Tudo sobre o revolucionário ecossistema energético da Mitsubishi

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A Mitsubishi levou alguns jornalistas europeus a Madrid, para apresentar o seu plano Mitsubishi PHEV 360. O construtor japonês tem um plano para superar os desafios que os construtores de automóveis têm pela frente. A sua proposta passa por uma abordagem integrada da gestão de energia, em que o automóvel eletrificado faz parte da equação. Para a Mitsubishi, o automóvel é apenas a ponta do icebergue.

Em que é que consiste essa ideia?

A Mitsubishi afirma ter tudo pronto para aproveitar a tecnologia V2X ao máximo. Nesta designação, V significa veículo, o 2 representa a direção da energia e X pode ser quase tudo. Assenta no princípio de que podemos aproveitar a energia de um veículo eletrificado e exportá-la para diversas aplicações.

Tais como?

O X pode ser a casa, pode ser outra infraestrutura (hospital, uma unidade de produção), a rede elétrica e até outro veículo. É uma nova forma de pensar a gestão da energia. O automóvel — para além de todas as funções que já tem — pode também ser um powerbank com rodas.

Bastante conveniente. Mas em que é que consiste realmente?

Aproveitando a compatibilidade V2X já instalada no seu Outlander PHEV, a Mitsubishi concebeu um ecossistema de gestão da energia elétrica para os seus clientes. Chamou-lhe Dendo Drive House. Den significa “elétrica” em japonês e Do significa “condução”.

Consiste em equipar uma casa com painéis solares, um carregador bidirecional, uma bateria doméstica e o HEMS. O Home Energy Management System é o sistema de gestão de energia que a Mitsubishi desenvolveu. Juntamente com um Outlander PHEV, estará criado o ecossistema que permite, segundo o construtor japonês, poupanças muito significativas no consumo de eletricidade, tanto na casa como no veículo.

E a Mitsubishi disponibiliza o pacote completo?

Essa é a grande novidade. O pack DDH (Dendo Drive House) é mais um opcional. Em conjunto com os seus parceiros, a Mitsubishi monta este sistema chave na mão. Painéis solares, o carregador e a bateria.

Quando vai ser possível adquirir este pack?

O DDH vai ser introduzido gradualmente em vários mercados. Vai arrancar em maio no Japão. Na Europa, chega mais para o fim do ano, sendo introduzido na Alemanha. E, a seguir, provavelmente, será a vez da Austrália. Sendo um construtor global, a Mitsubishi tem uma escolha muito variada de mercados para introduzir o conceito. Em 2020, a ideia é que seja implementado globalmente.

Quem é que pode comprar o DDH?

Nos mercados onde estiver disponível este pack, poderão adquiri-lo os novos proprietários do Mitsubishi Outlander PHEV. Escolhem essa opção como qualquer outra no momento da encomenda. Mas também todos os proprietários do Outlander PHEV equipado com a funcionalidade V2X, mesmo que sejam modelos mais antigos.

A Mitsubishi permite também que quem já tenha um sistema de painéis solares na sua casa, possa apenas comprar os restantes componentes necessários. Mas desde que tenha um Outlander PHEV.

O DDH será exclusivo dos proprietários Mitsubishi e o sistema permanecerá competitivo com os futuros modelos eletrificados da marca, sejam híbridos plug-in ou 100% elétricos.

E quanto vai custar?

Os números divulgados são uma estimativa um pouco vaga, entre os 20 e os 27 mil euros. Também estamos a falar de mercados de lançamento muito diversos. Algumas das parcerias estarão ainda a ser concluídas e o valor dos diversos componentes tem vindo a baixar significativamente. Sobretudo dos carregadores bidirecionais, que até há pouco tempo tinham um custo muito elevado. Mas a questão do custo inicial é apenas um dos fatores que contam para a amortização do investimento.

Como assim?

