As baterias de lítio começaram a ser desenvolvidas na década de 1970, mas só se iniciou a sua comercialização cerca de 20 anos depois.

Atualmente são consideradas como a tecnologia mais influente no curto prazo para viabilizar a energia limpa. São bastante mais leves do que as baterias recarregáveis feitas de compostos de níquel. Têm ainda melhor desempenho e uma vida útil mais longa. Estas qualidades explicam porque as células de iões de lítio são usadas em “laptops” e telemóveis.

No auge do grande desafio, com a aplicação na indústria automóvel, as baterias de lítio começam agora a equipar veículos de grande produção. Aqui têm a responsabilidade de serem as principais geradoras de força motriz. Precisam de mais potência, fiabilidade e autonomia. E, claro, precisam de ser muito mais baratas.

A maioria dos VE, experimentais ou de produção, utilizam baterias de lítio, independentemente da especificidade do tipo de tecnologia aplicada. Muitos especialistas concordam que a tecnologia está estabilizada e pronta para a primeira geração de veículos elétricos. Mesmo assim ainda falta resolver um outro problema: o tamanho; as baterias ainda são muito grandes.

3,6 biliões de baterias de lítio

Estima-se que, em 2040, estejam a rolar cerca de 500 milhões de veículos elétricos no planeta. Teremos então cerca de 3,6 biliões de baterias de lítio instaladas. E muitas mais serão necessárias no mercado de retalho para substituição.

O lítio é muito leve, muito eletropositivo, permitindo uma densidade de energia muito alta, por isso torna-se essencial para estas baterias.

O seu elemento químico principal é abundante em alguns países, designadamente Bolívia, Chile e Argentina nos desertos de sal de Uyuni (na Bolívia), Atacama (Chile) e Hombre Muerto (Argentina). Estas três localizações reúnem cerca de 70% a 80% das reservas conhecidas.

46% é usado em baterias

O lítio não é só utilizado na produção de baterias. No total cerca de 46% da produção mundial de lítio destina-se à produção de baterias, mas existem outras industrias que também recorrem ao mesmo produto: 27% é utilizado para produção de cerâmica e vidro e 7% é utilizado nos óleos e massas lubrificantes, apenas para citar algumas das utilizações finais.

Chile e Argentina

O Chile com reservas de lítio calculadas em 7,5 milhões de toneladas, foi o segundo maior produtor de lítio em 2017 com 14,1 toneladas. Mas tem a maior reserva conhecida de lítio do mundo, Atacama, que constitui aproximadamente 37% da base mundial de reservas.

A Argentina é o terceiro maior produtor de lítio do mundo. Em 2017 produziu 5,5 mil toneladas, uma pequena queda relativamente a 2016, quando produziu 5.8 mil toneladas. Esta nação sul americana ocupa o quinto lugar em reservas de lítio, com 2 milhões de toneladas.

Colocando tudo isto em perspetiva, significa que a estimativa das reservas de lítio é de que serão suficientes para alimentar a procura global por cerca de 300 anos.

Bolívia

Na Bolívia, as estimativas mais reais apontam para que as reservas ascendam a cerca de 9 milhões de toneladas. Mas a chuva e outros fenómenos naturais, juntamente com as soluções de exploração e produção escolhidas, têm dificultado as operações estatais.

Segundo os analistas, as empresas estrangeiras com mais experiência estão apreensivas por causa do modelo político do governo do presidente Evo Morales. As suas políticas intervencionistas em outros setores causam algum desconforto aos investidores estrangeiros e afastaram o investimento.

Até agora, o governo boliviano apenas permitiu a entrada aos chineses no seu grande projeto nacional. Nos últimos 15 anos, a China vem acumulando concessões de exploração da riqueza natural em todo o mundo em desenvolvimento.

