves, o que traz outras vantagens.

E que mais?

Em termos estéticos, no exterior há agora uma iluminação por LEDs ao longo de toda a porta. O construtor diz que, de noite, parece um sorriso. A traseira também tem um LED transversal, que combina as luzes de presença, os piscas e os stops.

Outra alteração importante diz respeito ao aumento em altura. Os vidros laterais são maiores e permitem maior visibilidade.

E o interior?

Foi muito alterado. O acesso continua a ser feito pela porta única dianteira. O puxador agora está escondido. No Microlino 1.0 parecia quase a porta de um frigorífico antigo.

Entretanto, o volante já não está ligado à porta. Está montado na sua própria coluna fixa. E pode chegar-se à frente para facilitar a entrada.

O tablier também está menos artesanal. Tem uma barra onde pode ser montado um telemóvel e colunas Bluetooth.

Os bancos também estão mais bonitos e menos com ar de carrinho de golfe.

Sendo assim, o preço deve ter aumentado muito…

Não. O ponto de partida continua estar nos €12.000. Mas este valor é para uma especificação muito básica: todo branco, com jantes de ferro e com o pack de bateria mais pequeno.

Com uma cor, tampões das rodas, um interior mais refinado e com o pack de bateria de maior capacidade, o valor deve rondar os €16.000.

O site oficial está em atualização, mas dentro de algumas semanas já deve ser possível especificar o Microlino 2.0.

Quais são as prestações anunciadas?

O motor tem uma potência de 11 kW (15 cv) mas tem 100 Nm de binário. Acelera dos 0-50 km/h em cinco segundos. A velocidade máxima é de 90 km/h. Pesa pouco mais de 500 quilos e tem lugar para dois ocupantes. E para três grade de cerveja, segundo a MMS.

Em termos de tempos de carregamento, uma tomada doméstica de 220V é capaz de carregar a bateria do Microlino em quatro horas.

E quando é que podemos comprar um?

Essa é a grande incógnita. O início da produção está previsto para 2021. Mas já foram alterados diversos prazos, pelo que não há garantias que desta vez a promessa será cumprida.

Todavia, as alterações agora introduzidas parecem tornar o Microlino 2.0 um produto superior. Agora falta passar à ação.

Compravas um Microlino 2.0?

Talvez. Para já, fiz uma reserva. A expressão “o Microlino do Adelino” fica no ouvido… O processo é simples e sem custos e pode ser feito aqui. Na Suíça, a assistência vai ser assegurada pela Bosch, o que dá uma certa garantia no pós-venda. O preço é razoável e as prestações, para a cidade, parecem-me muito adequadas. Vamos ter que ficar à espera para ver quando chega.

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