O Top 10 das instalações com maiores emissões em Portugal

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Com a cimeira das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas em Madrid – COP25 a decorrer, a associação ambientalista Zero fez um levantamento das dez principais instalações em Portugal responsáveis pela emissão de gases de efeito de estufa, a partir do tratamento dos dados de registo do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) relativos a 2018. A informação é complementada por uma análise da tendência mais recente no setor da energia elétrica referente já a 2019. O setor da aviação é igualmente incluído na análise dado fazer parte do CELE.

As duas (e únicas) centrais termoelétricas a carvão em Portugal asseguraram o primeiro e segundo lugar do “Top 10” das instalações com maiores emissões de gases com efeito de estufa no ano de 2018.

Segundo a Zero, as emissões destas centrais quando comparadas com as emissões totais do país em 2017 (dados nacionais mais recentes), foram responsáveis por 15% do total de emissões de dióxido de carbono-equivalente “o que impõe urgência nas mesmas serem substituídas pela utilização de centrais de ciclo combinado a gás natural existentes, como recurso transitório e, a curto/médio prazo, por fontes de energia limpa”, sublinham os ambientalistas.

Recorde-se que o governo português anunciou que irá encerrar todas as centrais que recorrem a carvão até 2030.

10 instalações com maiores emissões em Portugal

Empresa Designação 2018    (tons CO2) Posição 2018 2017     (tons CO2) Posição 2017 Var. (%)
EDP – Gestão da Produção de Energia, S.A. Central Termoeléctrica de Sines 7432821 1 8396291 1 -11,5
Tejo Energia, S.A Central Termoeléctrica do Pego 2792244 2 3746988 2 -25,5
Petróleos de Portugal – Petrogal S.A Refinaria de Sines 2359050 3 2604951 3 -9,4
Turbogás – Produtora Energética, S.A Central de Ciclo Combinado da Tapada do Outeiro 1501817 4 1456566 4 3,1
CIMPOR – Indústria de Cimentos, S.A. Cimpor – Centro de Produção de Alhandra 940174 5 1266714 6 -25,8
CIMPOR – Indústria de Cimentos, S.A. Centro de Produção de Souselas 889585 6 863182 10 3,1
EDP – Gestão da Produção de Energia, S.A. Central Termoelétrica do Ribatejo 869142 7 945110 9 -8,0
Petróleos de Portugal – Petrogal S.A Refinaria do Porto 857169 8 973217 7 -11,9
SECIL – Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A Fábrica SECIL – Outão 835267 9 949710 8 -12,1
ElecGás, S.A. Central de Ciclo Combinado do Pego 742714 10 1326524 5 -44,0
Total 19219983 22529253 -14,7

 

A Zero explica que as centrais a carvão em Portugal têm mecanismos para remoção de grande parte de determinados poluentes atmosféricos, mas tal não é possível em relação às emissões de dióxido de carbono (CO2): “Dada a sua baixa eficiência na queima, mesmo que esta seja um pouco superior a outras centrais em Espanha e noutros países, representam uma emissão de cerca de 900 g/CO2eq. por cada quilowatt-hora (kWh) produzido. Para comparação, uma central de ciclo combinado a gás natural emite 360 g CO2eq / kWh, e as centrais renováveis como hídrica, solar ou eólica têm emissões zero”.

No TOP 10, o setor da produção da eletricidade é responsável por 20,5% do total de emissões.

Comparativamente com o ano de 2017 em que ocorreu uma seca significativa que impediu uma maior produção hidroelétrica, no ano de 2018 as centrais a carvão tiveram uma redução de produção de eletricidade de 16%.

A refinação de petróleo, com o terceiro e oitavo lugares na lista e a produção de cimento com a quinta, sexta e nona posição, mostram como estes setores, a par da produção de eletricidade, são responsáveis por uma considerável percentagem de emissões no país.

Uma avaliação importante também é que entre 2017 e 2018, praticamente todas as unidades industriais viram decrescer as suas emissões de forma relativamente significativa.

Produção de eletricidade reduz emissões de gases com efeito de estufa em 2019

Segundo a Zero, a análise dos dados das Redes Energéticas Nacionais das diferentes fontes de produção de eletricidade entre janeiro e outubro de 2019 e o período homólogo do ano passado, em particular no que respeita à produção a partir de centrais térmicas, mostra um cenário de enorme redução de emissões de gases com efeito de estufa entre os anos de 2018 e 2019. Apesar de uma significativa redução da produção da grande hidroelétrica (barragens) na ordem dos 40% e da manutenção da produção de outras fontes renováveis, o decréscimo de emissões nestes 10 meses do ano foi já de 3,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Mesmo com um aumento significativo da produção de eletricidade por centrais térmicas e em particular pelas centrais de ciclo combinado a gás natural, com a queda de produção das duas centrais de carvão quase para metade, as emissões totais associadas à produção de eletricidade caíram aproximadamente 37%. “Tal é resultado da relação entre os preços do carvão e do gás natural e acima de tudo devido ao elevado preço das licenças de emissão de carbono no mercado europeu, acrescido da taxa nacional de carbono e do imposto sobre combustíveis fósseis que começaram a ser aplicados em 2018 de forma crescente”, explica a Zero.

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