Ana Ascenso
Ana Ascenso
Estudante de Doutoramento do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) Universidade de Aveiro (UA). Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM)

A perda de biodiversidade, aumento do risco de cheias e inundações, aumento da temperatura e perda de qualidade do ar são alguns dos problemas ambientais agravados pelas alterações climáticas e que as Nature Based Solutions (NBS) pretendem mitigar.

A natureza como solução à adaptação climática

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A alterações climáticas têm estado na boca do mundo e na frente das preocupações internacionais. Muito se tem discutido sobre como as cidades se podem adaptar aos efeitos da mudança climática, e nestas discussões surgiu o conceito de soluções baseadas na natureza (NBS, na sigla inglesa). 

A perda de biodiversidade, aumento do risco de cheias e inundações, aumento da temperatura e perda de qualidade do ar são alguns dos problemas ambientais agravados pelas alterações climáticas e que as NBS pretendem mitigar. Pensadas para solucionar problemas ambientais de forma sustentável, baseando-se nos serviços naturalmente fornecidos pelo ecossistema, exemplos mais comuns de soluções baseadas na natureza são os telhados e paredes verdes, árvores urbanas, parques e corredores verdes, bacias de retenção de águas pluviais e pavimentos permeáveis.

No entanto, inovação é a palavra de ordem e existem inúmeros outros tipos de infraestruturas a que podemos chamar de soluções baseadas na natureza. 

O ponto forte destas soluções vai para além dos benefícios ambientais, trazendo também impactos positivos a nível social e económico. Melhorando a saúde e o bem-estar físico e mental da população e aumentado o valor imobiliário das zonas onde são implementadas. Todos estes benefícios fazem com que a implementação de soluções baseadas na natureza seja bastante incentivada pela comissão europeia nas suas políticas de adaptação às alterações climáticas.  

Incentivos da UE são fundamentais

Um exemplo desses incentivos é o “European Green Capital Award” que deu a Lisboa o título de Capital Verde Europeia 2020.  No âmbito desta iniciativa Lisboa promete introduzir e requalificar 100 hectares de estruturas verdes até ao final do ano, o que levará Lisboa a ter cerca de 1000 zonas verdes e 25 hortas urbanas. A iniciativa Capital Verde tem também como base a partilha de informação e debate, pelo que ao longo do ano irão decorrer vários encontros, palestras e conferencias que terão o envolvimento de várias empresas, escolas, instituições e universidades.

Apesar dos múltiplos benefícios das soluções baseadas na natureza e o seu potencial para tornar as cidades mais resilientes às alterações climáticas, não nos podemos esquecer que não é, nem deve ser pensada como a única solução. Apesar de pouco sustentáveis, as infraestruturas cinzentas (soluções de engenharia que recorrem a material inorgânico em oposição a trabalhar com a natureza) podem ser muito mais eficazes a mitigar certos problemas. 

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