Europa segue a diferentes velocidades rumo à eletrificação

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A Associação de Construtores Europeus de Automóveis (ACEA) concebeu um mapa em que correlaciona a aceitação por parte do mercado de veículos plug-in (elétricos e híbridos recarregáveis a uma tomada elétrica) e o PIB per capita para os 28 Estados membros da UE, acrescidos da Noruega e da Suíça.

Os dados da ACEA mostram que todos os países com uma quota de mercado de veículos de carregar à eletricidade (sejam híbridos plug-in ou puros elétricos) inferior a 1% – ou seja, metade de todos os Estados membros da UE – ostentam um PIB per capita abaixo dos 29.000 euros. É o caso de vários países do sul da Europa – como Espanha, Itália e Grécia -, bem como de países da Europa Central e Oriental, como a Lituânia, Bulgária e Eslováquia.

As instituições da UE aprovaram recentemente o novo regulamento sobre as emissões de CO2 para automóveis de passageiros, estabelecendo metas de redução de -15% e -37,5% para os anos 2025 e 2030, respetivamente. Até lá, as marcas terão de respeitar o valor médio de 95g de CO2/km para o ano de 2021.

Perante isto, a ACEA entende que “as vendas de carros elétricos e outros veículos movidos a energia alternativa terão que ser fortemente acelerados para que essas metas de CO2 sejam alcançadas. Infelizmente, no entanto, em 2018, apenas 2% de todos os automóveis novos de passageiros registados em toda a UE eram carregáveis ​​eletricamente”, apontam os representantes dos construtores.

Mais de 80% de todos os carros elétricos são vendidos em apenas seis nações da Europa.

“O acesso às mais recentes tecnologias de baixas e de emissões precisa ser tratado pelos governos como uma questão prioritária” – Erik Jonnaert, secretário-geral da ACEA

Erik Jonnaert, secretário-geral da ACEA, defende que “além de investir na infraestrutura de carregamento, os governos da UE precisam de criar incentivos significativos e sustentáveis ​​para estimular mais os consumidores a mudar para a eletricidade”.

De acordo com a ACEA, embora as medidas fiscais para alavancar as vendas de carros elétricos estejam disponíveis em quase todos os estados da UE, a natureza e o valor monetário desses apoios variam bastante. Enquanto a maioria dos países concede reduções ou isenções de impostos para viaturas elétricas, somente 12 Estados membros da UE se chegam à frente com pagamentos de prémios aos compradores desses veículos, como é o caso de Portugal.

Para ver a interação do mapa da ACEA, clique onde se lê “Market share of ECV” (quota de mercado de veículos eletrificados) ou “GDP per capita” (PIB per capita). Depois leve o cursor até cada nação para ver os valores.



Aspetos-chave

  • 2% dos veículos novos matriculados na UE em 2018 eram veículos eletricamente carregáveis (hybrid plug-in e EV).
  • No entanto, metade de todos os Estados-membros da UE têm uma quota de mercado de elétricos e híbridos plug-in inferior a 1%.
  • Todos os países que possuem uma quota de mercado de EV + plug-in inferior a 1% têm um PIB abaixo dos 29.000€, incluindo os novos Estados-Membros da UE na Europa Central e Oriental, mas também Espanha, Itália e Grécia.
  • Em contrapartida, uma quota de mercado superior a 3,5% de elétricos e hybrid plug-in apenas ocorre em países com um PIB per capita superior a 42.000€.
  • Portugal é um caso à parte: registou uma quota de 3,4% e possui um dos PIB per capita mais baixos, de 19.500€.
  • O mercado norueguês é habitualmente visto como referência. Contudo, tal como o seu PIB é de 73.200€, mais que o dobro da média da UE (que é de 30.600€), a elevada quota ao nível dos plug-in (EV e híbridos) de 49,1% da Noruega também é uma exceção.
  • Os países que vêm em segundo e terceiro lugar em termos de penetração de viaturas que carregam à eletricidade, a Suécia (com 8%) e os Países Baixos (com 6,7%), possuem alguns dos mais altos PIB da UE, todavia, evidenciam quotas de mercado de elétricos e híbridos plug-in proporcionalmente muito mais baixas do que a Noruega.
  • No extremo da classificação está a Letónia, nação em que apenas 93 veículos elétricos e plug-in foram vendidos em 2018. E com uma quota de mercado para este género de viaturas de 0,2%, a Polónia tem a menor aceitação de automóveis plug-in na UE.
  • Existe uma divisão clara entre a Europa Central e Oriental e a Europa Ocidental, mas também uma pronunciada divisão Norte-Sul (com valores diminutos para Grécia – 0,3% – e Itália – 0,5%).

Top 5 dos países com mais baixas quotas de EV e Hybrid Plug-in na UE

  1. Polónia – 0.2% com 1324 EV e Híbridos plug-in vendidos em 2018 (PIB de €12.900)
  2. Eslováquia – 0.3% com 293 EV e Híbridos plug-in vendidos em 2018 (PIB de €16.600)
  3. Grécia – 0.3% com 315 EV e Híbridos plug-in vendidos em 2018 (PIB de €17.100)
  4. República Checa – 0.4% com 981 EV e Híbridos plug-in vendidos em 2018 (PIB de €20.500)
  5. Lituânia – 0.4% com 143 EV e Híbridos plug-in vendidos em 2018 (PIB de €15.900)

Quota de mercado de EV e Hybrid Plug-in nos 5 maiores mercados da UE

  1. Alemanha – 67.658 EV e Híbridos plug-in, ou 2.0% dos 3,4 milhões de veículos vendidos em 2018 (PIB de €41,000)
  2. Reino Unido – 59.947 EV e Híbridos plug-in, ou 2.5% dos 2.4 milhões de veículos vendidos em 2018 (PIB de €37,600)
  3. França – 45.623 EV e Híbridos plug-in, ou 2.1% dos 2.2 milhões de veículos vendidos em 2018 (PIB de €36,200)
  4. Itália – 9.731 EV e Híbridos plug-in, ou 0.5% dos 1.9 milhões de veículos vendidos em 2018 (PIB de €29,000)
  5. Espanha – 11.810 EV e Híbridos plug-in, ou 0.9% dosa 1.3 milhões de veículos vendidos em 2018 (PIB de €26,200).

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