Depois da nossa experiência com a Specialized Turbo Como Easy Entry, ficámos uns dias com a Vado 4.0. A Como que testámos era 3.0, com uma bateria de menor capacidade e a cassete traseira de nove relações. No nível 4.0, as urbanas da Specialized têm uma bateria tem uma capacidade de 500 Wh, em vez de 460 Wh. Atrás há uma cassete com dez carretos, que promete maior versatilidade.

A Specialized Turbo Vado está disponível com dois quadros, um dito masculino e outro, Step Through, associado mais ao utilizador feminino. A diferença está no tubo superior horizontal ou curvo, para facilitar a entrada.  Tivemos as duas ao mesmo tempo na redação, mas a Step Through era 3.0, igualmente agir e versátil. No entanto, foi com a Vado 4.0 que realizámos o ensaio mais demorado.

Reativa e potente

Chamámos à Como a “Pasteleira” do Século XXI, uma bicicleta elétrica imperial na estrada, confortável, segura e potente. Mas é também pesada e, como tal, não muito ágil. Tal pode colocar algumas dificuldades a negociar obstáculos repentinos ou manobrar em espaços mais apertados.

A Vado, em comparação, parece mais leve, embora o seu peso seja muito semelhante, entre os 22 e os 24 kg. Tem também um quadro que implica uma posição mais agressiva. Vamos um pouco mais apoiados no guiador, o que, em viagens mais longas pode ser mais exigente para os braços.

A recompensa de algum esforço adicional é um controlo muito mais preciso da Vado. A resposta a qualquer pequeno ajuste no guiador é telepática. Os travões de disco Shimano BR-MT200 são potentes e respondem instantaneamente a qualquer solicitação. São ainda bastante moduláveis e, após algumas utilizações, é muito fácil graduar a a intensidade da travagem.

Esta é uma importante característica da Vado Turbo, porque estamos a falar de uma elétrica muito veloz. O seu sistema de assistência à pedalada varia entre os 30% e os 400% no modo Turbo. Mesmo com a assistência no nível 1, a relativa leveza do conjunto e as opções de desmultiplicação, tornam-na muito rápida, até com um ciclista ocasional em cima. Mas no modo Turbo, a Vado é quase balística até aos 25 km/h, quando a assistência suspende o seu apoio. 

O motor tem uma potência de 250 W, o que classifica esta bicicleta como uma pedelec. Tal significa que o motor só funciona quando pedalamos, trabalhando em conjunto com o esforço do ciclista. Ou seja, a Vado Turbo não anda sozinha… E a assistência funciona só até aos 25 km/h. A partir desta velocidade, o ciclista é o único motor disponível.

Centro de gravidade baixo

A facilidade em ganhar velocidade, aliada ao seu comportamento e agilidade, tornam a Vado Turbo a elétrica mais divertida que já experimentámos. Um dos segredos do comportamento das Specialized elétricas é a integração da bateria no quadro. É uma solução dispendiosa quando comparada a tratar aquele elemento como um extra, seja juntando-o quadro, seja colocando-o sobre a roda traseira, por baixo de uma base de transporte de objetos. 

Com a integração no quadro, é possível obter um centro de gravidade mais baixo, para além de garantir que o quadro está preparado para resistir às forças adicionais que a bateria e o motor elétrico implicam.

A qualidade da Vado Turbo não se aplica apenas em termos de design e a integração dos elementos de eletrificação é muito elevada. A bateria é amovível, podendo ser carregada separada da bicicleta. O motor, integrado na roda pedaleira, é discreto. À primeira vista, não é fácil identificar a Vado como uma bicicleta elétrica. 

A bateria pesa 2,8 kg e o motor, 3,4 kg. O acabamento, a pintura e os componentes Specialized, como o selim Canopy Sport e o guiador Flowset, bem como os gatilhos da transmissão Shimano Deore, são de boa qualidade e com aspeto durável.

Preço e alcance elétrico

A Vado Turbo 4.0 custa 3199 euros, estando posicionada num segmento médio/alto e exclusivo na oferta de bicicletas elétricas urbanas. Existe uma versão 3.0. com, bateria de menor capacidade, que custa 2699 euros.

A Specialized disponibiliza no seu site um calculador de alcance. Aqui é possível escolher a bicicleta elétrica, as características do ciclista, o tipo de percurso e a velocidade média, obtendo uma estimativa.

No caso da Vado Turbo 4.0, para um ciclista com 75 kg e 1,75 m de altura, varia entre os 99 km, em plano e no modo eco e os 19 km em montanha no modo Turbo.

A nossa volta

Saí de casa a seguir ao jantar, num sábado tranquilo. Na véspera tinha feito uma volta de 30 quilómetros, que incluiu participar no encontro da Massa Crítica. Mas, desta vez, queria era fazer um passeio curto, saindo do Paço do Lumiar até ao Campo Grande, talvez ir até ao Marquês e voltar, tirando umas fotos pelo caminho. Equipada com luzes bastante eficientes, a Vado Turbo foi a companheira perfeita.

Andei pela ciclovia sempre que possível, mas dei por mim rapidamente no Terreiro do Paço, numa noite muito bonita.

Desta vez não fiz a Subida à Glória — teria sido interessante ver como a Vado se sairia — por isso, como me estava a sentir tão bem, decidi subir até ao Castelo de São Jorge. 

Com a assistência no nível 2, subi do lado do Martim Moniz, pela Rua da Costa do Castelo. Mesmo no muito imperfeito piso, trepar por ali acima não revelou qualquer dificuldade. Já mais perto do objetivo, aumentei o nível de assistência da Vado para a posição três. Multiplicando por quatro a minha limitada força, a Specialized garantiu que cheguei ao portão do castelo sem sofrimento. Só ficou mesmo a parte divertida. Do Martim Moniz ao castelo, demorei 15 minutos, incluindo paragem a meio, junto ao Chapitô, para a fotografia…

A descida e o regresso a casa foram sem história, mas sempre a bom ritmo e com um sorriso meio tonto. No final, 26 quilómetros, depois do jantar, em total afronta às colinas de capital e às boas regras da digestão. Quem diz que Lisboa não é ciclável está a precisar de um tête-a-tête com uma elétrica desta fibra…

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