A Schréder Hyperion, empresa originária da Bélgica especialista em iluminação exterior e iluminação inteligente, inaugurou em Portugal o seu primeiro centro de inovação vocacionado para cidades inteligentes, do qual demos nota aqui.

Este pólo de desenvolvimento localiza-se na Nova School of Business and Economics (SBE), em Carcavelos, de onde sairão soluções para cidades inteligentes para todo o mundo.

O Watts On aproveitou o momento para entrevistar Nicolas Keutgen, Chief Innovation Officer da Schréder, que explica que metade do orçamento global em I&D do grupo belga especialista em iluminação será canalizado para esta nova unidade de pesquisa no nosso país.

Watts On (W): Este será o primeiro e único centro de inovação direcionado para Smart Cities da Schréder. O que se vai fazer aqui?
Nicolas Keutgen (NK): É mais do que um centro de investigação e desenvolvimento. É um centro que fará o desenvolvimento de soluções até à sua comercialização. É, deste modo, uma ‘business unit’ que teremos em Portugal, na Nova SBE, para todo o mundo com enfoque em todo o ciclo de produto – da conceção à aplicação e comercialização da solução.

W: Porquê Portugal?
NK: Fomos tentar encontrar os melhores lugares no mundo para iniciarmos este centro. Já tínhamos uma pequena equipa de desenvolvimento em Portugal, dado que estamos aqui desde a década de 1950, pelo que já conhecíamos os talentos que poderíamos encontrar neste  país. E constatamos também que aqui, em Lisboa, mas também no Porto, existe um movimento de muitas empresas, estrangeiras ou startups portuguesas, que dinamizam muito esse lado tecnológico.

W: O centro fica localizado na Nova SBE. Estamos a falar de quantas pessoas em termos de recursos?
NK: Compreende 50 pessoas, a maioria das quais já está recrutada, pois iniciámos o recrutamento por volta de março/abril deste ano, mas ainda temos algumas vagas. São postos na área de engenharia, mas também há profissionais na área de marketing e com perfil mais comercial, de ‘business development’. Este grupo ficará a trabalhar aqui, dentro da Nova SBE.

Schréder instala centro de inovação em smart cities na Universidade Nova SBE.

W: Haverá profissionais de diversas nacionalidades a cooperar neste centro?
NK: Sim. Nós temos 12 nacionalidades e isso é também algo muito interessante, na medida em que nós só recrutámos no mercado português e conseguimos captar o interesse de estrangeiros que já viviam aqui. Isso demonstra, de novo, o dinamismo e diria até da internacionalização de Portugal como um centro de desenvolvimento e investigação em termos tecnológicos.

W: Quais serão os primeiros produtos a serem trabalhados por este centro?
NK: Vamos trabalhar em produtos que vão utilizar a rede de iluminação pública como uma infraestrutura para carregamento de veículos elétricos, por exemplo. Mas não só. Também teremos postos de iluminação inteligente que irão funcionar como infraestrutura para instalação de sensores para medir a qualidade de ar ou para gestão do trânsito rodoviário. O que me parece de realçar é que a rede de iluminação pública, que tem acesso à rede elétrica, é uma rede que é distribuída de uma maneira constante e equilibrada dentro da cidade. Ou seja, pode fazer-se muita coisa com um simples poste de luz, uma iluminária. A Schréder é especialista em iluminação, mas o que nós vamos fazer é apenas aproveitar essa infraestrutura existente para digitalizar serviços públicos que os municípios já disponibilizam ao público. Pode ser, como referi, informação sobre qualidade do ar ou sobre o trânsito e tudo isso são dados que são gerados através de sensores e outros instrumentos.

W: Quando é que vamos ver os primeiros produtos e soluções nas nossas localidades?
NK: Já temos os primeiros projetos. Temos já um projeto na cidade do Porto.

W: Esse projeto já nasceu aqui, na Nova SBE?
NK: Eu diria que nasceu um pouco antes, mas este pólo de inovação já está a acompanhá-lo e ampliá-lo. Trata-se de um projeto ligado ao trânsito e que é financiado pela União Europeia, designado SynchroniCity. No contexto deste programa [que envolve oito cidades europeias, Antuérpia, Carougue, Eindhoven, Helsínquia, Manchester, Milão, Porto e Santander, n.d.r.], nós detetamos o trânsito, com a informação do trânsito a ser enviada para um centro de comando. Paralelamente, adaptámos a iluminação em função do fluxo de veículos em cada momento [projeto “Volumlight”, em parceria com a empresa suíça SixSq, n.d.r.]. Esse projeto está já a ser implementado e estamos a recolher os primeiros dados, com benefícios em termos de poupança energética. Com esta solução, estamos a verificar poupanças significativas de energia.

W: Em que ordem de grandeza é que é essa poupança?
NK: Pelo menos, 30 a 40% a mais do que os LED.

W: Qual o valor do investimento feito pela Schéreder para lançar este centro de inovação, em Portugal?
NK: Nós não divulgamos o montante. Somos uma empresa familiar e por razões concorrenciais não prestamos essa informação, mas o que posso dizer é que a Schéreder decidiu que 50% do orçamento global em I&D será alocado aqui. Portanto, teremos canalizados dezenas de milhões de euros durante vários anos. É realmente um investimento significativo e é talvez um pouco diferente dos restantes investimentos estrangeiros diretos porque não é dirigido para uma fábrica, mas em talento. A maioria desse investimento é em pessoas e a dar a essas pessoas um projeto que talvez ainda não exista em Portugal. Esperamos muito que outras empresas venham para cá fazer o mesmo, a trabalhar connosco, dentro de um ecossistema, porque também sozinhos não conseguimos resolver todos os desafios das smart cites. Somos os primeiros e acho que seremos capazes de atrair outras empresas para trabalhar e criar um pólo de cidades inteligentes aqui, com produtos para todo o mundo.

Secretário de Estado e Reitor de SBE
destacam talento e novo ecossistema de aprendizagem

A cerimónia de inauguração contou com a presença do secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, que sublinhou a capacidade de Portugal de atrair investimento estrangeiro que soma valor à nossa economia: “Portugal tem hoje uma ‘pool’ de talento que nos distingue a nível internacional. A competência técnica e até comportamental no modo de trabalhar que os portugueses demonstram, bem como a sua capacidade de compreender e de se adaptar de forma rápida a outras culturas, tornam-nos um destino atrativo para os investidores”.

Eurico Brilhante Dias considera que a vinda deste centro de inovação da Schréder para Portugal demonstra o que Portugal pretende: captar investimento ligado a conhecimento e universidade, com valor acrescentado, assente em pessoas de diferentes nacionalidades.

Por seu lado, Daniel Traça, Reitor da Nova School of Business and Economics, entende que a criação da unidade de inovação da Schréder na SBE espelha o que deve ser o ecossistema de aprendizagem: “As universidades precisam de estabelecer parcerias e de se abrir, num ecossistema em que os alunos aprendam, as empresas inovem e as startups criem novas ideias. Este é o ecossistema que pretendemos criar na SBE, para que os alunos convivam e aprendam com a inovação das empresas e das startups”.

Manifestando o desejo de que mais empresas venham para o campus universitário da SBE, Daniel Traça afirma que “o que está aqui em causa [investimento efetuado pela Shréder] é inovação com impacto na evolução das smart cites, impacto na sustentabilidade e na comunidade”.

 

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