O fotojornalista Mário Cruz foi conhecer a realidade envolvente ao rio Pasig, em Manila, um curso de água que foi declarado biologicamente morto na década de 1990, devido à profusão de lixo que o habita.

As fotografias que recolheu dessa presença nas Filipinas têm estado patentes no Palácio Anjos, em Algés, concelho de Oeiras. Estando a exposição “Living Among What’s Left Behind”, a aproximar-se do seu fim, o Watts On aconselha a sua visita, como roteiro para este fim-de-semana.

Ao todo, estão expostas 40 imagens das comunidades que vivem nas margens de um rio de lixo. Uma das imagens foi distinguida pelo World Press Photo 2019, o mais prestigiado prémio de fotojornalismo do mundo, com o 3º prémio da categoria “Ambiente” – mostra uma criança que recolhe materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado por lixo que flutua no rio Pasig.

Paralelamente à exposição, foi editado um livro “Living Among What’s Left Behind” pela Nomad, com 70 fotografias, que retratam a realidade que Mário Cruz encontrou em Manila. A capa foi produzida através do processamento de 160 kg de resíduos industriais e desperdícios de uso doméstico.

A exposição é um murro no estômago, confrontando os visitantes com “o perigoso caminho que a humanidade enfrenta quando descura os direitos fundamentais e abandona a preservação do meio ambiente”, descreve a autarquia, uma das promotoras do certame.

A própria foto principal da exposição ocupa uma sala, cujo chão está coberto de lixo plástico e sobre o qual os visitantes caminham, numa alusão ao ambiente chocante em que as populações do rio Pasig vivem.

21 anos, a apanhar lixo desde os 3 anos

Outra das imagens retrata o caso dramático de um jovem de 21 anos que apanha lixo desde os 3 anos de idade e que tem os pulmões obstruídos, devido à inalação de nano partículas e dos vapores tóxicos libertados por um rio-esgoto, putrefacto, onde por vezes chegam a flutuam cadáveres, de pessoas e animais.

Chamada de atenção para a forma como vivemos

“O cenário que Mário Cruz testemunhou junto das comunidades que vivem ao longo do rio Pasig, é uma chamada de atenção para a forma como vivemos. Esta é uma realidade que está a acontecer hoje, no tempo presente, e que será cada vez mais comum se continuarmos a subestimar o impacto dos desperdícios do nosso consumo no futuro do planeta. Evitar que os nossos rios e oceanos fiquem como o Pasig depende apenas de nós. Por isso, nesta exposição, as imagens pretendem ser mais do que uma janela para uma triste realidade. Pretendem ser um apelo à mudança de comportamentos”, destaca a Nomad, que produziu a exposição.

“O rio Pasig, em Manila, é o reflexo de uma sociedade engolida por um círculo vicioso de poluição e as suas águas escondem-se debaixo das toneladas de lixo ali acumuladas. Este lixo é depois usado como moeda de troca para quem vê na venda de desperdícios, uma oportunidade para conseguir comprar comida. A subsistência destas comunidades depende do lixo e o seu desperdício gera mais desperdício. A poluição multiplica-se e o aumento da degradação das condições em que vivem os habitantes das margens do rio Pasig perpetua uma realidade insustentável”, refere a Nomad.

Informações:

A entrada para a exposição é gratuita

Palácio Anjos: Alameda Hermano Patrone, 1495-064 Algés.
Contacto: 214111400 | panjos@cm-oeiras.pt

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