Após o início do pagamento dos Postos de Carregamento Rápido – PCR (em novembro de 2018) e depois do uso dos postos em espaços privados ter passado igualmente a poder ser cobrados (no verão do ano passado), aproxima-se a hora dos Postos de Carregamento Normal (PCN) da rede Mobi.e começarem a ser pagos, naquela que será a fase plena de mercado.

No 4º Fórum de Mobilidade Inteligente da Nissan, em Lisboa, Luís Barroso, presidente da entidade gestora da mobilidade elétrica, voltou a reafirmar o compromisso de que irá arrancar no primeiro semestre deste ano a fase de comercialização dos PCN, o que significa que dentro de cerca de “dois a três meses”, carregar na Mobi.e deixa mesmo de ser “à borla”.

O sistema Mobi.e tem vindo a duplicar os consumos de energia nos últimos três anos e contava no final de 2019 com cerca de 1740 tomadas (+12% face a 2018) distribuídas por 103 autarquias (+8,4%) e quase 9.350 utilizados registados (+11,6%).

Com este passo, os 736 postos da rede de acesso público no final de 2019 irão passar para cerca de mil disponíveis, graças à integração no sistema de postos privados de acesso público e municipal.

Garantia de rede atualizada

Quando isso ocorrer, a Mobi.e garante que toda a rede estará finalmente operacional e atualizada: “O nosso foco é garantir a fiabilidade da rede”, sublinha Luís Barroso que diz que os casos de postos danificados ou com visores queimados pelo sol e sem leitura serão “situações ultrapassadas” nessa ocasião.

Um posto por município pelo menos

Na rede Mobi.e atualmente existem 304 postos com potências entre os 3 kW e os 7 kW, havendo uma centena de postos com potências de 22 kW, os chamados semi-rápidos. A expansão da rede incluirá 202 postos de 22 kW.

Luís Barroso assume que a distribuição territorial da rede não é homogénea, mas dá a garantia de que, com este milhar de postos da rede de acesso público a entrar em funcionamento, todos os concelhos do país terão, pelo menos, um carregador, algo que não acontecia.

No final do ano passado, segundo o responsável da rede gestora, essa percentagem era de apenas 37%.

Presente no 4º Fórum de Mobilidade Inteligente da Nissan, o Presidente da Mobi.e deu conta de que, até ao final de 2018, os consumos na rede Mobi.e estavam distribuídos quase 50%-50% entre PCR e PCN. Todavia, com o início da cobrança dos PCR, os consumos na rede de PCN dispararam, assumindo em 2019 um valor de 90%.

“Considero que a rede Mobi.e tem acomodado as necessidades do mercado”, diz Luís Barroso que recorda que desde novembro último a Mobi.e deixou de emitir cartões Mobi.e. “Para se poder ter um cartão de mobilidade elétrica tem de ser através de um Comercializador de Energia para Mobilidade Elétrica (CEME)”, recorda este responsável.

“Agentes de mercado terão de assumir desafio”

E como será daqui para a frente? O Presidente da entidade gestora entende que “mantendo-se o crescimento de aquisição de veículos elétricos que se está a verificar, a infraestrutura de carregamento vai ter de crescer mais depressa. Concluída a rede piloto da Mobi.e, é um desafio que os agentes de mercado terão de assumir”.

O próprio Luís Barroso admite que “atualmente é mais fácil comprar um veículo elétrico do que instalar um posto de carregamento”.

Enquanto regulador do mercado, a empresa Mobi.e prevê criar uma balcão único virtual, uma espécie de plataforma agrupadora onde os diferentes agentes da mobilidade elétrica possam interagir, desde o consumidor ao comercializador de eletricidade. Nesse balcão único será possível contratualizar serviços e licenciar postos, por exemplo.

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