Apesar dos preconceitos que ainda giram à volta dos veículos elétricos, o facto é para as frotas a opção da mobilidade elétrica faz cada vez mais sentido por um acumulado de motivos que vão desde os ambientais, a consumos e contabilísticos.

Hugo Soares, responsável RCI Bank pelo Desenvolvimento de Soluções Empresa, defende que a escolha de um elétrico pode mesmo ser imbatível numa visão 360º, com os crónicos obstáculos apontados a não serem fator eliminatório das escolhas.

PARA UM CRESCENTE NÚMERO DE EMPRESAS, A MUDANÇA DO “CHIP” PARA VEÍCULOS ELÉTRICOS É MESMO A ESCOLHA MAIS ACERTADA E MAIS JUSTIFICADA DO QUE A DOS MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA.

Numa simulação feita pela consultora Deloitte, para o Dinheiro Vivo, comparando os custos de compra e de utilização dos vários tipos de automóveis por um período de quatro anos, conclui-se que os automóveis elétricos saem mais baratos às empresas do que os carros a gasolina, gasóleo e híbridos.

Benefícios anuais de até 2500 euros

O benefício é tão grande, que as empresas podem poupar entre cerca de 1000 e 2500 euros por ano. Refere a Deloitte ao Dinheiro Vivo que a vantagem dos elétricos é tão grande, que estes veículos chegam a pagar-se a si mesmos – o custo de utilização é inferior ao da compra. “Um híbrido plug-in ou carro elétrico é mais caro no concessionário, mas depois, com a sua utilização, as vantagens são claríssimas para o veículo elétrico. Isto decorre da reforma da fiscalidade verde, de 2015, que veio beneficiar a tributação destes automóveis”, afirma Afonso Arnaldo, fiscalista da Deloitte.

Na simulação para o Dinheiro Vivo, ao fim de quatro anos, são gastos menos entre 4000 e 10.000 euros, tendo em conta três perfis de viaturas: médio-baixo (patamar dos 25 mil euros), médio (35 mil euros) e alto (patamar dos 60 mil euros). Nos carros a gasolina ou gasóleo, o custo de utilização é o dobro do montante pago na compra do veículo, assinala o Dinheiro Vivo.

Hugo Soares realça que feita a constatação de que os comparativos de TCO (Total Cost of Ownership) favorecem em grande escala os veículos elétricos, o desafio será ultrapassar a visão do preço do veículo e passar antes a uma visão de custo total de utilização dos automóveis.

Incentivos fiscais melhores

A favor das empresas que optam pelos veículos 100% elétricos estão uma mão cheia de trunfos fiscais:
• Incentivo de 2.250€ para aquisição de veículo elétrico, sem obrigatoriedade da entrega de um veículo com mais de 10 anos. Estas são condições que vigoraram em 2019 e segundo a proposta de Orçamento para 2020 este valor mantém-se (não são elegíveis os veículos ligeiros cujo custo total de aquisição seja superior a 62.500€; Para o limite de 62.500€ deve considerar-se o valor de aquisição total do veículo, ou seja, com IVA);
• Isenção de Tributação Autónoma;
• Isenção do pagamento do ISV (n.º 2 do artigo 2º, do Anexo I do Código do Imposto Sobre Veículos) e IUC (alínea d) do n.º 1 do artigo 5º, do Anexo II do Código do Imposto Sobre Veículos);
• Dedução da totalidade do IVA das despesas relacionadas diretamente com viaturas de turismo elétricas, incluindo a compra, aluguer, utilização (custo da energia, por exemplo) ou reparação;
• São aceites como gastos as depreciações das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, na parte correspondente ao custo de aquisição ou ao valor de reavaliação até ao valor total de 62.500€.

As condições de financiamento que o mercado apresenta atenuam também o peso da conversão de uma frota para EV. De resto, o preço dos veículos pode, desde logo, ser contornado por via do recurso a financiamento, tornando a fatura mensal para uma empresa de um elétrico na linha de um modelo Diesel ou gasolina.

A RCI, por exemplo, consegue aceder a taxas de juro desde 0% para modelos Z.E. em leasing, crédito ou ALD e serviços de manutenção mais competitivos que os dos veículos a combustão.

Para as empresas, o processo de renovação de frotas pode ainda beneficiar grandemente dos serviços das gestoras de frotas, graças à consultoria energética prestada para instalação de postos de carga ou ainda das assistências em viagem dedicadas que, em situações limite, levam o cliente ao posto de carregamento mais próximo, caso fique sem carga a meio de um trajeto.

Vantagens na utilização

Do ponto de vista da utilização, os veículos elétricos são em tudo idênticos aos modelos térmicos com caixa automática, acrescentando duas vantagens: ser muito mais silenciosos no rolamento e proporcionando a totalidade do binário a qualquer instante, algo que nenhum carro a gasolina ou Diesel oferecem.

O responsável pelo Desenvolvimento de Soluções Empresa do RCI Bank refere que a questão do carregamento, normalmente um aspeto apontado de forma negativa aos elétricos, tem uma faceta na qual nem sempre as pessoas se focam que é o da sua comodidade e o facto do abastecimento poder ser feito em casa, sem ter de sair à rua: “O cliente pode chegar a casa com a bateria descarregada e no dia seguinte sair de casa com a autonomia máxima. Evitando as deslocações específicas a postos de combustível, refere Hugo Soares”.

Este responsável do RCI Bank desmistifica ainda outros desafios que habitualmente são colados aos elétricos.

200 km numa hora

Um deles é a incógnita da duração do carregamento. Dando o exemplo da Renault, Hugo Soares afirma que, através do simulador do tempo de carga do novo Zoe, com uma capacidade de 52 kWh, é possível estimar e planear, para as várias tipologias de pontos de carregamento, o tempo necessário para carregar a bateria. “Numa hora de almoço o cliente consegue carregar 200 km de autonomia”, elucida.

Conheça em detalhe os tempos de carregamento e autonomia, através do simulador de tempos de carregamento Zoe.

Relativamente ao desafio da falta de postos de carregamento, esta é uma realidade em crescente atualização, refere Hugo Soares: “Além da rede de abastecimentos espalhados por todos os centros urbanos, Portugal conta já com mais de 152 Postos de Carga Rápida, nas principais autoestradas do país”.

70% percorre 99 km por dia

A eterna questão da autonomia é outro mito que Hugo Soares desmonta: “Considerando que mais de 70% das empresas que contratam serviços RCI, o fazem para no máximo 25.000 km/ano, que corresponde aproximadamente a 99 km/dia, a autonomia dos principais modelos Renault Z.E. para empresas, permite uma utilização com uma margem de conforto de aproximadamente 100 km diários”.

Hugo Soares admite que a conversão de uma frota para veículos elétricos requer alguma preparação no sentido de se ganharem novos hábitos, o que poderá implicar uma mudança nos planos de rota das frotas ou de gestão de carga.

No entanto, no espírito da RCI está claro que hoje as viaturas elétricas são já uma realidade que beneficia as empresas que as adotam. E a tendência é para que estas vantagens competitivas se reforcem face às tradicionais escolhas gasolina e gasóleo, até porque os veículos movidos a combustíveis fósseis tendem a ser, cada vez mais, interditos de circular em meios urbanos. E ter uma frota composta por modelos que não podem circular é um contrassenso e mau para o negócio.

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