A vida média dos packs de baterias dos automóveis elétricos ronda os 10 anos. Contudo, a longevidade pode ficar prejudicada ou beneficiada, mediante o tipo de utilização que lhe for dado

Os construtores de automóveis têm anunciado que a vida média dos packs de baterias dos automóveis elétricos será de 10 anos.

Contudo, é relevante ter presente que a esperança média de vida de uma bateria pode ser beneficiada com alguns cuidados que passamos a descrever de forma sucinta. Ou, pode ser prejudicada com alguns gestos, sobretudo se repetidos sistematicamente.

No fundo, se a autonomia diária do veículo – maior ou menor – depende do tipo de condução que fizer (como lhe demos conta neste artigo), também a longevidade da bateria do automóvel está relacionada com o tipo de utilização (ou de abuso) que der às suas baterias.

Com a consulta técnica da EVolution – Service & Battery Center, damos-lhe a conhecer o que deve e o que não deve fazer à bateria do seu elétrico.

Privilegiar cargas lentas

Desde logo, deve privilegiar cargas lentas a cargas rápidas, já que os carregamentos menos potentes preservam mais a integridade das células das baterias. Alguns estudos referem que o uso regular de carregamentos rápidos custará cerca de 1% da capacidade da bateria por ano.

Ou seja, se evitar, por norma, o carregamento rápido, pode usufruir de 80% da capacidade da bateria ao fim de dez anos de utilização. Todavia, se os postos rápidos forem o principal método de carregamento, a capacidade total cairá para a casa dos 70% após 10 anos.

E ao optar por carregamentos lentos (tipicamente os domésticos), nunca ligue – dentro do possível, naturalmente – o automóvel à tomada menos do que uma hora.

Evitar descargas totais

Inversamente, deverão ser evitadas descargas profundas, isto é, não deve deixar o carro “secar” para o por de novo à corrente. Não deixe que a bateria fique quase sem carga (abaixo dos 20% de carga é prejudicial).

A melhor faixa de utilização das baterias é entre 20% e 80%, pelo que o ideal é não levá-la abaixo dos 20%, nem tê-la acima dos 80%. Fora destas balizas, a bateria sofre mais desgaste.

Aliás, não é por acaso que alguns modelos têm uma configuração de Long Battery Life que prevê que o automóvel pare de carregar quando atingir os 80% de carga.

Embora circular com 80% da bateria lhe reduza a autonomia, pode, contudo, fazer com que aumente consideravelmente a vida útil da sua bateria.

Se, por alguma razão, for previsível que não vá utilizar o automóvel elétrico durante muito tempo, tenha o cuidado prévio de, antes de o desligar, deixá-lo com uma carga entre 20% e 80%. O cenário ideal, aliás, numa imobilização prolongada (estamos a falar de 15 dias ou mais) é manter a carga nos 60%.

Uma vantagem de não carregar o veículo a 100% é que isso faz com que deixe espaço para o armazenamento da energia da travagem regenerativa. Muitas vezes, quando as baterias estão cheias ou quase cheias, a regeneração é desativada para evitar sobrecarregar as baterias de iões de lítio.

As embalagens de iões de lítio preferem um ciclo parcial em vez de uma descarga total. As descargas parciais não provocam danos, nem viciação ou efeito de memória neste tipo de baterias (sendo que, por esse motivo, esta regra também se aplica às baterias dos telemóveis).

Temperaturas excessivas são nefastas

Depois de efetuar uma condução sujeita a temperaturas elevadas, deve evitar colocar de imediato a viatura a carregar para não fustigar as baterias.

Com essa mesma preocupação, deverá estacionar sempre que possível o veículo num local fresco, pois o calor tórrido não é muito saudável para os packs de baterias. Do mesmo modo, durante o frio (inverno), o ideal será estacionar o carro numa garagem em vez da rua. Tudo o que são temperaturas amenas beneficiam a longevidade das baterias.

Nova vida às baterias usadas

Chegado o fim de vida útil de uma bateria de um automóvel elétrico – quando, grosso modo, a capacidade da bateria atinge os 80% -, as baterias dos EV ganham nova vida.

Para além de poderem ser recicladas (como outro resíduo com o aproveitamento dos vários metais preciosos que a compõem), as baterias podem ser empregues para armazenar eletricidade para outro tipo de finalidades e serviços (reutilização), seja doméstico, empresarial ou industrial.

Essa segunda vida para as baterias (baterias estacionárias) cria ainda condições para que a rede elétrica ganhe estabilidade, reduzindo os picos de corrente e aumentando a possibilidade de aproveitamento de uma maior quantidade de energias renováveis.

Havendo um maior armazenamento da “energia limpa”, essa eletricidade ao ser injetada, direta ou indiretamente, na rede permite que um carro elétrico que esteja, por exemplo, a carregar num estacionamento de um hospital servido por baterias estacionárias possa, de novo, vir a beneficiar da energia guardada em packs que, outrora, foram pertencentes de outro “parente seu”, ou seja, de outro EV.

Artigo feito com a consulta técnica da EVolution – Service & Battery Center

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of