O americano John B. Goodenough (97 anos), o britânico-americano M. Stanley Whittingham (77 anos) e o japonês Akira Yoshino (71 anos) são os vencedores do Prémio Nobel 2019 de Química pelo desenvolvimento de baterias de iões de lítio, hoje amplamente usadas em automóveis, smartphones e muitos outros aparelhos eletrónicos.

Da esquerda para a direita: John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino.

A descoberta foi feita no princípio da década de 1970, tendo o Comité do Nobel considerado que os “laureados lançaram as bases de uma sociedade sem fio e livre de combustíveis fósseis”.

Quase que se pode dizer que todos os utilizadores de veículos híbridos e elétricos têm um pouco deste Nobel a viajar consigo!

A história tem ainda a particularidade de John Goodenough, um dos rostos deste laureado trio e a pessoa mais velha (97 anos) a ganhar o Nobel, ter trabalho recentemente com uma investigadora portuguesa, Maria Helena Braga, numa evolução da tecnologia que agora foi premiada.

Maria Helena Braga é física da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e o seu trabalho, a par de Goodenough (Universidade de Texas em Austin), visou a substituição do liquido eletrólito por um sólido eletrólito de vidro, na sua função de condutor da eletricidade (dos iões de lítio).

No Watts On falámos do assunto aqui neste artigo.

Na prática, essa futura nova bateria com “dedo” português tem maior capacidade e oferece maior rapidez de carregamento.

Outra vantagem é que se trata de uma bateria não inflamável e mais segura (por não se formarem “dendritos”) e com um custo de produção mais baixo, na medida em que o uso de eletrólitos de vidro permite que se substitua o metal raro que é o lítio por sódio, o comum sal.

Sabia que…
…  John Goodenough esteve no Porto em abril de 2018, pela primeira vez, a convite da Comissão de Ligação à Indústria, para um debate sobre o armazenamento da energia no futuro?

As baterias de estado sólido também têm o potencial de trabalhar em condições extremas negativas de temperatura ambiente, havendo várias empresas a investir nessa área.

De acordo com o estado atual da arte, tudo indica que possa vir a constituir o próximo passo no que diz respeito ao armazenamento de eletricidade dos futuros automóveis elétricos.

Doação para apoiar trabalho português

De resto, soube-se em maio deste ano que John Goodenough doou 500 mil dólares à Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), com o propósito de apoiar o trabalho desenvolvido pela equipa de Maria Helena Braga que se tem notabilizado na criação dessa nova geração de baterias sólidas.

A descoberta das baterias de iões de lítio já valeu a John Goodenough vários prémios e comendas internacionais, incluindo a Medalha Nacional da Ciência, atribuída em 2013, pelo então presidente norte-americano Barack Obama.

A ligação de John Goodenough a Helena Braga (47 anos) teve início por volta de 2015. O trabalho científico da investigadora portuguesa chamou a atenção do norte-americano que a convidou a colaborar com o seu grupo de investigação na Universidade do Texas, nos EUA.

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