A Tesla é uma empresa muito original. Essa forma diferente de fazer as coisas supera em muito o modelo de negócio ou os produtos. A sua estratégia de marketing, por exemplo, há-de dar case studies por muitos anos.

Uma das medidas mais fora do comum foi o programa de referrals, que termina hoje, 2 de fevereiro. Cada proprietário Tesla fica com um número de referência. Se o comprador de um novo Tesla indicar esse número, pela ajuda dada na aquisição de um novo modelo, essa referência dá pontos para obtenção de prémios.

Estes eram sobretudo descontos na compra de produtos (jantes, carregadores de parede, carregamento gratuito nos supercarregadores da marca, etc…).

Para os entusiastas com maior capacidade de influência, que conseguiam mais referências, os prémios ganhavam outra dimensão.

No topo da escala estava o novo Roadster Founders Edition, que a marca tem previsto lançar em 2020 ou 2021. Trata-se de um hipercarro, com 1000 km de autonomia, 0-100 km/h em 1,8 segundos e mais de 400 km/h de velocidade máxima. O preço? Cerca de 250 000 euros. Um belo prémio para qualquer um, mas para um entusiasta da marca, a realização de um sonho praticamente incansável.

A versão Founders Edition será entregue aos primeiros titulares de reservas, quer as tenham pago, quer as tenham recebido através do programa de referências.

Programa de referrals substituiu publicidade

O marketing de referência colocou os melhores porta-vozes da Tesla, os clientes, a divulgar os seus produtos. Tal permitiu à Tesla não gastar um cêntimo em publicidade. Não ganhou grande simpatia dos orgãos de comunicação tradicionais, mas este boca-a-boca amplificado pela sociedade digital, teve um sucesso significativo.

Sites e blogs dedicados à marca permitiram aos seus intervenientes subir na escala das referências.

Os mais amplificados, conseguiram centenas de referências, permitindo a alguns influenciadores obter não um mas dois Roadsters!

Editores de sites como a Teslarati ou a Electrek, por exemplo, estão entre os principais beneficiários destes mega-prémios.

Mas, com a chegada de um modelo mais acessível e produzido noutras quantidades, o programa de referência estava condenado. Pensa-se que a Tesla já se comprometeu com a oferta de 80 Roadsters. Isso representa, em números redondos, 20 milhões de dólares. Segundo um tweet de Elon Musk, explicando o fim do programa, o valor atingido estava a encarecer o custo do Model 3.

Talvez isso também abra a possibilidade de campanhas de publicidade mais convencionais, à medida que a Tesla se torna também mais mainstream.

Um Roadster para Portugal

A história do programa de referências teve também um grande sucesso por cá. A comunidade de entusiastas da marca é bastante desproporcional face ao tamanho do país.

O Tesla Club de Portugal é muito ativo, organizando eventos de norte a sul do país.

Através da sua página de Facebook, servem de apoio aos mais de mil proprietários portugueses. São especialistas no tema e grandes defensores da marca e do seu controverso fundador, Elon Musk.

A sua ação tem sido fundamental para o desenvolvimento da presença da marca, quer influenciando novos compradores, quer mesmo a nível internacional. Algumas das suas iniciativas chegaram mesmo à casa-mãe, colocando o nosso país, literalmente, no mapa da Tesla.

Ainda assim, num mercado tão pequeno, era quase impensável que alguém conseguisse o número suficiente de referências para “desbloquear” um Roadster.

Foi por isso com grande satisfação que, há alguns dias se confirmou que Portugal também terá um proprietário Roadster graças ao programa de referências.

Um automóvel de sonho

Só quem não conheça o trabalho do Hugo Pinto como administrador do Tesla Club de Portugal o poderá apelidar de sortudo. Ou, pelo menos, sem que a expressão venha acompanhada do trabalho que deu essa sorte.

Existe a ideia de que as pessoas que têm um Tesla gerem fundos quase ilimitados, mas está longe de ser verdade. A maior parte dos Tesla em Portugal foram importados usados, com valores significativamente mais baixos do preço em novo.

Conta-nos o Hugo Pinto: “Não sou uma pessoa que faça compras desafogadas de carros de alto valor. Sou informático, entusiasta de tecnologia. Fiz na altura um esforço dos diabos para comprar o modelo de entrada, o Model S 75, que era, e será sempre, o meu carro de sonho.”

“Comprar um Roadster 2020 seria, para todos os efeitos práticos, inatingível.” – Hugo Pinto

“Mas ser co-administrador do Tesla Club Portugal deu inevitavelmente muita visibilidade às ajudas e promoção de discussão que fizemos no clube durante os últimos dois anos.

Desde cedo acolhemos os donos efectivos de carros Tesla, mas também entusiastas que esperavam o momento certo para comprar, sem descriminar ninguém.

Com a chegada do Tesla Model 3 a Portugal, muitas dessas pessoas quiseram acarinhar essa atitude com o reconhecimento da venda no meu código de referência.

Estou infinitamente grato a todas e todos, e em especial ao João Nunes, que fundou o Clube e sem o qual nenhum de nós se tinha encontrado, e ao Hélder Teixeira que ajuda o seu sentido moral intocável a administração do Clube. Sinto-me em dívida permanente com todos.”

Quase, quase gratuito…

Para o Hugo e toda a comunidade Tesla em Portugal resta esperar até à entrega do automóvel. O feliz futuro proprietário prometeu a todos os companheiros que o referenciaram uma volta no Tesla Roadster, quando este chegar.

Embora a oferta seja, teoricamente, sem custos, está ciente de que a oferta do automóvel virá associada a alguns pagamentos de impostos.

“Já comecei a poupar para os impostos e tenho que pensar onde o vou guardar. Uma máquina destas não pode ficar na rua!”, diz, divertido. “Vou andar a consultar especialistas de fiscalidade durante dois anos!”

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