As alterações climáticas estão a aquecer rapidamente os oceanos do mundo, matando organismos aquáticos, como recifes de corais e florestas de kelp – que ancoram ecossistemas inteiros.

Florestas de kelp são áreas submarinas com uma alta densidade de laminariales, uma ordem de grandes algas pertencentes à classe Phaeophyceae ou feofíceas. Crescem em águas superficiais e claras, ricas em nutrientes e temperaturas abaixo de 20 °C. Estes bosques oferecem proteção a algumas criaturas marinhas e alimentos para outras.

As águas mais quentes também fazem com que o nível do mar suba e tornem os eventos climáticos mais extremos como furacões mais destrutivos.

Um artigo científico publicado pela revista Nature, sugere que os oceanos estão a aquecer muito mais rapidamente do que as estimativas estabelecidas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (acrónimo IPCC, da denominação em inglês Intergovernmental Panel on Climate Change).

Se puderem medir com mais precisão a velocidade com que os oceanos estão a aquecer, os cientistas poderão prever melhor os efeitos futuros das alterações climáticas.

O estudo, liderado por Laure Resplandy, oceanógrafa biogeoquímica da Universidade de Princeton, descobriu que, entre 1991 e 2016, os oceanos aqueceram uma média de 60% a mais por ano do que as estimativas oficiais do IPCC.

Para chegar a estas mais recentes conclusões, o pesquisadores usaram uma nova abordagem, fazendo correlacionar as temperaturas oceânicas através da medição dos níveis de dióxido de carbono e de oxigénio na atmosfera.

O aumento da temperatura
dos oceanos pode ter um
efeito acelerador sobre
o aquecimento climático

Estes gases dissolvem-se nas águas oceânicas (e o próprio oceano absorve 90% do excesso de calor existente na atmosfera e criado pelas emissões humanas de gases de efeito estufa), contudo, a quantidade que o oceano pode absorver depende da sua temperatura. Como o oceano está a aquecer, acaba por eliminar oxigénio, mas também CO2 para a atmosfera.

Libertador de CO2

Quanto mais a temperatura dos oceanos subir, menor será a sua capacidade de desempenhar a função reguladora do planeta, acabando por ser causa também de libertação de CO2. Num círculo vicioso, esse CO2 extra favorece a subida da temperatura, inclusive, dos oceanos.

Os oceanos são mais eficazes a absorver CO2 quanto mais frios estiveram. E menos eficazes quanto mais quentes se encontrarem.

Se comprovadas com precisão, as novas estimativas de temperatura do oceano podem ser outro indicador de que o aquecimento global das últimas décadas excedeu as previsões mais conservadoras e, afinal, está mais alinhado com os piores cenários dos cientistas.

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