Joana Sande de Freitas
Happy Cities Follower. Re-thinking Place Branding & Smart Cities concept.

Tornar os cidadãos mais felizes deve ser um dos principais objetivos de qualquer cidade. Mas de que precisam as pessoas para serem felizes?

A felicidade nas cidades: relação com a hierarquia das necessidades de Maslow

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As cidades são construídas para as pessoas… E o que é que as pessoas querem?

A hierarquia das necessidades de Maslow descreve as necessidades do ser humano e a ordem em que as valoriza. Jair Smits, da Consultora Witteveen+Bos, defende que se podem tirar lições importantes desta hierarquia quando observamos as cidades.

Maslow distinguiu vários níveis de necessidades, “fisiológicas”, “segurança”, “amor / pertença”, “estima” e “auto-realização”. Segundo Maslow, as necessidades fisiológicas são as necessidades básicas das pessoas e a auto-realização o desejo final.

A Hierarquia das Necessidades também nos diz que o nível mais básico das necessidades deve ser correspondido antes que a pessoa deseje fortemente as necessidades do nível superior.

E é aqui que entra a hierarquia exigida e desejada dos desenvolvimentos urbanos. Por exemplo, as cidades podem ser seguras (nível 2) mas se não tiverem saneamento básico (nível 1) então a segurança da cidade terá menos valor para os seus cidadãos, tal como também haverá menos base de apoio para que essa cidade tenha uma boa inclusão social (nível 3) dos seus cidadãos.

Aplicando a Hierarquia de Necessidades de Maslow às cidades, Jair distingue a Cidade Básica e Acessível, a Cidade Segura e Resiliente, a Cidade Inclusiva, a Cidade Habitável e, finalmente, a Cidade Saudável.

As pessoas não andam muito felizes no trânsito…

Como se poderão sentir melhor?

Caminhar melhora o nosso humor, reduz o risco de stress, ansiedade, depressão e afecta positivamente a saúde mental e a felicidade das pessoas. Está provado cientificamente e esta é a prescrição de muitos psicólogos.

Os benefícios da caminhada incluem a produção de endorfinas que combatem o stress e reduzem os níveis de cortisol, assim como melhoram o sono.

Portanto, quanto mais tempo conduzimos, menos felizes “andamos”, esta era já a conclusão, há quase duas décadas, do conhecido estudo de um casal de economistas da Universidade de Zurique, Bruno Frey e Alois Stutzer, em que se analisaram os efeitos da deslocação sobre o bem-estar.

A conclusão foi: uma pessoa que demore uma hora para chegar ao seu local de trabalho tem que ganhar 40% mais para estar tão satisfeita com a vida quanto alguém que caminha para o escritório.

Ao mesmo tempo, passar de uma longa viagem para uma curta caminhada tornaria uma pessoa tão feliz como se tivesse encontrado um novo amor.

As pessoas que vivem em bairros monofuncionais, dependentes de carros, fora dos centros urbanos confiam muito menos nos vizinhos e nas pessoas em geral com que se cruzam na rua, do que aqueles que vivem em bairros onde há comércio local e escritórios.

E, acerca de cidades felizes, o Watts On prescreve o livro “Happy City”, do premiado jornalista Charles Montgomery, que encontra respostas para muitas destas questões na relação entre o design urbano e a emergente ciência da felicidade.

Como resposta ao titulo deste artigo “O que é que a hierarquia das necessidades de Maslow tem a ver com a felicidade nas cidades?”, acreditamos que ao adaptarmos as nossas cidades àquilo que contribui para a felicidade dos cidadãos, com o devido prévio planeamento e implementação ponderada de todas as fases da pirâmide, podemos enfrentar mais facilmente os desafios urgentes desta época “revolucionária” das cidades inteligentes.

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