Na Antiguidade, o culto ao deus Sol (“Ra”) foi marcante no Egito e agora, nas mesmas terras onde outrora pisaram faraós e se ergueram pirâmides, esse “culto solar” ressurge, quatro mil anos depois. Agora, a bem da economia e do ambiente, não fosse o Cairo uma das cidades mais poluídas do globo.

A cerca de 650 km ao sul da capital do Egito e nas proximidades do rio Nilo, um dos maiores e mais ambiciosos projetos de energia solar do mundo está em construção.

O Benban Solar Park, em Aswan, vai ser o maior parque fotovoltaico do planeta e produzirá eletricidade suficiente para abastecer um milhão de lares. Mas, mais do que isso, faz parte de uma nova estratégia em termos de projetos de infraestruturas que fará com que o governo egípcio comece a trabalhar em estreita colaboração com a iniciativa privada.

Este gigantesco parque fotovoltaico será composto por quatro grandes unidades de produção, tendo a primeira das quais acabado de ficar pronta e entrado em funcionamento, a Alcazar Energy Egypt Solar 1 (AEES1).

Todo este parque solar, construído por uma joint-venture entre a TSK, Enviromena e Alcazar Energy, esprai-se por uma zona de cerca de 6 km x 6 km num total de 37,2 km2, compreendendo seis milhões de painéis solares, divididos em 32 sub-projetos, que terão a capacidade de produzir 1.5 GW (Gigawatts).

Atualmente, o Egito é fortemente dependente dos combustíveis fósseis (90% da sua eletricidade provém do petróleo e gás) e praticamente todas as instalações de produção de energia do país foram construídas pelo governo e são propriedade do Estado.

Posto isto, o complexo Benban Solar Park é encarado como parte de um longo caminho para o Egito atingir a sua meta de ter entre 20 a 25% das suas necessidades energéticas cobertas pelas renováveis, em 2025.

As quatro unidades solares de BenBan irão gerar poupanças anuais de 31,5 milhões de dólares em combustíveis fósseis (cerca de 28 milhões de euros), para além de permitir poupar 311.500 toneladas de CO2 e 680.300 m3 de água.

Curiosidade
Entre 1912 e 1913, o engenheiro norte-americano Frank Shuman construiu em Maadi, Egito (a cerca de 120 km a sudoeste do Cairo), o que pode ser considerada a primeira unidade de produção de energia solar do mundo. A invenção de Shuman era capaz de bombear 23.000 litros de água por minuto. Funcionou na irrigação de campos, durante dois anos. O plano deste engenheiro era espalhar várias centrais solares pelo deserto do Saara, mas as instalações de Maadi foram destruídas durante a Primeira Guerra Mundial. Shuman faleceu em 1918. “Se a humanidade não aprender a aproveitar o poder do sol, voltará para a barbárie”, afirmou Frank Shuman na altura.

 

O projeto Benban, no entanto, está a ser criado por um consórcio de 13 empresas privadas que trabalham em conjunto com o setor público egípcio.

Trata-se do projeto de desenvolvimento “Nubian Suns”, de 68,6 milhões de euros financiados por diferentes instituições, entre as quais a International Finance Corporation (IFC), o Banco Mundial, MIGA e o Governo do Egito.

“Estou certo de que a energia solar invadirá todas as partes do Egito nos próximos anos, com o seu custo gradualmente a tornar-se menor do que o custo da energia gerada pelos combustíveis tradicionais”, refere Ahmed Hamdi, CEO da Africa Solar Energy à publicação Arab Weekly.

1
Deixe um comentário

avatar
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors
anabela freitas Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
anabela freitas
Visitante
anabela freitas

Só agora(!!!) descobri este site, após pesquisa sobre as baterias em meio sólido de que soube através da cientista portuguesa Maria Helena Braga quando da conferência que deu em Julho de 2017…é claro que ela e a descoberta foram levadas para a Universidade do Texas, ( acho que nem uma câmara de vácuo havia na faculdade de engenharia do Porto);
e assim fica Portugal no que parece e acredito ser a democratização da mobilidade elétrica,
nem tido nem achado…