Os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos são um dos fluxos que mais tem aumentado na União Europeia, com esse incremento a ser atribuído, entre outros fatores, à dificuldade de reparação, à sua pouca robustez, aos tempos de vida cada vez mais curtos ou mesmo às tendências da moda.

De acordo com o relatório “Long live the machine” feito pela associação europeia ECOS, aproximadamente 52% das emissões de gases com efeito de estufa de um portátil resultam da sua fase de fabrico e fim de vida. Ou seja, a utilização do laptop propriamente dita representa apenas 48% das emissões de CO2 de um computador portátil.

ECOS é uma organização ambiental que garante que a perspetiva ambiental é considerada nos processos de definição de normas.

Considerando estas conclusões, os ambientalistas da associação Zero, que integram a organização ECOS que se dedica aos aspetos ambientais da normalização, evidenciam que a extensão do tempo de uso deste tipo de aparelhos acabaria por ter um benefício maior em termos ambientais, do que a sua simples substituição por um modelo mais eficiente.

O documento da ECOS defende, por isso, que a legislação europeia sobre ecodesign e sobre rotulagem energética pode ser um instrumento com grande potencial para reverter a cultura do descartável, duplicando a vida útil dos computadores portáteis.

Qualquer extensão da vida de um computador portátil – seja através de reparação, remanufatura ou uso em segunda mão – adia os grandes impactos associados à produção de um novo computador.

Segundo os ecologistas, esta medida pode evitar a emissão de 5 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o mesmo que retirar três milhões de automóveis de circulação.

Ainda que a reutilização, a reparação, a atualização possam estender o tempo de vida destes equipamentos, com grandes benefícios em termos de redução dos impactes ambientais e sobre as alterações climáticas, e de redução de custos para o consumidor, existem inúmeras barreiras que impedem que tal aconteça de forma generalizada.

“É urgente que os nossos representantes políticos ajam no sentido de lhes pôr fim. Tendo em conta o novo Plano de Ação Europeu para a Economia Circular, bem como o Pacto Ecológico Europeu, este é o momento certo para a ação política demonstrar o seu verdadeiro empenho em alterar o paradigma”, apela a associação Zero.

O que propõem os ambientalistas

Entre as medidas propostas pelos ambientalistas contam-se requisitos que garantam a disponibilidade de peças para reparação, a sua disponibilização rápida

– Aplicação de normas de durabilidade e resistência dos equipamentos (em termos de uso e queda acidental);
– Requisitos que garantam que as peças principais (e as que mais frequentemente dão problemas) são acessíveis e podem ser rapidamente substituídas;
– Requisitos que garantam a disponibilidade de peças para reparação, a sua disponibilização rápida (no sentido de reduzir os tempos de reparação) e que garantam a possibilidade de usar peças não originais;
– Garantir que as peças são vendidas a um preço razoável, tendo em consideração o preço do produto no seu conjunto;
– Democratizar o acesso a informação que permita a reparação de equipamentos de forma mais alargada (e não apenas por profissionais);
– Introduzir uma etiqueta sobre a reparabilidade do equipamento;
– Estabelecer um tempo de vida mínimo para as baterias, garantir que podem ser facilmente substituídas e introduzir um rótulo sobre o seu tempo de vida.

As recomendações “são uma contribuição para o debate necessário sobre o impacto ambiental e social da digitalização da nossa sociedade, que é urgente reduzir. Focando-se no aumento da durabilidade dos equipamentos, procuram garantir que o consumidor terá acesso a informação para tomar uma decisão mais informada e que as comunidades ligadas à reparação terão maior capacidade de reparar e atualizar os equipamentos”, salientam os ecologistas.

Duplicar vida útil dos computadores portáteis é equivalente a retirar 3 milhões de automóveis das ruas.

“Qualquer extensão da vida de um computador portátil – seja através de reparação, remanufatura ou uso em segunda mão – adia os grandes impactos associados à produção de um novo computador. Mais ainda, poucos são os componentes e materiais usados num computador portátil que são efetivamente reutilizados ou reciclados. De forma global, apenas cerca de um quarto do material em peso de um computador portátil é de facto reciclável”, elucida a associação Zero.

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