Rui Lima
Diretor pedagógico do Colégio Monte Flor e professor do 1º ciclo considerado pela Microsoft, em 2014, como um dos 18 professores mais inovadores do mundo. Autor do Livro “A Escola que Temos e a Escola que Queremos”.

Quando penso numa escola, penso em como ela nos deve preparar para o mundo que nos rodeia. Um mundo cada vez mais tecnológico, um mundo onde a colaboração e a criação andam de mãos-dadas, um mundo onde o conhecimento científico não pode estar dissociado da componente prática.

Coffee Break Educativo

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Há uns meses, num evento nacional dedicado à inovação educativa, onde estava a participar como orador convidado, tive a oportunidade de, durante um coffee break alargado, conhecer um grupo de alunos fantásticos de uma Escola Profissional situada em Paredes de Coura.

Quando pensamos em Paredes de Coura a primeira ideia que nos vem à cabeça não é propriamente a de ser a terra de uma escola que é um modelo de inovação pedagógica. Mas durante aquele coffee break, no contacto com os alunos, jovens adolescentes perto de atingirem a maioridade, pude perceber a dimensão do projeto daquela escola, mas acima de tudo, do trabalho desenvolvido por professores que acreditam no tremendo potencial dos alunos, mesmo que, em muitos casos, o desempenho académico daqueles jovens ao longo do seu percurso escolar até chegarem ali indicar precisamente o contrário. 

Durante aquele coffee break, experimentei uns óculos de Realidade Virtual com os quais os alunos demonstravam como a tecnologia era usada na aprendizagem, no curso de Mecatrónica. Vi como professor e alunos utilizavam o Microsoft Teams, uma ferramenta colaborativa que permite o planeamento, execução, comunicação e partilha de ideias e recursos, no âmbito do trabalho de projeto.

Durante aquele coffee break fiquei a saber que a empregabilidade daquele curso era de 100%, em parte, devido ao cluster da indústria automóvel na região e ao enorme crescimento nas exportações de bens, mas principalmente, pela boa preparação que os alunos tinham para entrar no mercado de trabalho.

Mas o mais importante de tudo o que pude constatar durante aquele coffee break, foi como todos (alunos e professores) falavam orgulhosamente da sua escola, do seu curso, dos seus projetos. Da perspetiva que tinham num futuro de sucesso, principalmente devido ao trabalho que desenvolviam na escola diariamente.

Quando penso numa escola, penso em como ela nos deve preparar para o mundo que nos rodeia. Um mundo cada vez mais tecnológico, um mundo onde a colaboração e a criação andam de mãos-dadas, um mundo onde o conhecimento científico não pode estar dissociado da componente prática.

O dever da Escola e do Sistema Educativo é precisamente dar oportunidade a cada aluno de aprender, de conhecer os seus talentos, as suas virtudes, mas também os seus pontos fracos, de proporcionar-lhe o contacto com os outros e com ferramentas que promovam uma ligação com o mundo real. A Escola e o Sistema Educativo têm o dever de se adequar aos tempos que correm se quiserem dotar as nossas crianças e jovens de competências para a vida. De competências que lhes permitam viver num mundo em contante mudança.

Mas acima de tudo, cada escola e cada professor deve ter como objetivo fazer com que os alunos tenham o interesse e o entusiasmo que pude ver naqueles alunos de Mecatrónica de Paredes de Coura. 

E assim, o coffee break já tinha acabado e eu já estava atrasado para a próxima palestra…felizmente não era a minha!

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