O impacto causado no meio ambiente não tem sido menos ruinoso do que o das empresas americanas e europeias. Ao longo do tempo, os analistas têm vindo a alertar para a sagacidade ideológica da China e para a sobreposição dos interesses pessoais dos líderes de muitos países da América Latina e de África, que também se estendem à indústria de exploração da riqueza mineral dos solos e subsolos, o que contraria o interesse das maiorias e, em especial, o desenvolvimento das economias nacionais, nada que não se conheça.

Necessidade de ajuda externa

Com as eleições de 2019 no horizonte, Evo Morales deverá abrir a janela de oportunidade a empresas de outros países, como por exemplo a empresas alemãs, não sendo a escolha consensual. Esperam arrancar em produção com este novo projeto em 2019, com uma capacidade de extração anual planeada para 5 mil toneladas, que poderá aumentar para 15 mil toneladas no futuro.

Para a Bolívia é essencial que os projetos nacionais idealizados pelos seus governantes se associem a empresas estrangeiras experientes, para que desenvolvam as tecnologias e as apliquem no terreno, enquanto os bolivianos observam e aprendem – e eventualmente assumam – progressivamente o controlo do projeto.

Robert Baylis, analista da consultora Roskill, disse: “Há potencial em termos de recursos, mas eu acho que seria muito difícil potenciar tudo em grande escala sem ajuda externa. Mas é difícil para as empresas na Bolívia por causa das expropriações e nacionalizações que tal como a espada de Démocles, paira sobre as cabeças dos investidores”.

Especialmente por este conjunto de circunstâncias, a produção de lítio relativamente ao ano de 2017 não tem valores conhecidos, apenas como referência, em 2016 situou-se em 20 toneladas de carbonato de lítio, existindo a expetativa de triplicar em 2017.

O “triângulo de lítio”

O “triângulo de lítio” formado pelo Chile, Argentina e Bolívia vale mais da metade das reservas mundiais de lítio, representando, por isso, uma espécie de alavanca de Aristóteles para as economias sul americanas. Tome-se, como exemplo, a indústria do lítio do Chile que espera atrair cerca de 10 biliões de dólares em investimento e criar cerca de 10.000 postos de trabalho.

China

A China possui reservas de lítio de 3.200.000 toneladas, mas, no ano passado, produziu apenas 3.000 toneladas. Representa um aumento de 30% na produção relativamente a 2016, mas atualmente ainda importa da Austrália a maior parte do lítio de que necessita.

Austrália

Em 2017 a Austrália produziu 18.700 toneladas do metal, um aumento impressionante de 3.300 toneladas em relação ao ano anterior. O aumento de 34% foi impulsionado pelo aumento das vendas e por duas novas explorações de espoduménio que incrementaram a produção.

Segundo, o US Geological Survey, a China está em fase de expansão na sua produção de lítio. Espera-se que a capacidade das suas megas fábricas de baterias de lítio cresça 51% até 2020, e nessa altura o país também responderá por 62% da produção mundial de baterias de lítio.

Curiosamente, enquanto a Austrália era o maior país produtor de lítio do mundo em 2017, é o quarto em termos de reservas, com um valor estimado de 2,700,000 toneladas.

O investimento neste setor é estratégico para o mercado de produção de automóveis elétricos.

Antes do lançamento de novos modelos de automóveis elétricos, as marcas têm que garantir que os produtores de baterias de lítio estão em condições de fornecer baterias para substituição. Por outro lado os fabricantes de baterias terão necessidade de garantir que a produção de lítio será suficiente para garantir o futuro.

Depósitos de areia e sal

No caso do Chile, detém cerca de 54% das reservas mundiais de lítio, com um valor médio de mercado durante 2018 situado entre 14,500 e os 17,000 USD por tonelada. No Chile, as reservas são constituídas por depósitos de areia e sal que há muito tempo formavam o fundo do mar. Após a extração da areia, o lítio é isolado e tratado com ácido, produzindo-se por isso cloreto de lítio. O cloreto de lítio é a matéria-prima para o componente energizante das baterias.

Nos próximos 5 a 10 anos, a produção de lítio poderá crescer cerca de 70%, no entanto com o aumento da oferta e o equilíbrio da procura, a tendência será estabilizar o preço.

