A Nissan Portugal divulgou ontem, ao fim do dia, um comunicado sobre a questão da bateria do Nissan Leaf.

O assunto foi um dos temas mais discutidos pela comunidade de utilizadores de veículos elétricos nas últimas semanas. Em causa estava um orçamento de cerca de 30.000 euros para substituir integralmente o pack de bateria num Nissan Leaf com dois anos. O veículo era utilizado como Uber, contando também com mais de 160.000 quilómetros, valor limite para a garantia oferecida pela Nissan.  

Fora da garantia, foi pedido ao proprietário, no espaço de algumas semanas, cerca de 9.000 euros, sendo o preço posteriormente atualizado para mais de 30.000 euros, com custos de montagem e IVA.

Responsáveis da Nissan Portugal confirmaram numa reportagem emitida pela SIC Notícias, estarem corretos os valores deste orçamento. Alegaram fatores externos para este aumento dos preços, indicando que estaria para breve a divulgação de um novo valor. 

Ontem foi então confirmado que a substituição integral do pack de bateria do Leaf custa, a partir de dia 4 de novembro, 7000 euros, mais o valor da instalação, acrescidos de IVA.

Um caso excepcional

No mesmo comunicado, a Nissan Portugal informa que, em 2019, tem conhecimento de apenas um cliente que pretende mudar o pack de baterias.

Avança ainda que foram vendidos mais de 140.000 unidades do Nissan Leaf na Europa, sem registo de qualquer incidente crítico envolvendo a bateria. Adianta também que 99,5% dos seus veículos elétricos mantém a bateria original. 

Destaca ainda o mesmo comunicado que o pack de baterias do Leaf conta com 48 módulos que podem ser substituídos individualmente, tornando uma substituição total menos provável.

 A Nissan é a única marca em Portugal a possuir centros próprios de reparação de baterias. Neste momento existem dois centros de reparação que servem toda a rede de concessionários Nissan, número que irá crescer em breve.

O que pensa o Watts On

O Nissan Leaf tem desempenhado um papel fundamental no crescimento da mobilidade eléctrica, sobretudo na Europa. Líder de vendas também em Portugal, é utilizado por empresas e particulares no quotidiano. 

Apesar de ser um VE acessível a um número alargado de pessoas e empresas, tem um nível de sofisticação tecnológica adequado e uma fiabilidade geral à altura dos pergaminhos do construtor japonês.

É sabido que uma utilização mais intensa, com a utilização frequente de carregadores rápidos, provoca um desgaste acelerado no pack de baterias. Por esse motivo, a perda de eficiência acentuada e consequente diminuição de alcance do Nissan Leaf em causa não é, de todo, uma surpresa. 

O que surpreende é que a Nissan tenha sido apanhada desprevenida nesta situação, não encontrando rapidamente uma solução que defendesse o seu cliente.

Demora em agir tem prejuízos duradouros 

Mesmo admitindo a raridade da situação, o valor apresentado em orçamento ao proprietário deste Nissan Leaf nunca deveria ter existido. O facto de ter sido possível divulgar e debater esta questão durante várias semanas — nas redes sociais e na televisão — trouxe prejuízos certamente significativos, não só à Nissan, mas também a toda a mobilidade elétrica. 

Fica também a ideia — em que não acreditamos — de que, só depois de aparecer na televisão, é que a Nissan decidiu corrigir esta anomalia.

A reportagem televisiva, mesmo após este comunicado da Nissan, irá continuar a ser partilhada e discutida durante meses nas redes sociais, criando desconfiança num momento em que se pretende incentivar a transição para a mobilidade elétrica.

O Watts On espera que a situação sirva de lição para casos semelhantes no futuro. 

Os clientes da mobilidade elétrica têm todo o direito de esperar dos construtores soluções rápidas e proporcionais às questões que vão surgindo.

 

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