Um novo estudo da Dalberg e da Universidade de Newcastle (Austrália) para a WWF (World Wildlife Fund) descobriu que, em média, as pessoas podem ingerir cerca de 5 gramas de plástico por semana, o equivalente a um cartão de crédito.

Tudo através do consumo de alimentos e bebidas que estão presentes na mesa do comum das pessoas, como água, cerveja, marisco e sal.

A análise “No Plastic in Nature: Assessing plastic ingestion from Nature to People” indica que as pessoas consomem cerca de 2000 pedaços de plástico todas as semanas. São aproximadamente 21 gramas por mês, um pouco mais de 250 gramas por ano.

Necessidade travar a fuga de plásticos

Esta é a primeira análise global a combinar dados de mais de 50 estudos sobre a ingestão de microplásticos por pessoas. “As descobertas representam um passo importante na compreensão do impacto da poluição por plástico nos seres humanos. Também confirma a necessidade urgente de endereçar o sistema de modo a travar a fuga de plásticos para os ecossistemas”, aponta a ANP (Associação Natureza Portugal) que trabalha em Portugal em associação com a WWF.

“Este é um problema mundial que só pode ser resolvido se os Governos adereçarem a causa básica da poluição por plástico. Se não queremos plástico nos nossos corpos, é necessário travar os milhões de toneladas de plástico que continuam a vazar para a natureza todos os anos. Para enfrentar a crise do plástico, precisamos de ação urgente ao nível governamental, negócios e consumo e um acordo global com metas globais para lidar com a poluição do plástico”. Este é o pedido que a WWF e mais de 600.000 pessoas (através da petição stopplasticpollution.eu) têm feito aos líderes mundiais desde janeiro.

Maioria das espécies do planeta afetadas

A poluição plástica afeta já o ambiente natural da maioria das espécies do planeta, estando disseminado pelos ecossistemas costeiros de todo o mundo. De resto, já foi encontrado plástico na Fossa das Marianas, o local mais profundo do mundo a quase 11 mil metros de profundidade, e no gelo do mar Ártico (zona do polo norte).

Os cientistas destacam ainda o facto dos animais se emaranharem em grandes detritos plásticos, levando a ferimentos agudos, crónicos ou à sua morte.

De acordo com a WWF, o emaranhamento de animais selvagens foi registado em mais de 270 espécies diferentes, incluindo mamíferos, répteis, aves e peixes. “Os animais também ingerem grandes quantidades de plástico e são incapazes de passar o plástico através dos seus sistemas digestivos, resultando em abrasões internas, bloqueios digestivos e morte. Além disso, as toxinas do plástico ingerido também mostraram prejudicar a reprodução e prejudicar o sistema imunológico”.

Os ambientalistas salientam ainda que a poluição por microplásticos mostrou alterar as condições do solo, o que pode afetar a saúde da fauna e aumentar a probabilidade de substâncias químicas nocivas penetrarem no solo.

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