A importância do comércio local “na mão” dos residentes

O comércio local de qualquer bairro precisa dos seus residentes e vice-versa. Os residentes são, ou é suposto serem, os principais Clientes destes espaços próximos das suas casas.

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Em qualquer cidade do mundo, cada bairro tem a sua personalidade, história e características que os tornam únicos. Comum a todos, deve existir o factor segurança e infraestruturas que proporcionem a todos os “utilizadores da respetiva zona geográfica delimitada” a melhor vivência no dia-a-dia. Cumprimentar os vizinhos ou as pessoas com que se cruzam nas ruas, é um dos principais factores para a caracterização de um “bairro com vida”.

Se a esta vida de rua, se acrescentar a oferta de comércio local de qualidade, em que as pessoas que servem atrás de cada balcão fazem parte do património histórico desse bairro, de tal forma que estes estabelecimentos são conhecidos, muitas vezes, como a “loja do Senhor Zé” e não pelo verdadeiro nome comercial “mercearia do bairro”, por exemplo.

No entanto, em alguns bairros históricos de Lisboa, esta antiguidade de bem servir tem vindo a ser substituída por “novidades externas”, cuja oferta é dúbia e cujos proprietários não olham os Clientes nos olhos nem tão pouco os cumprimentam.

Com isto, corre-se o risco de descaracterização do que de melhor existia no bairro.

Devem então as autarquias locais prevenir esta “tendência” que deveria ser local mas que se começa a afirmar global, criando melhores condições para manter este património do bairro que depende dos seus residentes que, por sua vez, valorizam esta proximidade a uns passos de casa.

Nos dias de hoje, a tecnologia é uma grande aliada desta relação directa de confiança de anos de convivência, até porque estes proprietários dos estabelecimentos comerciais, precisam de ajuda para conseguirem chegar aos seus clientes de sempre, de uma forma mais prática e inovadora.

Uma plataforma de acesso simples pode fazer “milagres na calçada”: os residentes conseguem planear as suas compras diárias no bairro e os “Senhores Josés” podem entregar à porta como antigamente, ou ter já os sacos preparados à hora combinada.
Desta forma, a vida de todos é facilitada e o bairro continua a manter o seu maior património.

Um bom exemplo de boas práticas neste sentido é o Bairro da Estrela que se caracteriza como uma zona residencial de famílias, próximo de boas escolas primárias e de jardins públicos, onde de manhã e ao fim do dia, ainda se vêem pais a caminharem a pé com os seus filhos.

Ora, um bairro com este tipo de características tem o perfil certo para a implementação de iniciativas como a “Estrela do Bairro”, cujo naming pretende destacar “as pessoas que aqui vivem ou trabalham”, isto é, a quem se dirige.

Em www.estreladobairro.pt é possível encontrar a mercearia, o talho ou o cabeleireiro (por exemplo) mais próximos de casa, entrar nas respetivas “páginas” e ver “o Senhor José” a falar num vídeo sobre as histórias mais curiosas que tem para contar sobre o bairro, tal como os serviços especiais que criou especificamente para se tornar “mais moderno”, quando soube que iria estar nesta plataforma. Para além de o ajudar, também o motiva a repensar a sua oferta, para conseguir manter o espaço e não o vender a “estrangeiros”.

Atenta a esta oportunidade / necessidade, e como Mãe residente no Bairro na altura (2017), propus à Junta de Freguesia da Estrela a implementação desta iniciativa em parceria, e que agora destaco neste artigo de Smart Cities, como bom exemplo do que as autarquias devem criar com as suas comunidades, porque acredito que poderá ser escalada a outros bairros com estas características.

Alguns dos conteúdos são pesquisáveis mas ainda precisa de ser “carregada” com mais informação (o objectivo é que se encontre toda a oferta) para que se torne na ferramenta “de comércio local à mão”, como assim foi idealizada.

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