Todos os centros eletroprodutores de Portugal Continental produziram, em 2019, um total de 49 TWh de eletricidade, proveniente, em 56%, de fonte renovável, segundo dados da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

Este total foi maioritariamente suportado pela tecnologia eólica, que representou 28%. Verificou-se uma significativa melhoria na produção de energia elétrica através do solar fotovoltaico, já reflexo da entrada em operação de centrais como a Ourika, com capacidade instalada de 46 MW.

O ano de 2019 fechou com dois meses de elevada produtibilidade renovável, tendo o mês de novembro sido marcado por mais um recorde por parte dos centros de produção de energia eólicos do país, que alcançaram uma produção diária nunca antes registada, de 103,1 GWh. Já em dezembro, Portugal bateu, mais uma vez, o máximo de consumo 100% renovável.

Em dezembro, durante 5 dias e meio a produção renovável supriu o consumo

A APREN destaca o facto de no dia 18 de dezembro se ter iniciado um período ininterrupto de 131 horas, o correspondente a 5 dias e meio, em que a produção renovável foi suficiente para suprir o consumo. “Este facto resultou de uma acentuada produtibilidade hidroelétrica e eólica, demonstrando-se assim a elevada resiliência do sistema elétrico nacional face a grandes níveis de integração renovável”, aponta a associação.

Poupança de 743 milhões de euros em importações

Estes marcos do setor renovável resultaram numa poupança em importações de combustíveis fósseis de 743 milhões de euros, estima a APREN.

Por seu lado, esta produção elétrica e origem renovável evitou ainda 15,0 Mt de emissões de CO2, tendo o setor registado este ano um total de 10,4 Mt de emissões de CO2.
“Como resultado, foi evitado um dispêndio em licenças de emissão de CO2 no valor de 374 milhões de euros, reflexo do atual valor das licenças de 24,8 €/tCO2, que viu um incremento de 56% face ao ano passado”, sublinha a APREN.

As emissões de carbono baixaram de forma mais significativa: quase 5 milhões de toneladas.

A análise dos dados das diferentes fontes de produção de eletricidade de 2018 e 2019, em particular no que respeita à produção a partir de centrais térmicas, mostra um cenário de enorme redução de emissões de gases com efeito de estufa entre os dois anos. “Mesmo com uma significativa redução da produção da grande hidroelétrica na ordem dos 27%, com um aumento da produção de eletricidade por centrais térmicas e em particular pelas centrais de ciclo combinado a gás natural, a queda de produção das duas centrais de carvão para mais de metade conduziu a uma redução nas emissões totais do setor eletroprodutor em aproximadamente 4,8 milhões de toneladas, o que equivale a uma quebra de 30%. Tal é resultado da relação entre os preços do carvão e do gás natural e, acima de tudo, do elevado preço das licenças de emissão de carbono no mercado europeu, acrescido da taxa nacional de carbono e do imposto sobre combustíveis fósseis, que começaram a ser aplicados em 2018 de forma crescente”, enfatiza a APREN.

Comentando estes números, Francisco Ferreira, presidente da associação Zero, considera que “Portugal tem de investir muito mais na eficiência energética e nas energias renováveis para ser neutro em carbono em 2050 e esse investimento tem de ser fortemente acelerado”.

Nessa medida, “o aproveitamento da energia solar é crucial e é preciso informar, simplificar e ultrapassar os obstáculos que impedem que tenhamos muito mais edifícios com telhados preenchidos com painéis fotovoltaicos ou, no caso de grandes centrais solares, dando preferência a áreas sem outra utilização significativa”, diz Francisco Ferreira.

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