Em França, a Scania tem um projeto-piloto de aproveitamento dos resíduos da produção do vinho para produzir biocombustível.

O mosto, o resíduo resultante do processo de produção de vinho, está a ser aproveitado para fazer biocombustível. É chamado ED945, estando a ser aplicado como alternativa ao Diesel.

A experiência decorre em Bordéus, terra vinícola, encontrando-se a ser aplicado pela Scania no seu modelo Interlink LD e pelo operador Citram Aquitaine.

O autocarro em causa circula na rota 201, entre Bordéus e Blaye.

100.000 toneladas de bagaço por ano

O produtor de bioetanol Raisinor France Alcools reuniu as cooperativas de vinhos francesas, bem como a Union Coopératives Vinicoles d’Aquitaine (UCVA), produzindo 100.000 toneladas de bagaço de uva por ano em Coutras, em Gironde, na região vinícola de Bordéus.

“O seu potencial de produção forneceria mil veículos localmente”, afirma Jérôme Budua, diretor da Raisinor France Alcools.

O principal óbice ao uso de ED95 é o facto de não ser uma solução barata. Com efeito, um veículo que opere com ED95 consome mais devido ao facto de ser cerca de 50% menos energético do que o gasóleo e ser mais dispendioso do que o Diesel.

Ainda assim, os promotres do projeto-piloto não consideram necessariamente que essa variável negativa possa afastar a hipótese do ED95 ser usado: “Para termos menos poluição, temos de aceitar essa fatura”, refere Nicolas Raud.

O diretor do Citram Aquitaine que prossegue o seu raciocínio: “Reavaliar a nossa frota de veículos, investindo em energias alternativas, só pode ser feito com o apoio da região, e sabemos que a região vê essa abordagem de um modo favorável. Cabe-nos sugerir um mix energético economicamente aceitável. O bioetanol e o gás permitem-nos desenvolver um mix energético adequado à nossa região. Na nossa rede, por exemplo, alguns lugares remotos não têm e provavelmente nunca terão um posto de gasolina com gás. Eles poderiam facilmente acomodar essa energia produzida localmente”, a qual é, entende Raud, “ecologicamente relevante”.

Jérôme Budua, diretor da Raisinor France Alcools, considera que “a comparação bioetanol/Diesel é irrefutável, com 85% menos de emissões de carbono, 50% menos de óxidos de azoto e 70% menos de partículas”.

 

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