Numa altura em que decorre a Cimeira do Clima COP 25, o responsável máximo da Agência Europeia do Ambiente (AEA), o belga Hans Bruyninckx, vem colocar o dedo na ferida sobre a luta climática na Europa, referindo que existem “graves lacunas entre o estado do ambiente e as metas de política da UE a curto e longo prazo”.

Na introdução ao documento “O ambiente na Europa e perspectivas 2020”, da AEA, o Diretor Executivo da Agência da União Europeia que tem por missão fornecer informação independente sobre o ambiente, considera que “o grande desafio deste século é a forma como alcançamos o desenvolvimento em todo o mundo, mantendo equilíbrio entre as considerações sociais, económicas e ambientais”.

Viver num ambiente saudável

Hans Bruyninckx refere que “as expectativas dos cidadãos de viverem num ambiente saudável têm de ser satisfeitas, o que exigirá uma atenção renovada à implementação enquanto pedra angular das políticas da UE e nacionais. Dito isto, não temos apenas de fazer mais, temos também de fazer as coisas de forma diferente”.

Bruyninckx não tem dúvidas: “Ao longo da próxima década, vamos precisar de respostas muito diferentes das apresentadas nos últimos 40 anos para os desafios ambientais e climáticos do mundo”.

“Enfrentamos desafios urgentes de sustentabilidade que exigem soluções sistémicas urgentes. Esta é a mensagem inequívoca que é transmitida aos decisores políticos na Europa e a nível mundial”, diz Bruyninckx

O Diretor Executivo da Agência Europeia do Ambiente deixa palavras relativamente à dimensão social do problema que uma mudança de paradigma acarreta: “Existem apelos claros e compreensíveis para uma transição justa, na qual os potenciais perdedores de uma economia com baixas emissões de carbono recebem o devido apoio e atenção. A distribuição desigual de custos e benefícios decorrente das mudanças sistémicas é agora reconhecida pelos responsáveis políticos, mas requer um entendimento sólido, o envolvimento dos cidadãos e respostas eficazes”.

Para isso, prossegue o homem forte da AEA, as políticas futuras “devem basear-se nas respostas existentes aos nossos desafios ambientais e climáticos e têm também de responder ao conhecimento mais atual, que requer abordagens fundamentalmente diferentes — não só em termos do que precisamos de fazer, mas também de como precisamos de o fazer”.

O belga lembra que só nos últimos 18 meses, foram publicados diversos importantes relatórios científicos globais, todos contendo mensagens semelhantes: “as trajetórias atuais são fundamentalmente insustentáveis; estas trajetórias estão interligadas e associadas aos nossos principais sistemas de produção e consumo; e o tempo para encontrar respostas credíveis para inverter esta tendência está a esgotar-se”.

A mensagem de urgência não pode ser sobrestimada

Exortando à ação, Bruyninckx refere que “o apelo a transições fundamentais rumo à sustentabilidade nos sistemas centrais que moldam a economia europeia e a vida social moderna — em especial os sistemas energético, de mobilidade, de habitação e alimentar — não é novo” e até essas ideias foram incorporadas na União Europeia “em importantes iniciativas políticas, tais como os pacotes da economia circular e da bioeconomia, as políticas climática e energética para 2030 e 2050, e o futuro programa de investigação e inovação”.

Mas falta ir mais além, insiste o diretor da AEA, já que “uma coisa é mudar o pensamento, outra é alcançar uma mudança real”.

Aceleração e implementação de soluções

Por isso, entende este político que tem também uma carreira de cientista, “neste momento, o foco deve ser no alargamento, aceleração, agilização e implementação de muitas soluções e inovações que já existem — tanto a nível tecnológico como social — estimulando simultaneamente mais investigação e desenvolvimento, potenciando mudanças de comportamento e, vitalmente, ouvindo e envolvendo os cidadãos”.

Na visão de Bruyninckx, “a Europa deve liderar a transição global para um ambiente saudável num mundo justo e sustentável. A ideia de um Acordo Verde Europeu — delineada como a prioridade ‘número um’ das orientações políticas para a próxima Comissão Europeia 2019-2024 — pode proporcionar um excelente enquadramento para a ação, fazendo surgir os tipos de pensamento e de inovação baseados em sistemas necessários para alcançar esta transição e criar um futuro de que todos nos possamos orgulhar”.

“Não devemos ignorar os jovens da Europa”

Num tempo em que o ativismo ambiental alastra, Bruyninckx declara que “não devemos ignorar os jovens da Europa. Cada vez mais se fazem ouvir para exigir uma resposta mais ambiciosa às alterações climáticas e à degradação ambiental. Se não conseguirmos mudar as tendências atuais durante a próxima década, ficará comprovado que os seus receios pelo futuro são bem fundados”.

 

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