A Nissan acaba de anunciar duas versões do Leaf 3.Zero. Ambos os modelos estão a partir de agora disponíveis para encomenda na Europa.

O Leaf 3.Zero mantém o pack de bateria de 40 kWh do modelo atual. Mas receberá um ecrã de infotainment  de 8 polegadas, além de novos serviços de conectividade. Com a chegada deste modelo será também introduzida uma aplicação NissanConnect EV totalmente nova e melhorada.

Edição limitada mais potente

O Nissan Leaf 3.Zero e+ Limited Edition foi anunciado no Japão e apresentado no Consumer Electronics Show, em Las Vegas. Está também disponível para encomenda nos mercados europeus.

Haverá apenas 5000 unidades para a Europa. Tem uma motorização mais potente, capaz de fornecer 160kW (217cv). Tal permitirá acelerar dos 0 aos 100 km/h em 7 segundos.

Terá também uma autonomia expectável de até 385 km (WLTP) com um único carregamento.

No coração do Leaf 3.Zero e+ Limited Edition está uma bateria melhorada. Possui 25% mais densidade e um aumento de 55% na capacidade de armazenamento de energia.

A nova bateria possui uma capacidade de 62 kWh nas suas 288 células. A bateria de 40 kWh tem 192 células.

Na estrada, a bateria do Leaf 3.Zero e+ Limited Edition oferecerá um aumento de 40% de autonomia em comparação com o Leaf 3.Zero equipado com uma bateria de 40kWh.

Isto representa um aumento de 100 km de autonomia adicional em termos de utilização comparável, uma clara evolução face ao atual Leaf

Modelo de 40 kWh mantém-se

O Leaf 3.Zero dispõe da bateria de 40kWh que granjeou grande sucesso em 2018. Novas cores de carroçaria e combinações de cores de dois tons irão completar as opções existentes.

Ambos os Leaf disporão dos sistemas e-Pedal e ProPilot, já conhecidos no modelo de 2018. O e-Pedal permite que o condutor arranque, acelere, desacelere e pare utilizando apenas o pedal do acelerador.

O ProPilot é uma avançada tecnologia de auxílio à condução que funciona em autoestradas de faixa única. Um sistema de “mãos e visão aplicados”, permite que o automóvel pare, arranque e permaneça centrado na faixa de rodagem, quer em viagens em autoestrada e no trânsito congestionado a baixas velocidades. A tecnologia reduz a fadiga e o stress da condução, melhorando a confiança do condutor ao volante.

Líder na Europa

A Nissan mantém em ambas as versões Leaf 3.Zero a a mesma garantia de oito anos/160.000 km.

O lançamento do Nissan Leaf 3.Zero sucede após um ano historicamente forte para os automóveis elétricos da Nissan, com o novo LEAF a ter desempenhos francamente bons. O novo Leaf foi o VE mais vendido na Europa em 2018, com mais de 40 mil unidades entregues em todo o continente. Continua também a ser o automóvel elétrico mais vendido do mundo, com mais de 380.000 unidades vendidas a nível mundial desde o seu lançamento em 2010.

O preço indicativo do Leaf 3.Zero nos principais mercados europeus estará abaixo dos 40 mil euros, enquanto o Leaf 3.Zero e+ Limited Edition ficará disponível para venda a partir dos 45 mil euros. Ambos os valores em Portugal serão divulgados posteriormente.

As primeiras entregas do modelo com 40 kWh estão previstas para maio, enquanto que, para o modelo de 62 kWh, haverá que esperar até ao verão.

Opinião do Watts On

A Nissan, juntamente com a Renault, foi dos primeiros construtores tradicionais a apostar nos veículos elétricos com declarada intenção. Ao contrário de outros construtores, a Nissan criou, com o Leaf, produtos adequados, competentes e realistas, face à tecnologia disponível.

O novo Leaf ou Leaf 2.0 40 kWh constituiu um significativo avanço face ao modelo anterior. Tal resultou num sucesso de vendas e na atribuição de diversas outras distinções. A tecnologia embarcada é de bom nível e as ajudas à condução, sobretudo o e-Pedal e o ProPilot funcionam muito bem.

A qualidade de design e de construção foi incrementada e o novo Leaf ofereceu um excelente conjunto de qualidades por um preço adequado.

Manteve, todavia, duas ou três limitações, mais ou menos justificadas pelo seu posicionamento no mercado. Apesar do aumento de autonomia permitido pelo pack de baterias, que passou de 30 para 40 kWh, uma autonomia a rondar os 270 km já não é excecional. Cumpre, todavia, em ambiente urbano e suburbano.

A utilização da tomada CHAdeMO, em vez do standard europeu que é a CCS também apresenta alguns inconvenientes. Mas é em relação ao carregamento rápido que o Leaf se revelou menos capaz. A refrigeração a ar das suas baterias acaba por condicionar a velocidade de carregamento rápido, um óbice significativo em viagem.

São pois, estas as questões mais significativas que o Leaf 3.Zero e Leaf 3.Zero e+ Limited Edition enfrentam.

Um avanço confortável

Quanto à autonomia, apenas o Leaf 3.Zero e+ Limited Edition dará resposta, com um pack de baterias mais denso e com capacidade superior. Os 62 kWh comparam bem com a concorrência. O já disponível Hyundai Kauai Electric (64 kWh) e  o Tesla Model 3 Mid-Range (só EUA).

A informação que temos é de que terá um alcance de 385 km, o que será bastante bom. O aumento de potência para os 217 cv será bem-vindo, mas os 150 cv do novo Leaf 40 kWh eram perfeitamente adequados.

O sistema de carro para a rede em que a Nissan aposta obrigam, nesta fase, a utilizar a tomada CHAdeMO, pelo que aí não haverá alteração.

Quanto à refrigeração das baterias, tudo indica que se manterá apenas a ar. Têm surgido notícias de que alterações de software terão contribuído para minimizar o Rapid Gate nos Leaf produzidos mais recentemente.

Duas notas finais que nos parecem importantes: disponibilidade e preço. A produção de VE por parte dos construtores tradicionais continua a ser limitada pela disponibilidade de baterias. Parece-nos que a versão topo de gama estaria sempre destinada a uma produção reduzida, mesmo que a Nissan não a chamasse assim.

Em 2018, venderam-se 40 mil unidades na Europa. Mesmo com a entrada de novos modelos, o Leaf 3.Zero continuará a ser um modelo de referência. Em Portugal, se o preço não for substancialmente alterado, o modelo de 40 kWh vai continuar sem rival. Já o Leaf 3.Zero e+ Limited Edition, tem no Kauai Electric um adversário natural. Mas com a reduzida disponibilidade de ambos, vão poder dividir o segmento “Médio+” de forma tranquila. Pelo menos, até à chegada do Tesla Model 3 Standard Range, lá para 2020…

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