Com base em estatísticas oficiais, a Renault Portugal estima que circulem no país cerca de 2,5 milhões de veículos com mais de 12 anos. É, grosso modo, metade do parque automóvel em Portugal. “Automóveis que, objetivamente, já estão ultrapassados em matérias tão sensíveis como ambiente, segurança e economia”, aponta a marca francesa que entende que seria útil que o incentivo ao abate de veículos em fim de vida pudesse ser reintroduzido por parte do Estado.

O plano ECO Abate que a Renault está a lançar em 2020 é destinado exclusivamente a clientes particulares e pressupõe um apoio financeiro à aquisição de automóveis novos, independentemente do modelo ou da motorização.

“É preciso fazer algo. Como não parece ser um objetivo do governo, assumimos a iniciativa de criar um plano para ajudar a combater o envelhecimento do mercado”, sublinha Fabrice Crevola como justificação para o lançamento da medida Eco Abate, um dos cinco pilares do ECO-Plan Renault que irá vigorar em 2020.

A propósito da apresentação do ECO-Plan Renault, o administrador-delegado da Renault Portugal diz que o nosso país tem “um dos parques automóveis mais envelhecidos na Europa, com uma idade média de 13 anos”, havendo mesmo cerca de um milhão de veículos com mais de 20 anos em Portugal.

Número de veículos em Portugal, segundo a sua idade. Fonte: Renault

“Quem melhor do que o líder do mercado automóvel há 22 anos consecutivos para essa missão? Tomámos com orgulho esta responsabilidade”, diz o responsável da marca francesa entre nós.

Os mencionados 2,5 milhões de automóveis são mais poluentes, mais gastadores e mais inseguros do que os equivalentes atuais.

Homologação antiga

Trata-se de modelos que foram todos homologados de acordo com as normas Euro 2, 3 ou 4. Ou seja, com emissões poluentes muito superiores às dos automóveis atuais.

Emissões médias comparativas de veículos Euro VI (Diesel e gasolina) face a modelos homologados segundo as normativas Euro II e Euro III, ao fim de 10.000 km de utilização. Fonte: Renault

“Se substituirmos o parque antigo já estamos a contribuir para uma mobilidade mais sustentável”, entende Ricardo Oliveira, diretor de comunicação da Renault.

A marca francesa fez as contas, considerando que um automóvel a gasóleo, com matrícula entre 1996 e 1999 (homologado segundo a norma Euro 2), emite, hoje, em circulação, pelo menos 16 vezes mais partículas do que um modelo equivalente atual.

Outro exemplo: um modelo Diesel de 2000 (homologado segundo a norma Euro 3) emite 6,25 vezes mais NOx do que um automóvel atual do mesmo segmento.

Também a nível das emissões de CO2, os automóveis com mais de 12 anos são muito mais poluentes do que os atuais, enfatiza a Renault como forma de demonstrar que a simples troca de um automóvel antigo por outro moderno seria já, per si, um contributo positivo para a diminuição da pegada de carbono do país.

Fabrice Crevola, administrador-delegado da Renault Portugal, em conferência de imprensa

Desta feita, com base em valores estimados pela Renault, a média de emissões de um veículo com 12 anos será pelo menos de 180 g/km, contra os 130 g/km de um automóvel equivalente atual, também equipado com motor Diesel. Ou seja, ao fim de 10.000 km, um automóvel recente emite – no mínimo – menos meia tonelada de CO2.

Plano ECO Abate também para maior segurança

Não é só a questão ambiental que está em causa com o envelhecimento do parque automóvel, enfatiza a Renault, referindo-se à própria sinistralidade. “Face às imposições atuais, a esmagadora maioria dos automóveis com mais de 12 anos não poderia hoje sequer ser comercializado. Dessas unidades, só muito poucas serão equipadas com ABS. E se falarmos do EBA (sistema de travagem de emergência) e do ESP, então o número de unidades será mesmo residual”, lembra a Renault.

Ou seja, dos mais de 2,5 milhões de automóveis com mais de 12 anos que circulam no país, a grande maioria não tem sequer aqueles que são, hoje, os sistemas mais básicos em termos de segurança. “E, nos últimos anos, tantas são as novas tecnologias que confirmam o extraordinário trabalho que tem sido desenvolvido pela indústria automóvel em matéria de segurança ativa e passiva, e que têm sido decisivas para a redução do número de vítimas resultantes de acidentes”, afirma a marca francesa.

 

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Se em Portugal a carga fiscal não fosse tão elevada, designadamente na compra de viaturas novas e como acontece em muitos outros países da UE, o cenário seria certamente outro.