“Conhece o seu aquecedor elétrico, seja ele por exemplo um radiador a óleo ou um termoventilador? Claro que não, como é que tal seria possível quando ele nem sequer possui uma etiqueta energética?”. A pergunta é lançada pela associação ambientalista Zero que denuncia o facto dos consumidores ainda não serem informados “sobre o fraco desempenho dos aquecedores elétricos portáteis que podem ser comprados a preços muito baixos e conseguem cumprir a atual regulamentação de design ecológico com um simples controlo mecânico do termostato”.

Segundo os ecologistas, o preço baixo, na casa dos 20 euros, “é completamente superado pelo elevado consumo de energia que aumenta as contas de eletricidade, algo que os consumidores podem não perceber ao fazerem a sua compra”.

A Zero, quer como parceira da campanha europeia Coolproducts, quer como membro da ECOS, a única federação europeia que trabalha na componente ambiental da normalização, entende que está na hora da Comissão Europeia incluir os aquecedores elétricos nos equipamentos que devem ter uma etiqueta energética, “para que os consumidores percebam que eles são, de facto, um produto da classe G”, sublinha a associação.
Para os ambientalistas, “a verdade sobre os aquecedores elétricos é tão clara quanto feia: eles consomem grandes quantidades de energia, causam picos de eletricidade no inverno e são altamente ineficientes”.

Explica a Zero que converter eletricidade em calor “através de uma resistência é, de longe, a maneira menos eficiente de usar energia para produzir calor de conforto. Tal contribui para picos significativos de procura de eletricidade no inverno, exigindo sobre dimensionar as redes elétricas com centrais térmicas flexíveis e poluentes que queimam combustíveis fósseis”.

“Devendo a prioridade estar no isolamento dos edifícios, no que respeita à climatização ativa, os aquecedores elétricos são uma das formas mais populares de aquecimento na União Europeia pelo seu baixo custo de aquisição, embora outras alternativas, como bombas de calor, sejam muito mais eficientes”, afirma a Zero.

18 milhões de unidades na Europa em 2020

Com 18 milhões de unidades previstas para serem vendidas em 2020 na Europa e apontando os dados de vendas mais recentes disponíveis para Portugal para um valor superior a 600 mil radiadores elétricos em 2016, os aquecedores elétricos portáteis (aquecedores a óleo, termoventiladores, entre outros) representam a maior parcela de equipamentos considerados para aquecimento do ambiente local e onde há um maior potencial de economia de energia.

Os ecologistas declaram que para 2030, na União Europeia espera-se uma economia de energia primária de 94 TWh/ano à custa das melhorias associadas aos aquecedores de ambiente local, devendo 63 TWh/ano (ou seja, 67%) ser à custa dos progressos nos aquecedores elétricos.

“Devem ser incluídos no Regulamento”

Segundo a Zero, o Regulamento de Conceção Ecológica (UE) 2015/1188 – atualmente em revisão – permite significativas economias de energia, mas a ambição dos requisitos propostos pode ser aumentados, além de que os aquecedores elétricos devem ser incluídos no âmbito do Regulamento (UE) 2015/1186 sobre etiquetagem energética, que atualmente não cobre 71% do grupo de produtos, defendem os ambientalistas esta associação.
A Zero, a ECOS e o EEB (Federação Europeia de associações de ambiente), apelam às instituições europeias para tomar, pelo menos, as seguintes medidas:

“Incluir os aquecedores elétricos no âmbito da etiquetagem energética prevista para o conjunto dos aquecedores de ambiente local com potências iguais ou inferiores a 50 kW e bombas de calor ar-ar de potências iguais ou inferiores a 12 kW, para que os consumidores possam ser informados e capazes de comparar a eficiência energética destes produtos;

Adotar requisitos mais rigorosos de design ecológico para os aquecedores elétricos, implementando controlos mais avançados (termostato eletrónico de alta precisão, controlo noturno automático, controlo de presença, deteção de abertura de janela, temporizador semanal ou auto programação inteligente que detete padrões de necessidade do utilizador (para modelos fixos)”.

Para a Zero, “no contexto da emergência climática, não podemos mais permitir que tecnologias tão ineficientes sejam colocadas no mercado nesta escala e sem uma informação adequada para os consumidores”.

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