Comprometido com a estratégia de integração crescente de materiais reciclados nos seus automóveis, o Grupo Renault iniciou, em 2015, um projeto chamado “àfiler” (“fiar”), em parceria com a Filatures du Parc e a Adient Fabrics, um fornecedor de bancos para automóveis, para desenvolver e fabricar um produto têxtil feito exclusivamente de materiais reciclados.

Esta abordagem vai ao encontro do compromisso assumido pelo Grupo Renault de reduzir os impactos ambientais de cada veículo ao longo do seu ciclo de vida e de reduzir a sua pegada de carbono global em 25%, até 2022 e, em comparação com 2010.

Este produto têxtil – feito de cintos de segurança, desperdícios têxteis da indústria automóvel e fibras de poliéster resultantes da reciclagem de garrafas de plástico (PET) – reveste o interior de algumas versões do novo Zoe.

Jean-Philippe Hermine, Diretor de Estratégia e Planeamento Ambiental do Grupo Renault, destaca o facto de, “com o apoio dos nossos parceiros Filatures du Parc e a Adient Fabrics, demonstrámos que é possível implementar modelos de desenvolvimento circulares e competitivos, focados nos recursos, ao mesmo tempo que adquirimos uma importante vantagem competitiva num momento em que a disponibilidade e os custos das matérias-primas estão a transformar-se, também elas, em verdadeiras questões estratégicas”.

Tecido usado nas capas dos bancos

O tecido, que cobre uma área total de 8 m2, é utilizado nas capas dos bancos, nos revestimentos do tablier, nos punhos da alavanca da caixa e no interior das portas, cumprindo os padrões exigidos em termos de conforto, limpeza, resistência aos raios UV e durabilidade.

O fornecimento e o fabrico, num ciclo mais curto, deste fio cardado reciclado – sem transformações químicas ou térmicas – reduz as emissões associadas de CO2 em mais de 60%.

Produção do fio cardado reciclado

Graças ao apoio técnico e financeiro deste projeto, a Les Filatures du Parc desenvolveu uma nova linha de “desfibramento” industrial, devidamente adaptada à robustez e resistência dos cintos de segurança, um passo decisivo na preparação da matéria prima e na otimização do comprimento das fibras.

Depois de cortadas e retalhadas, as fibras têxteis, oriundas dos cintos de segurança, são misturadas com as fibras de poliester resultantes das garrafas plásticas que vão garantir a coesão da mistura de fibras, antes de passarem aos processos de cardação seguintes.

Este fio cardado 100% reciclado foi patenteado em conjunto pelo Grupo Renault e a Filatures du Parc.

As tradicionais técnicas de cardação permitem obter um novo fio de tecelagem sem o recurso a qualquer transformação química ou térmica, desembaraçar e dividir, esticar, alinhar paralelamente e, por fim, torcer as fibras já completamente limpas de impurezas.

Este processo de fabrico reduz a pegada de carbono em 60%, face ao método até agora existente.

A Renault Environment, uma subsidiária do Grupo Renault criada em 2008 e que se dedica à economia circular, encarrega-se da recolha de materiais que se destinam a uma “segunda vida”, como os desperdícios dos cintos de segurança ou resultantes da produção de outras fibras “virgens” para o sector automóvel.

A Adient Fabrics, produtora e fornecedora de 1 em cada 3 bancos automóveis no mundo, recebe o fio sob a forma de bobinas para tecer e produzir o tecido, os estofos e os acabamentos interiores para os automóveis.

Além das fibras recicladas, o Grupo Renault está a implementar outros ciclos curtos e mais fechados para materiais como o cobre, plástico, platinoides e metais ferrosos ou não ferrosos. O novo Zoe também incorpora 17,5 kg de plásticos reciclados, alguns dos quais são utilizados, pela primeira vez na gama, em partes visíveis do habitáculo, por exemplo, em vários elementos na zona inferior do habitáculo, que são produzidos em polipropileno.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of