Há uma vasta quantidade de cosméticos e produtos de higiene que contêm microesferas, pequenas esferas de plástico. Trata-se de uma forma de microplásticos que é utilizado, por exemplo, em produtos de esfoliação e que constituem um risco para o meio ambiente.

A App está disponível tanto para iOs como para Android.

Ainda que algumas empresas tenham já decidido não utilizá-las, em resposta às preocupações sobre a acumulação de microesferas de plástico nos oceanos e lagos (recorrendo a esfoliantes alternativos), contudo, no mercado ainda continuam à venda alguns desses produtos de cuidados pessoais.

Para um consumidor, contudo, nem sempre é fácil perceber se um determinado bem contém essas microesferas.

Duas ONG holandesas, a North Sea Foundation (Fundação do Mar do Norte) e a Plastic Soup Foundation (“Fundação da Sopa de Plástico”) desenvolveram, por isso, uma App para que os consumidores possam mais facilmente verificar se o produto que tencionam comprar ou do qual são utilizadores habituais contém microesferas.

A App chama-se “Beat the Microbead”, o que em português quer dizer algo como “vença as microesferas”.

“Para os microplásticos com tamanho inferior a 20 µm procuram-se tratamentos novos que sejam capazes de os remover” no tratamento das águas residuais – Teresa Rocha Santos (Universidade de Aveiro)

Para fazer essa verificação, o consumidor tem apenas de fotografar o código de barras com a câmera do smartphone, tendo a App aberta.

A mais recente versão da App reconhece mais produtos, estando disponível em português e espanhol.

Mediante a sua pegada a nível de microesferas plásticas, assim os produtos são classificados por cores em que o vermelho se aplica a produtos com microesferas e verde se o produto está livre de microesferas plásticas.

As microesferas que não constam nos produtos analisados são listadas, casos de Polietileno (PE), Polipropileno (PP), Polietileno Tereftalato (PET), Polimetilmetacrilato (PMMA) e Nylon.

Quais são as alternativas?

A Unilever é um dos gigantes de cosmética que deixou de utilizar em 2014 microesferas de plástico. Como alternativa utiliza ingredientes esfoliantes, como caroços de alperce, farinha de milho, pedra-pomes moída, sílica e cascas de noz.

Esta avaliação – ressalva a App – não significa que não existam eventualmente outros tipos de microplásticos nesse produto. É ainda assim um primeiro e importante despiste.

Em Portugal, a Associação Portuguesa do Lixo Marinho (APLM)​ coordena o banco de dados de produtos.

Onde se encontram?

Ao nível dos produtos de cuidados pessoais, as microesferas encontram-se em esfoliantes, máscaras faciais, espumas de barbear, pastas dentífricas ou gel de banho.

Todavia, estas partículas de plástico, que como tal não são biodegradáveis, também são usados por outras indústrias, casos da limpeza doméstica e industrial.

Tratamento de águas residuais

Teresa Rocha Santos, cientista convidada do CESAM-Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro que desenvolve investigação focada no destino e comportamento de contaminantes no ambiente durante o tratamento de resíduos e na biodegradação de microplásticos, explica que o tratamento de águas residuais pode remover 99% dos microplásticos com tamanhos entre 5 mm e 20 µm.

No entanto, de acordo com a Organização da Nações Unidas (ONU), a nível mundial, 80 % das águas residuais são descarregadas, sem tratamento, no ambiente. “Relativamente aos microplásticos com tamanho inferior a 20 µm, por enquanto, procuram-se tratamentos novos que sejam capazes de também os remover”, afirma esta cientista.

Ao não ficarem retidas nos sistemas de tratamento de águas residuais, as microesferas colocam em risco os ecossistemas aquáticos.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of