A Renault vai introduzir entre nós a quinta geração do “best seller” Clio a partir da segunda quinzena de setembro, mas em matéria de eletrificação a novidade vem em 2020 e vai chamar-se E-Tech.

Trata-se de uma motorização híbrida com características especiais. Embora não seja um plug-in (trata-se de um “full hybrid”), vai possibilitar circular, em cidade, até 80% do tempo em modo totalmente elétrico (ainda que, pelo facto de ser um híbrido total, o alcance em modo EV não deva superar os 4 ou 5 km). Isto de acordo com François Vaxelaire, engenheiro-chefe de motorizações da Renault, com quem o Watts On falou durante a apresentação internacional à imprensa do Clio V, que decorreu em solo nacional.

O modelo com este motor E-Tech terá ainda ganho nos consumos que pode atingir os 40% relativamente a um motor térmico a gasolina, em ciclo urbano, afirma François Vaxelaire.

Segundo a marca, isso é conseguido graças à combinação da travagem regenerativa, idêntica à de um veículo totalmente elétrico, com um carregamento rápido da bateria nas fases de desaceleração e com o rendimento do sistema E-Tech.

Motor E-Tech e inédita caixa

O motor E-Tech, desenvolvido e com patente registada pela equipa de engenheiros da Renault, utiliza elementos conhecidos no seio da Aliança, tal como o bloco a gasolina atmosférico de 1,6 litros da Nissan retrabalhado especificamente segundo o ciclo Atkinson (com uma potência ainda por desvendar). Este bloco está associado a dois motores elétricos, uma inovadora caixa de velocidades multímodo, sem embraiagem, e uma bateria de 1,2 kWh, alojada na secção posterior do utilitário.

Segundo François Vaxelaire, a nova transmissão automática é baseada numa caixa mecânica com quatro relações, conectadas ao bloco de combustão, às quais acrescem duas velocidades elétricas, ligadas a um dos motores elétricos. Juntas garantem um total de 15 velocidade, segundo a Renault. A sincronização das velocidades é feita através dos motores elétricos.

O novo Clio inaugura ainda a base CMF-B, que se caracteriza por ser uma nova arquitetura elétrica preparada para integrar as últimas evoluções tecnológicas.

Até ao horizonte 2022, 70% dos veículos da Aliança e 80 % dos veículos do Grupo Renault serão, aliás, produzidos em plataformas comuns da família CMF (Common Module Family).

Elétrico, Conectado e Autónomo

Para o Grupo Renault, o novo Clio funcionará também como “ponta de lança” do plano estratégico “Drive the Future (2017-2022)”, que se articula em torno de três pilares: Elétrico, Conectado e Autónomo.

  • Elétrico: até 2022, o Grupo irá dispor, na sua gama, de 12 modelos eletrificados, sendo o novo Clio o primeiro, com a motorização híbrida E-Tech.
  • Conectado: até 2022, todos os modelos Renault comercializados nos principais mercados serão conectados.
  • Autónomo: até 2022, o Grupo Renault irá comercializar 15 modelos equipados com tecnologias de condução autónoma. Nesse capítulo, o novo Clio já é semi-autónomo, pois disponibilizará em opção “Assistente Trânsito e Autoestrada” (com autonomia de nível 2).

O novo Clio não deverá ter uma unidade 100% EV, dado que esse “campeonato” no segmento em termos de Renault está reservada para o Zoe.

Renault PHEV no Mégane e no Captur em 2020

Paralelamente, a Renault trabalha em unidades plug-in híbridas para o Mégane e Captur (nova geração do SUV de segmento B), a lançar em 2020 e dos quais se espera que haja novidades nas próximas semanas.

No caso do Mégane, a porta para o carregamento deverá situar-se na parte lateral do carro, lado do condutor.

No caso do Captur, o modelo utilizará a mesma plataforma do Clio, a CMF-B. Não há ainda dados oficiais, mas suspeita-se que possa ser dotado de  um pack de baterias de 9.8 kWh que lhe poderá dar alcances entre 40 e 50 km. Tudo dados ainda a validar brevemente.

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