A Prio e a Carris têm em curso um inovador projeto-piloto de mobilidade sustentável na cidade de Lisboa.

Através do projeto “Movido a Biodiesel”, a Prio fornece gasóleo totalmente produzido a partir de óleos alimentares usados para a Carris utilizar diariamente na carreira 702, entre a Serafina e o Marquês de Pombal.

Ao todo, são seis os autocarros em circulação que consomem biodiesel 100% livre de energia fóssil. Trata-se de um carburante (B100) produzido na fábrica da Prio, no Porto de Aveiro, que reduz em 83% as emissões de gases de efeito de estufa face aos tradicionais combustíveis fosseis e diminui as partículas emitidas.

Outra mais-valia deste carburante está no facto de a sua utilização não exigir fazer qualquer alteração nos motores dos veículos. Isto significa que os “bus” em questão são os mesmos de sempre – circulam agora é de forma mais sustentável pelas ruas da capital.

Benefícios de usar biodiesel feito de óleos alimentares usados

Um dos méritos de utilizar gasóleo obtido a partir de óleos alimentares usados está no facto de permitir o aproveitamento de resíduos, evitando que sejam derramados nas águas e as poluam. Mas o Administrador Executivo da Prio, Emanuel Proença, enumera outros benefícios do uso de biocombustíveis a partir de óleos alimentares usados: “Estamos a contribuir para um mundo melhor em várias frentes, no espírito de uma economia circular, evitando custos nas ETAR. Estamos ainda a evitar o uso de petróleo e seus derivados. Ao fazê-lo obtemos reduções de emissões diretas por estarmos a usar uma matéria prima reciclada, que não tinha valorização. Estamos igualmente a valorizar uma matéria prima que está a ser gerada mais próxima do ponto de consumo. Se todos nós, utilizadores de óleos alimentares, pudéssemos encaminhar melhor estes produtos, nós, enquanto país, estávamos melhor, na medida em que teríamos uma maior incorporação nacional. Reduzíamos as importações e criávamos condições para gerar mais empregos no país, desde a recolha, aos processos de tratamento e produção, entre outros”.

O projeto-piloto tem vindo a ser implementado no último ano. Numa primeira fase, com apenas três autocarros a funcionar com B100 e outros três a utilizar gasóleo tradicional para uma análise comparativa.

Na primeira fase observou-se que a utilização deste novo biodiesel avançado não causou problemas adicionais em termos do desempenho dos veículos, tendo-se apenas observado um ligeiro aumento de consumo, já esperado pela equipa de trabalho e considerado pouco significativo.

O Diesel que os portugueses colocam nos depósitos dos seus veículos tem 7% de incorporação de biocombustível. Para além desse gasóleo B7, a Prio tem um outro tipo de gasóleo, o B15 (o Eco Diesel), com 15% de incorporação de biocombustível. Cerca de 80% desses 15% provêm de óleos alimentares usados.

Porém, esse ligeiro acréscimo no consumo é fortemente compensado pelas muito menores emissões de CO2, para além de que não é necessário investir em novos autocarros.

Desta forma, os resultados preliminares acabaram por reforçar a viabilidade e pertinência do uso do biodiesel como opção para a transição energética, pelo que, desde julho passado, o projeto de utilização de biodiesel B100 passou a compreender, naquela que é a segunda fase de aplicação do projeto, a totalidade dos seis autocarros da linha 702.

O projeto pretende também sensibilizar a população para a importância da reciclagem dos óleos alimentares usados.

“Este projeto permitiu desmistificar a ideia de que os combustíveis produzidos a partir de óleos alimentares usados têm um impacto negativo nos veículos. Após vários meses de testes, não identificámos diferenças significativas nos autocarros que têm usado este combustível, quando comparados com veículos similares e utilizados nos mesmos percursos”, avança José Roseiro, diretor de manutenção dos autocarros da Carris.

Menor pegada de carbono

Tiago Farias, Presidente do Conselho de Administração da Carris, assume que a empresa está empenhada na descarbonização da frota, caminho que – assume o responsável da Carris – também tem de ser feito através da utilização de combustíveis mais limpos e com menor pegada de carbono.

