Cidades Inteligentes: do plano para a realidade

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O futuro das cidades foi hoje debatido, no Open Day do jornal Público, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Ali se constatou que o tema das cidades inteligentes está a passar do plano à realidade e hoje reuniram-se muitos dos principais players para debater as acções mais emergentes, que consigam acompanhar a evolução a que se assiste:

Estradas com muitos automóveis e só com um passageiro (o condutor), a falar ao telefone (nas filas paradas, dá jeito mesmo arriscando uma multa) e de cara zangada.

Passeios com pessoas felizes que olham em frente e tiram partido do momento que, mesmo que seja curto, chega a ser relaxante.

As soluções de mobilidade existem. Já sabemos que temos automóveis eléctricos, bicicletas e trotinetas à disposição.

No entanto, este processo de mudança (que se poderá equiparar ao da reciclagem há uma década), implica tempo para mudar o mindset e desligar o automático dos hábitos.

Só quando existir uma massa crítica que consiga provar o custo / benefício desta mudança inteligente, é que se conseguirão visualizar as vantagens na melhoria (significativa) da nossa qualidade de vida em geral, profissional e pessoal em particular.

O uso do automóvel e o seu custo

O exercício das contas ajuda. Não só das contas do custo da gasolina, do bilhete do transporte ou do estacionamento. A conta que se paga é bem maior e com um alcance quase impossível de contabilizar. A expressão “até ao infinito e mais além”, aplica-se bem.

Mas o que verdadeiramente interessa é passar à acção e Anabel Gulias deu o exemplo prático da cidade de Pontevedra, em Espanha. Já há muito não se circula de automóvel no centro. Só a pé ou de bicicleta.

A comunidade tem que ser ouvida, os dados analíticos que a tecnologia nos dá não são suficientes porque o ser humano não tem um perfil estático diário. Um dia precisamos de ir levar as crianças à escola antes de seguir para o escritório, outro dia o percurso começa pelo ginásio.

As cidades não podem servir apenas para uma mobilidade básica de casa-trabalho-casa.

Nas cidades vivem também crianças que se deslocam em carrinhos, empurrados por um adulto que também vai a pé ao supermercado.

E num dos slides em que apresentava imagens do antes e depois do trânsito nesta pequena cidade, destacava-se uma conclusão fundamental: o trânsito não se resolve. O que se resolve é o espaço público.

Só com medidas “extremas” se conseguirá a mudança, a História tem sido prova disso. No futuro vamos ter que justificar por que entramos no centro das cidades de automóvel.

Talvez faça sentido começarmos todos a pensar no que podemos fazer para resolver a grande equação: “chegar ao destino de forma mais rápida, confortável e segura, com o mínimo custo possível?”

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