Enquanto a Bolívia, Chile, China, Argentina e Austrália têm as maiores reservas de lítio do mundo, outros países também detêm quantidades significativas do metal, conforme se pode constatar num rápida olhadela para outros países:
• Portugal – 60.000 Toneladas
• Brasil – 48.000 Toneladas
• Estados Unidos 35.000 Toneladas
• Zimbábue – 23.000 Toneladas

Espoduménio em Portugal

Em Portugal, foi descoberto um mineral de seu nome espoduménio, reconhecido como espécie distinta desde o início do séc. XIX, e trata-se de um silicato de lítio e alumínio. Não é um mineral que se encontre com muita facilidade, no entanto Portugal tem a maior reserva conhecida na Europa Ocidental, localizada no distrito de Boticas, concelho de Vila Real, que se estima em 14 milhões de toneladas.

Face às fortes perspetivas de crescimento da produção de baterias de iões de lítio para veículos elétricos, Portugal tem potencial para ser uma peça-chave na cadeia de valor emergente do lítio na Europa e que poderá ajudar no processo de transição dos fabricantes automóveis europeus para a produção de veículos elétricos.

Top 10 mundial das reservas de lítio

Nas nove regiões do país que concentram o minério existem pelo menos 60 mil toneladas, que colocam o país no top 10 mundial das reservas de lítio.

O minério já é explorado em Portugal há décadas, mas o seu uso tem sido quase exclusivo na indústria cerâmica. Um cenário que pode mudar em breve e, não existindo atualmente qualquer produtor europeu, é de acreditar que Portugal poderá ser o primeiro, pese embora o facto de existir um histórico de problemas laborais e sindicatos na atividade e ainda de sofrer a influência da valorização do euro. No entanto, o nosso país, por outro lado, tem o benefício da localização da produção do ponto de vista da Europa, dada a proximidade das fábricas europeias de automóveis.

Portugal produz menos lítio do que os países que o precedem na lista. No ano passado, a produção rondou os 400 MT, o dobro da produção de 2016.

O preço do lítio quase duplicou nos últimos dois anos, à medida que a procura aumentou para a principal matéria-prima das baterias devido ao crescimento da produção dos veículos elétricos. Um Tesla Model S usa mais lítio nas suas baterias do que 10 mil smartphones, segundo estimativas da Goldman Sachs.

Preço triplicou desde 2014

A ascensão dos veículos elétricos fez triplicar mundialmente, desde 2014, o preço do compostos de lítio.

Na Europa, a corrida é mais recente e o Velho Continente já representa 24% do consumo mundial de lítio que importa a 100%. Portugal está idealmente posicionado para satisfazer esta necessidade estratégica.

Tudo isto parece um enorme quebra-cabeças. O mercado de lítio atingiu um ponto de maturidade que permite a entrada de novos participantes. O mercado dos veículos elétricos está a preparar-se para um crescimento substancial, à medida que os reguladores restrinjam globalmente os limites das emissões de gases, responsáveis pelo efeito de estufa.

A China, o maior mercado automóvel do mundo, pretende atingir em 2025 uma quota de mercado com cerca de 20% das vendas de veículos híbridos elétricos e plug-in. A Grã-Bretanha e França fizeram constar que proibirão as vendas de veículos com motor a combustão a partir de 2040.

Fornecedores como os japoneses da Panasonic, os coreanos da LG Chem e mesmo a Tesla, que fabrica suas próprias baterias, pretendem garantir o fornecimento de lítio a longo prazo.

No geral, as reservas mundiais totais de lítio rondam as 24.600.000 toneladas. Se continuar a ser um “commodity” tão apetecível e procurado quanto é hoje, talvez alguns desses países com as maiores reservas deste material se tornem mais importantes no mundo do petróleo branco.

Portugal tem condições para se colocar na linha da frente em termos de mercado mundial, como um dos principais produtores de lítio. Esperemos que o futuro o confirme.

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