Numa declaração conjunta, os comissários europeus da Ação Climática e Energia (o espanhol Miguel Arias Cañete), do Ambiente, Assuntos Marítimos e Pescas (o maltês Karmenu Vella) e da Investigação, Ciência e Inovação (o português Carlos Moedas) apelam à comunidade internacional para a necessidade de combater as alterações climáticas e os seus efeitos nos oceanos o mais rapidamente possível.

O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (PIAC) é o organismo das Nações Unidas responsável pela avaliação da ciência relacionada com as alterações climáticas. Os seus relatórios, que reúnem centenas de peritos de renome de todo o mundo, baseiam-se principalmente em publicações científicas e técnicas avaliadas pelos pares.

Comentando o relatório especial sobre o impacto das alterações climáticas nos oceanos e na criosfera do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (PIAC), estes três responsáveis europeus entendem que o documento proporciona aos decisores políticos de todo o mundo uma base científica sólida para os seus esforços no sentido de modernizar a economia, combater as alterações climáticas e fazer face aos seus efeitos nos oceanos, promover o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza.

Para o trio de responsáveis comunitários, “as conclusões deste novo relatório são claras: o aquecimento global induzido pela atividade humana está a mudar radicalmente os nossos oceanos, que estão a ficar mais quentes, mais ácidos e com menos oxigénio. Os níveis do mar estão a aumentar muito mais rapidamente do que o previsto”.

Fenómenos extremos

Subscrevendo as conclusões dos cientistas, Cañete, Vella e Moedas referem que “os efeitos deste ambiente em mutação são devastadores para os ecossistemas marinhos frágeis, como os recifes de coral, as pradarias submarinas ou as florestas de algas”.

Neste cenário – deixam claro estes três políticos –, “a segurança alimentar das pessoas dependentes da pesca está em risco. As comunidades costeiras terão de enfrentar com maior frequência fenómenos extremos como vagas de calor marinhas e inundações”.

Oceanos, a esperança e o desafio

Os membros da Comissão Europeia cessante, sublinham, porém, que “oceanos saudáveis também podem proporcionar algumas das soluções para as alterações climáticas, captando a maior parte do excesso de calor e de CO2 produzidos pela nossa sociedade moderna, e oferecendo alimentos sustentáveis e energias renováveis”.

No entanto – apontam – “os oceanos só poderão manter-se saudáveis se limitarmos o aquecimento global a 1,5°C. Por conseguinte, a UE continua a apelar a uma aplicação ambiciosa do Acordo de Paris”.

Empenho da Europa

Sobre o que a Europa tem feito a favor do combate às alterações climáticas, estes responsáveis comunitários indicam que a UE apresentou já, em novembro de 2018, a sua estratégia para se converter numa economia sem carbono até 2050.

No âmbito do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, a UE comprometeu-se a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 40 % até 2030.

“A UE também está já a tomar medidas para abordar a ligação entre as alterações climáticas e os oceanos através da sua estratégia de governação dos oceanos. A Comissão lançou igualmente uma missão de investigação e inovação sobre oceanos saudáveis, a fim de encontrar soluções para preservar estes valiosos ecossistemas”, afirmam.

“Este relatório do IPPC apresenta-nos factos incontestáveis, as provas científicas do modo como o nosso clima está a mudar e das consequências dessa evolução para todos. Compete-nos a nós, enquanto políticos, traduzir esses factos em ações”, insistem Cañete, Vella e Moedas naquilo que se pode considerar como uma mensagem de despedida, dado que a 1 de novembro de 2019 toma formalmente posse o novo elenco de comissários, chefiado pela alemã Ursula Von der Leyen.

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