O porto de Kiel, na Alemanha, acaba de adjudicar à Siemens a construção de um sistema de fornecimento de energia em terra para navios, o maior projeto da Alemanha nesta área até hoje.

Com uma potência de 16 MVA, a solução Siharbor permite, pela primeira vez, o fornecimento de energia “verde” certificada a dois navios, em simultâneo, o que reduzirá as emissões anuais de CO2 em mais de 8 mil toneladas.

O sistema deverá entrar em fase de teste na temporada de cruzeiros de 2020, estimando-se que, no futuro, 60% da procura de energia por parte dos navios que entram em Kiel seja satisfeita por esta via.

Geradores Diesel desligados

Os navios podem, deste modo, conectar-se à energia fornecida em terra para que os geradores a gasóleo de cada embarcação possam ser desativados durante o tempo de atracagem, logo, a permanência no porto torna-se livre de poluição.

Segundo o estudo da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E), de dezembro do ano passado, os navios que atracaram nos portos da União Europeia emitiram, em 2018, mais de 139 milhões de toneladas de CO2. Ainda segundo este estudo, as emissões de CO2 dos navios atracados em portos portugueses, durante 2018, foram maiores que as emissões produzidas pela totalidade da frota de automóveis existente nas oito maiores cidades de Portugal, em 2013.

O transporte marítimo tem um papel preponderante em Kiel, já que este porto é o ponto de partida e chegada para muitos cruzeiros e dispõe de várias ligações de ferry para os estados bálticos e para a Escandinávia – em 2018, 32 navios de cruzeiro fizeram 174 escalas neste porto.

Para Fernando Silva, diretor geral da Smart Infrastructure da Siemens Portugal, “projetos como este podem ter consequências reais e efetivas não só na descarbonização e no cumprimento de metas ambientais internacionais, como na estabilidade e crescimento sustentável de setores tão relevantes para a economia de muitos países, como são o transporte marítimo e o turismo”.

Kiel tem já em funcionamento um sistema de energia em terra, instalado pela Siemens, no terminal Norwegenkai, que já ajudou a reduzir as emissões de CO2 em cerca de mil toneladas.

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