O excesso de turistas e o modo como as cidades podem lidar de forma sustentável com as vagas de visitantes é uma preocupação crescente a cada vez mais municípios no mundo.

A nível europeu, há um projeto-piloto que envolve cidades em seis países (Croácia, França, Grécia, Itália, Espanha e Bósnia Herzegovina) que vai procurar compreender as repercussões do turismo na qualidade e conservação do próprio património.

A área de turismo da Comunidade Valenciana, em Espanha, é uma das entidades que vai participar nesse projeto-piloto europeu.

Entre esses edifícios que estarão debaixo de estudo contam-se a Basílica dos Desamparados e a Cripta Arqueológica do Cárcer de São Vicente.

A cidade de Valência (que entre 2012 e 2018 viu o número de turistas duplicar para 2,3 milhões) será a “cobaia” do estudo: ali será medido o fluxo de turistas e o seu impacto no património, através de tecnologia e sensores que detetam dispositivos móveis com Wi-Fi activado.

O objetivo é criar uma ferramenta tecnológica capaz de medir em tempo real a saturação e o impacto do turismo para se poderem, de uma forma ágil, tomar medidas, na hora, que proporcionem uma gestão mais equilibrada do turismo, em zonas de valor patrimonial mais rico.

Está igualmente previsto o desenvolvimento de uma plataforma de interpretação dos dados recolhidos pelos sensores, capaz de gerar índices sensíveis sobre o comportamento dos turistas.

A iniciativa, que se integra dentro do programa Interreg Mediterranean e dá pelo nome de HERIT-DATA, visa reduzir os impactos negativos do turismo nos locais que são património cultural ou natural da UNESCO. Dubrovnik (Croácia), Região Occitânia (França), Região Ocidental grega (Grécia), Florença/Toscana (Itália), Valência (Espanha) e Mostar (Bónia Herzegovina) são os seis locais onde este projeto será introduzido. No caso espanhol, o projeto conta com a participação de três entidades espanholas: “Turisme Comunitat Valenciana”, “Fundación Valenciaport” e “Fundación Santa María la Real”. Apesar de não haver nenhuma cidade portuguesa contemplada por este estudo, a FCT NOVA está envolvida no estudo.

A concretização do projeto prevê a instalação de sensores que detetam dispositivos móveis com conexão WiFi ativada nos principais pontos de entrada e saída de visitantes: aeroporto, estação de AVE (Alta Velocidade), porto e gabinetes de turismo a cargo da fundação Valenciaport; e em zonas turísticas como o Mercado Central, a Cidade das Artes e das Ciências e a praça da câmara.

Telemóvel detetado

Nestes locais, se um telemóvel é detetado pela primeira vez no porto, no aeroporto ou na estação ferroviária, locais de chegada de turistas, e permanece em deslocação pela cidade por um prazo determinado de tempo (tipicamente uma estadia de turista), o algoritmo associará esse dispositivo como pertencendo a um turista.

Isto permitirá obter informação sobre os pontos mais concorridos da cidade, determinar os horários em que há maiores intensidades de visitantes e quais as zonas que são mais visitadas.

Os responsáveis do projeto referem que em todos os casos, a privacidade está garantida e não se utilizam, em momento algum, dados personalizados.

O projeto será implementado em seis “pilotos” na Croácia, França, Grécia, Itália, Espanha e Bósnia Herzegovina.

Para se aferir se a vaga de turistas afeta o próprio estado do património, a Fundação Santa María la Real controlará o número de visitantes e os fatores que influenciam a conservação do património, com sensores de humidade, temperatura e luminosidade existentes no interior de edifícios com valor patrimonial.

A monitorização será feita durante seis meses, com os sensores a enviar informação Big Data a cada cinco minutos.

Valência realizou uma análise prévia que compara o impacto do crescimento turístico em cidades mediterrâneas muito visitadas, com o fim de utilizá-la como base e comparação dos testes-piloto.

Os resultados finais do estudo serão apresentados no outono de 2020.

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