Prolongamento polémico avança com 210 milhões de euros

A criação da linha circular no Metropolitano de Lisboa vai mesmo em frente, apesar da contestação que o projeto tem merecido. São 210 milhões de euros de investimento que, dizem os utentes, vai degradar a oferta de tansportes para a zona norte da capital e adiar o prolongamento da rede para as zonas da cidade onde esta faz mais falta -- zona ocidental de Lisboa e o prolongamento até Loures.

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O estudo de impacte ambiental do prolongamento da rede está terminado

O ministro do Ambiente reiterou que as obras de expansão do metro de Lisboa, arrancam em 2019, estando já concluído o estudo de impacte ambiental. Isto não obstante a contestação que o projeto tem motivado.

João Pedro Matos Fernandes, prestou este esclarecimento na Assembleia da República, numa audição conjunta das comissões de Economia e de Ambiente, enquadrada na apreciação na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2019.

Ou seja, apesar da polémica que tem gerado a conversão da linha verde numa linha circular (as demais linhas serão radiais – linha amarela, linha azul e linha vermelha), o Governo insiste na obra de prolongamento do Rato ao Cais do Sodré.

“Opção errada”, afirmam utentes

A Comissão de Utentes de Transportes de Lisboa entende que a ligação de Metro do Rato ao Cais do Sodré e a criação de uma linha circular é uma opção “errada e vai degradar” a oferta para a zona norte da cidade, “nas estações da Ameixoeira, Lumiar, Quinta das Conchas e Telheiras, que serão obrigadas a mudar de linha no Campo Grande para aceder ao centro da Cidade, tal como aos habitantes em Odivelas e Loures”, dizem os utentes.

A comissão vai ainda mais além nos reparos, alertando que, com este investimento nesta linha circular, “adia-se o prolongamento da rede para as zonas da cidade onde esta faz mais falta – zona ocidental de Lisboa e o prolongamento até Loures”.

O projeto de prolongamento Rato/Cais do Sodré terá um prazo de execução previsto de 68 meses, sendo que as obras se estimam que arranquem durante o primeiro semestre de 2019. Trata-se de um investimento para executar até 2023 e terá um valor global estimado de 210,2 milhões de euros.

Duas novas estações vão nascer

Com este prolongamento entre o Rato (da linha Amarela) ao Cais do Sodré (da linha Verde) serão criadas duas novas estações (Estrela e Santos).

Com as obras do prolongamento Rato/Cais do Sodré, será construído um novo acesso a poente da estação Cais do Sodré com uma nova ligação entre o cais do Metro e as plataformas da CP.

A estação Estrela servirá uma parte da cidade primordialmente residencial e que possui uma concentração elevada de serviços de autocarro. Está prevista a sua localização ao cimo da Calçada da Estrela, na extremidade sul do Jardim da Estrela.

A estação Santos servirá, para além das áreas residenciais, equipamentos como a Assembleia da Republica, o ISEG Lisbon School of Economics and Management , o IADE Creative University, bem como áreas nas quais se concentram atividades de lazer e de diversão noturna. A estação Santos estará localizada a poente do quarteirão definido pela Av. D. Carlos I, Rua das Francesinhas, Rua dos Industriais e Travessa do Pasteleiro, com alinhamento entre as instalações do ISEG e o Largo da Esperança. Disporá de dois acessos: um dos acessos será na Av. D. Carlos I (no gaveto com o Largo da Esperança) e o outro à Travessa do Pasteleiro.

14 novas composições triplas

Para o metro da capital, o Executivo pretende ainda comprar 14 novas composições triplas (42 carruagens) e modernizar o sistema de sinalização, num valor de 136,5 milhões de euros, cujo concurso foi lançado em setembro de 2018. Recorde-se que o Metropolitano de Lisboa dispõe hoje de uma frota de 111 unidades de tração, constituídas por 3 carruagens cada.

Obras que ainda decorrem

Atualmente, no metropolitano lisboeta encontram-se em fase final duas empreitadas “para o tratamento de patologias estruturais verificadas nos viadutos entre o Senhor Roubado e Odivelas, e entre Olaias e Bela Vista, iniciadas ainda em 2017, e que visam essencialmente a manutenção da capacidade da rede existente e dos níveis de segurança da operação”, segundo explica o Ministério do Ambiente.

Estão também em curso empreitadas para a “reabilitação estrutural de patologias identificadas nas estações Olivais e Colégio Militar, e que incluem a introdução de elevadores para acesso a pessoas de mobilidade reduzida”.

No global, estes investimentos ascendem a 9 milhões de euros.

“Também no final de 2017, iniciaram-se trabalhos que permitirão aumentar a capacidade de reposta da rede, como é o caso da remodelação e ampliação do cais de Arroios, que passará a receber comboios com 6 carruagens e assegurará a introdução de elevadores para garantir a acessibilidade à estação, e da remodelação do átrio norte de Areeiro. Estas duas empreitadas correspondem a um investimento de 10 milhões de euros”, refere a tutela.
A reabertura da estação de Arroios, depois de ter estado prevista para março do próximo ano, só deve, porém, acontecer no segundo semestre de 2019.

Meios de acesso para pessoas de mobilidade reduzida

Em 2019, prevê-se que a inclusão de meios de acesso a pessoas de mobilidade reduzida nas estações Cidade Universitária, Entre Campos, Campo Pequeno, Campo Grande, Intendente, Praça de Espanha e Jardim Zoológico, que se manterão em exploração durante a intervenção, com um investimento global estimado de 8,5milhões de euros.

“Apostar-se-á ainda na modernização dos equipamentos e sistemas, assente prioritariamente na substituição e modernização de sistemas de segurança que se encontram em fim de vida, como o sistema de sinalização (CBTC), o sistema de CITV, e o sistema SCADA, bem como na substituição e revisão geral das portas da frota de material circulante, renovação e atualização tecnológica das MAVT e do Sistema Central de Bilhética”, considera o Ministério do Ambiente.

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