A MUBi (Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta) enviou um questionário aos candidatos a deputado da Assembleia da República nas eleições legislativas do próximo dia 6 de outubro, à semelhança do que tinha feito nas anteriores eleições europeias.

O novo inquérito pretendia auscultar as visões e opiniões dos membros dos diferentes partidos acerca de cinco assuntos pertinentes a respeito da mobilidade em bicicleta, ativa e mais sustentável.

Um total de 398 candidatos a deputados, a que se junta uma resposta centralizada da CDU vinculando todos os seus candidatos, responderam às perguntas da MUBi.

A quase totalidade, 393 candidatos, a que se junta a mencionada resposta da CDU vinculando todos os seus candidatos, subscreveram o compromisso de apoio à causa da mobilidade em bicicleta durante o mandato parlamentar 2019-2023, com o objetivo de aumentar o número pessoas que se deslocam em bicicleta e melhorar as condições para a sua utilização, em termos de segurança, infraestruturas, acessibilidades e conveniência.

Menos automóvel

A vasta maioria dos candidatos, 89%, defende uma redução da quota modal do automóvel até ao fim do mandato parlamentar de pelo menos 5%, sendo que mais de metade, 51% dos candidatos, considera que a redução até 2023 deve ser mesmo superior a 10%.

Fonte: MUBi

Atenção aos utilizadores vulneráveis

Em resposta ao facto de Portugal ter dos piores indicadores de segurança da Europa para peões e utilizadores de bicicleta, os candidatos classificaram a adoção pelo Estado das medidas e objetivos no combate à sinistralidade rodoviária elencadas no questionário, como prioritárias ou muito prioritárias, com uma prioridade média de 85 numa escala de 0 (nada prioritário) a 100 (muito prioritário). A medida tida com maior prioridade, com uma classificação de 96 na referida escala, é a redução para metade até 2025 das mortes e lesões graves de utilizadores vulneráveis.

Fonte: MUBi

Cooperação para promover modos ativos de deslocação

Considerando a pouca eficácia que as administrações locais têm tido na utilização dos financiamentos europeus para o incremento da mobilidade ativa e sustentável e o generalizado fracasso na concretização de medidas de redução da presença e utilização do automóvel em meio urbano, a quase totalidade dos candidatos, 98%, considera que a cooperação e articulação do Estado central com as administrações locais para a promoção dos modos ativos de deslocação e redução da utilização excessiva do automóvel em meio urbano, é muito ou moderadamente prioritária, com quase quatro em cada cinco, 78%, a considerá-la muito prioritária.

Fonte: MUBi

Fomentar transferência modal para bicicleta

“Os candidatos consideram prioritário ou muito prioritário a implementação de várias medidas listadas que fomentem a transferência modal do transporte motorizado individual para os modos ativos e mais sustentáveis, com uma prioridade média de 81 na referida escala”, explica a MUBi.

Fonte: MUBi

Investir na mobilidade por bicicleta

Perante os enormes custos externos dos sistemas de transporte (7% do PIB europeu) e a muito favorável relação custo-benefício dos investimentos em infraestruturas para a utilização da bicicleta, a quase totalidade, 98%, dos candidatos considera que o investimento anual do Estado português na mobilidade em bicicleta deve ser superior a 5 euros per capita. Perto de dois terços, 59%, considera que esse montante deverá ser de pelo menos 10 euros, e 33% que deve ser de 20 euros ou mais per capita.

Fonte: MUBi

Barómetro a favor da mobilidade em bicicleta

Com base nas respostas dadas pelos candidatos às questões sobre políticas nacionais, a MUBi criou um barómetro que mostra o apoio de cada força política à mobilidade urbana em bicicleta e sustentável e que aqui reproduzimos.

 

Oportunidade de mudança, diz MUBi

De acordo com a MUBi, a mobilidade está a mudar e os próximos anos serão decisivos para a direção que será tomada. “As eleições legislativas de 2019 representam uma oportunidade para que Portugal assuma um amplo e firme compromisso por uma mudança de paradigma nas políticas de transportes e mobilidade, priorizando as deslocações a pé e em bicicleta e o transporte público em detrimento da utilização do automóvel individual, com vista a um Portugal mais ativo, saudável, seguro e sustentável. O Estado central tem as competências para liderar essa mudança de paradigma na mobilidade, tornando-a uma realidade”.

Para a MUBi “o firme apoio [dos candidatos a deputados], transversal aos vários quadrantes políticos, expresso nas respostas dadas, a políticas e medidas conducentes ao aumento da utilização da bicicleta e dos modos ativos e mais sustentáveis e à redução da excessiva utilização do automóvel, mostra que verdadeiras mudanças na mobilidade em Portugal terão de acontecer nos próximos quatro anos, durante a nova legislatura que se avizinha”.

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