Mais de 90% dos gases de refrigeração vão para a atmosfera

Em Portugal, em 2017 apenas foram recolhidas e tratadas 27 toneladas de gases de refrigeração das 322 toneladas destes gases que estão nos equipamentos de frio, como frigoríficos, arcas congeladoras e ares condicionados. Isto corresponde a uma recuperação de apenas 8,4% destes gases destruidores da camada de ozono.

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Na semana em que se assinalou o Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozono (16 de setembro), os ambientalistas da Zero concluíram, com base em dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que em 2017 apenas foram recolhidas e tratadas 27 toneladas de gases de refrigeração das 322 toneladas destes gases que estão nos equipamentos de frio, como frigoríficos, arcas congeladoras, ares condicionados e outros, o que corresponde a uma recuperação de apenas 8,4% destes gases destruidores da camada de ozono e/ou causadores de efeito de estufa e alterações climáticas.

Sabia que…
… passaram 31 anos sobre a assinatura do Protocolo de Montreal (1987) que, com a Emenda de Kigali, pretende eliminar a utilização e envio para a atmosfera de gases nocivos para a camada de ozono, bem como de gases refrigerantes com um elevado potencial de aquecimento climático?

A Zero já em 2017 tinha alertado para as razões que estão por detrás deste fracasso na gestão dos equipamentos de frio quando chegam ao seu fim de vida, que, segundo esta associação, são:

    • Baixa taxa de recolha destes equipamentos, que na sua maioria continuam a ser encaminhados para empresas de sucata, que não estão preparadas para recolher os gases de refrigeração, fazendo com que estes acabem por ser libertados para a atmosfera;
    • Grande dificuldade das câmaras municipais em combater o roubo de peças dos frigoríficos com valor económico, como os compressores, que contêm gases de refrigeração;
    • Desaparecimento quase completo dos equipamentos de ar condicionado, que praticamente não chegam às empresas licenciadas para o seu tratamento;
    • Falta de fiscalização das empresas que recolhem e encaminham sucata metálica para reciclagem;
    • Falta de fiscalização das empresas que trituram a sucata metálica, designadamente as ligadas à fragmentação de veículos em fim de vida, as quais são o destino final de grande parte dos equipamentos de refrigeração desviados do circuito legal;
    • Fraco desempenho das entidades gestoras de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos na criação de circuitos eficientes de recolha dos equipamentos de refrigeração.

Apenas 8,4% dos gases
de refrigeração são recolhidos
e tratados

Face a este quadro que apelida de “desolador”, a Zero afirma ir insistir junto do Ministério do Ambiente para que instrua a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) para que, em conjunto com as CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) e o SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente) da GNR, desenvolva uma programa específico de fiscalização/inspeção das grandes empresas de fragmentação de veículos em fim de vida, “as quais são, por norma, o destino final de muitos dos equipamentos de refrigeração que não chegam às empresas que estão licenciadas para o seu tratamento, e que têm capacidade de fazer a recolha e encaminhamento dos gases de refrigeração”, afirmam os ambientalistas.

Desta forma – entende a Zero – “será possível ao Estado identificar facilmente quais são os operadores de sucata metálica que, à margem da lei, estão a desviar os equipamentos de refrigeração do seu destino devido e, consequentemente, a provocar graves danos ambientais com a libertação dos gases de refrigeração para a atmosfera, contribuindo para a degradação da camada de ozono e para as alterações climáticas”.

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