Estivemos na apresentação do Porsche Taycan 4S, na Lapónia, Finlândia. As versões Turbo e Turbo S foram apresentadas há algumas semanas. O 4S vem completar a oferta do primeiro modelo elétrico do construtor alemão. Tem igualmente dois motores e tração integral, com potência de 320 kW (435 cv) para o 4S e 360 kW (490 cv) para o 4S Plus.

A oportunidade de estar com responsáveis da marca alemã é o momento ideal para colocar algumas questões adicionais. Já temos a tradição de abrir estes questionários aos nossos leitores e o Taycan 4S não foi exceção. 

Um dos nossos leitores mais participativos é Richard Lopes, que apresentou um conjunto de questões interessantes.

Qual o plano de manutenção do Taycan 4S?

Quem nos respondeu foi Matthias Kirchgässner, Diretor de vendas e marketing de produto do Taycan. O que está previsto pelo construtor é que a primeira intervenção/revisão seja feita aos 30.000 quilómetros ou aos dois anos. A segunda respeitará o mesmo intervalo: aos 60.000 quilómetros ou aos quatro anos.

A Porsche garante a velocidade de carregamento ao longo da vida útil?

Tanto Matthias como Hermann-Josef Stappen (responsável de comunicação) de inicio não perceberam a questão. Explicámos que a Tesla tinha reduzido recentemente, as velocidades de carregamento e capacidade útil do pack de bateria em modelos mais antigos. Tal prejudicara alguns proprietários, que passaram a dispor de um alcance reduzido (menos kWh disponíveis, menor autonomia) e passaram a demorar mais tempo a carregar nos SuC. Poderia a Porsche dar a garantia de que tal não acontecerá no Taycan? 

Ambos salvaguardaram o facto de o Taycan ser um projeto recente. Todavia, asseguraram que o modelo foi objeto de um plano de desenvolvimento muito extenso e completo. Se a Porsche apresenta um modelo com capacidade de carregar a 270 kW — no caso do 4S Performance Battery Plus — então não há motivo para pensar que essa capacidade será modificada. 

Ambos sublinharam no entanto as diretrizes do construtor relativas a efetuar carregamentos tão frequentes quanto possível em AC. Carregamentos rápidos só em viagem. Mas se forem feitos uma vez por semana, não são expectáveis consequências na longevidade da bateria.

Como em todos os VE, será inevitável uma degradação progressiva da capacidade da bateria. Mas será gradualmente compensada pelo seu sistema de gestão (BMS). Os packs de bateria do Porsche Taycan têm a garantia padrão da indústria de oito anos ou 160.000 quilómetros.

E quanto à curva de carregamento nos carregadores de 350 kW e 150 kW?

Os nossos interlocutores não tinham acesso a estes dados. Informaram no entanto que o Taycan S Plus com o pack de bateria de maior capacidade (93,4 kWh) carrega a uma potência de até 270 kW e o Taycan 4S (79,4 kWh) aceita até 225 kW.

A Porsche testou outras potências de carregamento, com a colaboração, entre outras, da Efacec, mas estas foram as potências que consideraram adequadas para garantir os parâmetros de fiabilidade da marca.

E qual a autonomia real da versão de acesso, com pack de 79,4 kWh?

Matthias remeteu para os valores homologados no ciclo WLTP dizendo que, de momento, não existem outros. O Taycan 4S com alcance entre 333 e 407 quilómetros, o 4S Plus com entre 386 e 463 quilómetros. Os consumos combinados dos dois modelos são de, respetivamente, 24,6 e 25,6 kWh/100 km. Após o nosso teste ao Taycan 4S Plus, ficámos com mais alguma informação sobre qual pode ser o valor real de consumo. Voltaremos ao tema em breve.

No entanto, levantámos a questão de porquê os valores de consumo serem cerca de 10% acima do que faz, por exemplo, um Tesla Model S. Isto sendo um modelo concebido de raiz, com uma carroçaria leve e aerodinâmica. Os responsáveis da Porsche indicam as vantagens en termos de comportamento, sobretudo no que diz respeito à qualidade superior do atrito mecânico produzido pelos pneus. Ou seja, como o Taycan nasceu para ser um modelo desportivo, o seu ponto de equilíbrio entre eficiência energética e desempenho em termos de comportamento tende a pender, em certos parâmetros, para este último. Achámos que fazia sentido. 

Existirá um Taycan apenas com tração traseira?

Aqui não conseguimos mais do que uma resposta típica do responsável de comunicação, que disse estarem abertas várias possibilidades para a expansão da gama, de acordo também com a tradição da Porsche. Por entre alguns silêncios e sorrisos, ficámos convencidos de que será apenas uma questão de tempo…

Vai haver um Cartão de Carregamento Universal da Porsche em Portugal?

João Botelho, da Porsche Ibérica, confirmou que se trata de uma possibilidade. Poderá tratar-se de um cartão com carregamentos pré-pagos. No entanto, este serviço não tem ainda contornos bem definidos. 

Porque motivo o Taycan 4S e Turbo têm um Cx de 0,22 e o Turbo S não faz melhor que 0,25?

Talvez a pergunta mais espectacular desta série. Como chegou mais tarde, a resposta exigiu de Stappen e do seu colega do departamento de comunicação, Jan Klontz uma investigação particular minuciosa.

Os 4S e o Turbo usam jantes de 19’’ ou 20’’ muito eficientes, que não têm variações aerodinâmicas significativas. Assim, ambos os modelos, mesmo os 4S com a jante de 20’’ polegadas, conseguem manter o valor recorde de 0,22. Acontece que as jantes de 21’’ do Turbo S têm um desenho que oferece maior resistência e que são penalizadoras para o resultado global.

Este é ainda agravado por outro pormenor sensacional. É que o Taycan Turbo S vem de série com a abertura elétrica da portinhola da tomada de energia, no guarda-lamas dianteiro do lado direito. Ora, o mecanismo necessário para este equipamento bloqueia um dos canais por onde o ar antes passava de forma tão eficiente. Estes dois fatores elevam valor de Cx em 0,03…

Finalmente,  o nosso leitor Sérgio Cardoso, preocupado com a questão da substituição das baterias, nomeadamente no paradigmático caso do Nissan Leaf, também colocou uma questão interessante…

Quanto custa substituir integralmente o pack de baterias do Porsche Taycan?

Matthias Kirchgässner começou por dizer que a possibilidade de tal acontecer é extremamente reduzida. A prática mais eficiente é a substituição de módulos que possam deixar de funcionar corretamente. 

Todavia, para a eventualidade de substituir na íntegra o pack de baterias, partilharam connosco o preço dos dois packs. O de 79,4 kWh do Taycan 4S custa 30.000 euros. O de 93,4 kWh do 4S Plus e dos Taycan Turbo, custa 36.000 euros. Estes são os valores na Alemanha, sem taxas. 

A fixação dos packs de bateria é feita por intermédio de 28 parafusos, na parte inferior do Taycan, como revelou Hermann-Josef Stappen.

Ambos chamaram a atenção de que estes custos são semelhantes aos da substituição completa de um motor térmico num dos atuais modelos do construtor alemão. 

Uma nota final de agradecimento aos nossos leitores que contribuíram com as suas interessantes questões e um cumprimento especial à Porsche, pela disponibilidade e atenção ao detalhe que colocaram nas respostas.

A nossa experiência ao volante do Porsche Taycan 4S na Lapónia será publicada dia 11 de dezembro, quando termina o embargo às impressões de condução.

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