O projeto WindFloat Atlantic, que prevê a instalação de um parque eólico em pleno mar, deu vários passos para a entrada em operação.

Por um lado, a segunda das três plataformas que compõem esta iniciativa deixou no passado domingo o porto de Ferrol, zona de Corunha, para seu destino final, a 20 km da costa portuguesa, em Viana do Castelo.

A energia eólica offshore é a fonte de energia limpa e renovável que se obtém aproveitando a força do vento que sopra em alto mar.

Ao chegar ao local do projeto, a plataforma será instalada próxima da primeira plataforma flutuante, com as mesmas dimensões: 30 metros de altura e 50 metros de distância entre cada coluna. A terceira e última plataforma, assim que chegar ao local, completará o primeiro parque eólico offshore flutuante na Europa Continental.

Primeira plataforma conectada

Por outro lado, depois da alimentação energética do cabo que percorre os 20 km que separam o parque eólico da estação instalada em Viana do Castelo, a primeira das três plataformas do projeto do consórcio Windplus foi conectada com sucesso na passada terça-feira, dia 31 de dezembro.

A estrutura da plataforma – com uma altura de 30 metros e uma distância de 50 metros entre as colunas – permite abrigar as maiores turbinas eólicas do mundo instaladas numa superfície flutuante, de 8,4 MW cada.

As outras duas unidades do projeto irão possibilitar atingir um total de 25MW de capacidade do parque.

Transporte das estruturas flutuantes

O transporte das três estruturas flutuantes do WindFloat Atlantic é um marco em si, pois evita a necessidade de rebocar embarcações projetadas especificamente para este processo e possibilita a replicação do projeto para outras geografias.

A estrutura, que partiu do porto externo de Ferrol, compreende uma plataforma flutuante e a maior turbina eólica já instalada numa estrutura flutuante. Uma vez operacional e com capacidade instalada de 25 MW, o parque eólico poderá gerar energia suficiente para abastecer o equivalente a 60.000 utilizadores por ano.

O projeto WindFloat Atlantic vem na esteira do protótipo WindFloat1 que esteve em funcionamento de 2011 a 2016. O protótipo de 2 MW produziu energia ininterruptamente ao longo de cinco anos com sucesso, sobrevivendo ileso a condições climatéricas extremas, incluindo ondas de até 17 metros de altura e ventos de 60 nós.

O projeto WindFloat Atlantic é liderado por um consorcio de empresas designado WindPlus, o qual compreende a EDP, através da EDP Renováveis (54,4%), Engie (25%), Repsol (19,4%) e Principle Power (1,2%).

100 metros de profundidade

A instalação consiste na montagem de três turbinas em plataformas flutuantes, as quais se encontram ancoradas com correntes ao fundo do mar a uma profundidade de 100 metros.

Esta tecnologia tem vantagens mais vastas que aumentam a sua acessibilidade e a relação custo-eficácia, incluindo a aptidão para montagem em doca seca e reboque sem necessidade de rebocadores especializados ou as vantagens de não ter de depender de operações offshore complexas associadas à instalação das estruturas tradicionais de base fixa.

Marco importante para a indústria

De acordo com a EDP Renováveis, o projeto WindFloat Atlantic constitui um marco importante para a indústria, na medida em que este é o primeiro parque eólico flutuante semi-submersível do mundo: “Dado que pode ser implementada em águas muito profundas, esta tecnologia WindFloat pode aproveitar recursos energéticos em vastas áreas do mar, dando resposta aos desafios cruciais da sociedade tais como a transição para energias limpas, a segurança energética e as alterações climáticas, proporcionando trabalhos, crescimento económico e oportunidades de investimento sustentável”, sublinha a EDP.

As plataformas foram construídas em cooperação entre Portugal e Espanha: duas das plataformas foram fabricadas nos estaleiros de Setúbal (Portugal) e a terceira nos estaleiros de Avilés e Ferrol (Espanha).

[atualização em 02/02/2020, às 17,35h, com a informação da ligação da primeira das três plataformas]

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