A Cimeira de Ação Climática das Nações Unidas em Nova Iorque vai aumentar a pressão para a União Europeia ser mais ambiciosa na meta climática para 2030.

Apesar de um número crescente de governos da UE, onde se inclui Portugal, já ter mostrado a sua concordância com uma meta de redução em 55% das emissões europeias por comparação com os níveis de 1990, para se estar de acordo com o objetivo de 1,5ºC, a meta europeia precisa de passar para pelo menos 65% em 2030, quando atualmente é de uma redução de emissões de apenas 40%, face a 1990.

O processo deve ser finalizado no primeiro trimestre de 2020 “e tal mobilizaria outros países para seguirem o exemplo”, referem os ecologistas.

Marcelo Rebelo de Sousa intervém em Nova Iorque, na Cimeira da Ação Climática convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

“Os atuais compromissos nacionais implicam um aquecimento de pelo menos 3°C. Isso levaria a impactos climáticos cada vez mais graves, com dramáticos danos económicos, ambientais e sociais. Por outro lado, aumentar os compromissos não apenas limitaria os riscos climáticos, mas também traria benefícios adicionais imediatos, como ar limpo, melhoria da saúde e acesso à energia para todos”, comenta a associação ambientalista Zero.

Presidente da República discursa

Sobre a Cimeira do Clima, a Zero escreveu uma carta dirigida ao Presidente da República, que discursará no quadro “UN Climate Change Summit”, e ao Primeiro-Ministro onde mencionava que “o mundo precisa mais uma vez da liderança da União Europeia, mas também de Portugal, para apoiar o momento global que pode proporcionar as reduções de emissões necessárias que correspondem ao imperativo científico e à garantia de um futuro seguro do planeta. As organizações não-governamentais de ambiente esperam assistir a uma nova liderança da UE e que Portugal possa apoiar a ambição da UE durante as negociações. Desta vez, é mais importante do que nunca”.

Ao mesmo tempo, a Zero suspeita que as contradições entre os anúncios políticos e a realidade portuguesa fiquem de fora dos discursos. “Se quisermos ser coerentes com a emergência climática é inadmissível: a considerável expansão das emissões da aviação com o aumento de oferta através de um novo aeroporto não pode ter lugar; é necessário encerrar as centrais térmicas a carvão até 2023; a gestão florestal não pode continuar a permitir as grandes áreas ardidas que se verificam anualmente, e por último, o modelo de uma agricultura e agropecuária intensivas tem de ser evitado”, dizem sem rodeios os ecologistas.

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