Há cinco anos, a Islândia perdeu oficialmente o seu primeiro glaciar devido ao aumento da temperatura provocado pelo aquecimento global e um grupo de cientistas decidiu instalar uma placa alusiva em Borgarfjoraur, onde anteriormente se encontrava o glaciar defunto Okjökull, cujo diminutivo era “Ok”.

O dito glaciar perdeu esse estatuto porque, com o degelo, ficou reduzido a uma fina camada de gelo com menos de 15 metros de profundidade (chegou a ter 50 metros), estando os cientistas a alertar para o facto deste processo estar na iminência de ser extensível a mais glaciares nesta ilha.

Os mais de 400 glaciares da Islândia estão a perder, por ano, 11 biliões de toneladas de água.

“O destino deste glaciar será compartilhado por todos os glaciares da Islândia, a menos que actuemos agora para reduzir radicalmente as emissões de gases de efeito estufa”, diz o antropólogo Cymene Howe.

A instalação da placa tem por trás cientistas da Rice University em Houston, o autor Andri Snaer Magnason, o geólogo Oddur Sigurosson (o especialista que em primeiro lugar declarou que Okjökull já não era mais um glaciar) e os membros da Icelandic Hiking Society.

Mais: os investigadores estimam mesmo que todas os glaciares na Islândia (e estamos a falar de mais de 400) derretam antes de 2200.

Mensagem para o futuro

A placa, que será instalada em 18 de agosto, contém uma mensagem para as gerações futuras.

“Ok” é o primeiro glaciar islandês que perde o seu estatuto de glaciar. Nos próximos 200 anos, todos os nossos glaciares deverão seguir o mesmo caminho. Este monumento serve para reconhecer que sabíamos o que estava acontecendo e sabíamos o que deveria ser feito. Apenas você saberá se nós fizemos isso”.

Foto: Dominic Boyer/Cymene Howe

Esta espécie de lápide ou memorial inclui ainda o número “415 ppm”, uma referência à quantidade de dióxido de carbono na atmosfera registada em maio deste ano.

O glaciar derretido foi o tema do documentário de 2018, “Not Ok”, produzido pelos antropólogos Cymene Howe e Dominic Boyer.

“Este será o primeiro monumento a um glaciar perdido para as alterações climáticas em qualquer parte do mundo. Ao assinalar o falecimento do ‘Ok’, esperamos chamar a atenção para aquilo que se está a perder, à medida que os glaciares da Terra desaparecem. Esses corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera”, refere o antropólogo Cymene Howe.

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