Este biodiesel B100 vem de Aveiro (da fábrica da Prio) chegando por camião cisterna que descarrega o combustível num depósito de 10 mil litros que a Carris tem nas suas instalações, na Pontinha.

Tiago Farias salienta que “é fundamental que os novos combustíveis garantam fiabilidade mecânica”, mostrando-se satisfeito com os resultados do projeto até ao momento. O alargar do projeto a mais carreiras e autocarros é, por isso, uma hipótese a considerar após terminar esta fase da iniciativa que deverá demorar mais alguns meses.

Emanuel Proença, Administrador Executivo da Prio, entende que “promover o uso destes biocombustíveis avançados é das melhores formas de assegurar uma transição energética mais rápida, mais barata, com maior valor acrescentado nacional e com efeitos colaterais mais positivos para o país e para o mundo”.

“Estes biocombustíveis avançados são uma excelente forma de transição energética com valorização económica para o país” – Emanuel Proença (Prio).

A Prio refere ainda, na voz do seu Administrador Executivo, estar convicta de “que Portugal pode recorrer muito mais a estes biocombustíveis avançados nos próximos anos, como forma de alcançar as medidas ambiciosas de transição energética que o Estado tem promovido. Poder trazer essa solução para a rua, em conjunto com um parceiro como a Carris, é motivo de um tremendo orgulho para a Prio”.

Prio disponível para alargar fornecimento a mais frotas

Sabia que…
… a Carris gasta mais um milhão de litros de gasóleo por mês? Os seis autocarros que estão ao serviço no âmbito da iniciativa “Movido a Biodiesel” gastam mensalmente cerca de 10 mil litros, no seu todo.

Em declarações ao Watts On, Emanuel Proença disse ainda que a Prio está disponível para trabalhar com qualquer outra frota de autocarros, camiões e no futuro eventualmente veículos de menor dimensão. Nesse sentido, a empresa portuguesa afirma estar pronta para produzir maiores quantidades de B100 e escalar a produção: “Este projeto-piloto com a Carris consiste em agarrar numa parcela pequena da nossa produção, isolá-la, otimizá-la na mistura e alocá-la para aqui. Nós podemos fazer isso, transitando muito mais volume, para outras soluções deste género, fazendo crescer também a produção”.

Cristina Correia, Diretora de Inovação da Prio, conta “com este projeto poder mostrar a todos os lisboetas e portugueses quão útil é para o país e para o ambiente, a recolha sistemática dos óleos alimentares usados. Esperamos também poder alargar esta solução a mais autocarros da Carris no curto-médio prazo, e replicar este e outros projetos de sustentabilidade avançada na mobilidade com outros clientes nos próximos meses”.

Parceria Prio/Carris: por uma mobilidade mais verde

Mais do que apenas uma rede de postos de alta qualidade ao melhor preço, temos como missão ser a líder nacional nas energias do futuro para a mobilidade. Foi por isso que apostámos desde muito cedo quer em soluções para os veículos elétricos, quer na produção de biocombustíveis avançados, nas quais pretendemos continuar a investir”, refere Emanuel Proença, Administrador Executivo da Prio.

“O projeto vem mostrar o comprometimento da Carris na melhoria do desempenho ambiental da mobilidade em Lisboa.  A empresa está a fazer um grande esforço de renovação da sua frota, mas naturalmente não se renova uma frota com a dimensão da Carris do dia para a noite.  Com este projeto pretendemos atingir dois objetivos: explorar mais uma forma de reduzir os impactos climáticos da operação e usar a grande visibilidade que a empresa tem na cidade de Lisboa para sensibilizar a população para a importância da reciclagem”, acrescenta Tiago Farias, Presidente do Conselho de Administração da Carris.

Da esquerda para a direita: Emanuel Proença, Administrador Executivo da Prio e Tiago Farias, Presidente do Conselho de Administração da Carris

 

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