A habitação equipada com o sistema Dendo Drive House tem uma relação dinâmica com a rede inteligente de energia (a smart grid). Isso significa que pode, se necessário, funcionar de forma independente, com a energia que produz, por exemplo. Mas também pode ir ali buscar eletricidade ou mesmo vendê-la à rede. Dependendo das condições, a venda de energia à rede permite mais rapidamente recuperar o investimento adicional no DDH. Na Europa, a Alemanha é um dos países com melhores condições para os particulares que produzam energia e a vendam à rede. 

Acresce a este fator, a poupança que resulta na produção de boa parte da energia necessária para a casa e para a mobilidade, neste caso, o Mitsubishi PHEV.

Com todas estas contas, estima-se que o investimento adicional possa ser recuperado num período entre seis a nove anos. A Mitsubishi estima que, na Alemanha, a poupança de energia relativa à casa seja de cerca de 900 euros por ano. E, quanto ao combustível no veículo, poderá ser possível poupar perto de 2000 euros por ano.

Há outros benefícios para além dos económicos?

Há dois benefícios que podem ter uma importância maior ou menor para os utilizadores, mas que são, no meu entender, significativos. O primeiro é o contributo que o proprietário do sistema DDH dá para a redução da sua pegada ambiental. Vai ser um produtor de energia renovável, com baixas emissões de carbono para o meio ambiente. 

O segundo é que este sistema permite uma significativa autossuficiência energética da habitação. Quer a bateria doméstica quer a do veículo eletrificado garantem que a casa terá energia elétrica no caso de um apagão da rede. Esta é uma questão importante em alguns mercados, como no Japão. Mas a verdade é que ninguém está livre de ter uma emergência.

Quando virá para Portugal?

O importador ainda não definiu data para a introdução deste pack no nosso país. Primeiro é preciso analisar o resultado nos outros mercados. Mas assim que estiverem reunidas as condições, também chegará cá. Portugal tem excelentes condições para a produção de energia solar, como é sabido.

Houve aí uma referência a novos Mitsubishi eletrificados…

Concept Mitsubishi Engelberg Tourer.

É verdade. O plano da Mitsubishi para a eletrificação das suas gamas é bastante claro. Os seus modelos maiores terão tendencialmente tecnologia Plug-In Hybrid. Os de menores dimensões serão 100% elétricos. Mas também é possível que surjam modelos Mild Hybrid em alguns mercados. Para já, está prevista a introdução na Europa do Eclipse PHEV. Em 2020 chegará o sucessor do Outlander PHEV. Se for tão atraente quanto o concept Englebert Tourer, apresentado no Salão de Genebra, é muito provável que possa continuar a ser o líder incontestado dos PHEV.

E sobre a aliança com a Renault e a Nissan, houve novidades?

Nada de muito concreto, apesar de a Nissan também ter um sistema de V2X no seu Leaf. Para já, são sistemas desenvolvidos de forma independente, embora no futuro possa haver colaborações mais estreitas. Mas foi revelado que a Mitsubishi vai contribuir com a sua experiência nos PHEV para novos produtos Renault e Nissan. Do mesmo modo, a Mitsubishi beneficiará da experiência dos seus parceiros para os seus futuros eléctricos.

A Mitsubishi parece ter um plano realista para os próximos tempos…

É uma abordagem mesmo muito realista, um pouco como o posicionamento do Outlander PHEV. Pode ler o nosso ensaio aqui. Não é por acaso que já vendeu quase 190.000 unidades, a maior parte na Europa.

Na apresentação ficou bem claro que as prestações e as potências elevadas não são uma prioridade. Soluções de mobilidade racionais a preços acessíveis são essenciais. O mundo mudou e os construtores de automóveis têm que encontrar o seu lugar no lado certo da história. O discurso da Mitsubishi bate certo com aquilo que faz e se propõe fazer no futuro. O sistema Dendo Drive House é mais um passo firme no bom caminho.

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