Alexandra Monteiro
Investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Ambiente e Ordenamento (DAO) da Universidade de Aveiro (UA)

A investigação sobre os efeitos no turismo no ambiente é limitada, em particular no ambiente atmosférico, quer no que diz respeito aos efeitos do turismo na sua degradação, quer a importância da sua qualidade na experiência e atratividade turística.

ARTUR — O turismo e a qualidade do ar juntos no mesmo projeto

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É sabido que o Turismo tem um conjunto de impactes positivos, contribuindo, nomeadamente, para o desenvolvimento socioeconómico de destinos turísticos, assim como para a promoção e preservação dos recursos culturais e naturais. Todavia, é também reconhecido que as atividades turísticas podem provocar diversos impactes ambientais, à semelhança de outros setores económicos/industriais: emissões atmosféricas, ruído, resíduos sólidos e ainda poluição visual.

Muitos estudos foram já realizados sobre o impacto económico, mas a investigação sobre os efeitos no ambiente é ainda limitada, em particular no ambiente atmosférico, quer no que diz respeito aos efeitos do turismo na sua degradação, quer a importância da sua qualidade na experiência e atratividade turística. Quando comparados com a população residente em áreas poluídas, os turistas são mais suscetíveis aos efeitos agudos da poluição do ar, reconhecidamente um fator de risco para a saúde e bem-estar da população, que será sempre um importante fator/critério a ter em conta na intenção e atratividade turística. 

Apesar de já haver alguns estudos sobre o impacto das alterações climáticas no setor do turismo, não há ainda esta preocupação e perceção relativamente à qualidade do ar e como esta poderá ser ou não um fator de atratividade turística. Na realidade, alterações climáticas e qualidade do ar são duas faces da mesma moeda importantes para a viabilidade económica e sustentável deste setor de atividade, podendo representar um papel importante na atratividade e competitividade dos destinos turísticos.

Qualidade do ar, um fator de competitividade

Portugal é, atualmente, um importante destino turístico na Europa, combinando critérios de atratividade natural e cultural, mas com importantes áreas/ecossistemas costeiros particularmente sensíveis ao desenvolvimento local e global. Neste contexto, foi recentemente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) o projeto de investigação ARTUR, coordenado e realizado pela Universidade de Aveiro (com equipas de investigação da área do ambiente – DAO e do turismo – DEGEIT), que tem como objetivo principal avaliar o impacte do turismo na qualidade do ar, e posteriormente investigar a forma como a qualidade do ar pode ser um critério de competitividade de um destino turístico, focando-se na região Centro de Portugal que, à semelhança de outras regiões, tem registado um crescimento exponencial no setor turístico.

A promoção da qualidade do ar como fator de atratividade turística é o objetivo deste projeto, onde serão produzidas linhas de orientação e práticas de implementação para que a indústria turística beneficie da qualidade do ar e que, em simultâneo o turismo, através da adoção de práticas de sustentabilidade ambiental por parte dos visitantes, possa contribuir para a melhoria da qualidade do ar, o que terá efeitos positivos na saúde e bem-estar dos visitantes e das comunidades recetoras.

Este projeto, iniciado recentemente e com duração de 3 anos, envolverá 5 tarefas principais: (1) caracterização das emissões do sector do turismo; (2) avaliação do impacte das atividades turísticas na qualidade do ar, com recurso a ferramentas de modelação da qualidade do ar; (3) avaliação da influência da qualidade do ar na atratividade dos destinos turísticos e (4) do comportamento dos turistas na qualidade do ar através de questionários e entrevistas e finalmente (5) elaboração de linhas orientadoras para estratégia futura do setor do turismo. 

Proteger o recurso Ar

A ideia do projeto ARTUR de introduzir e promover a qualidade do ar como um critério de competitividade de destinos turísticos constitui, por si só, uma proposta inovadora na qualificação do turismo na região centro e permitirá valorizar um recurso livre desta região, potenciando a sua sustentabilidade e o aparecimento de produtos turísticos inovadores e diferenciadores ao nível ambiental. 

A inclusão da qualidade do ar como critério de competitividade de destinos turísticos permitirá o aparecimento de produtos turísticos inovadores e diferenciadores ao nível ambiental, para além de valorizar o recurso natural ar. O público-alvo que procura Turismo da Natureza tem geralmente preocupações ambientais prioritárias, e será, por isso um publico-alvo a estudar na resposta à integração da qualidade do ar como critério de atratividade turística. Para além disso, prevê-se que este tipo de Turismo da Natureza seja potenciado com esta nova proposta inovadora na qualificação do turismo. A promoção do turismo junta-se, assim, com a valorização ambiental e a proteção do ecossistema com vista à sua sustentabilidade. A inclusão/promoção da qualidade do ar como critério de atratividade turística potenciará, não só, a valorização do recurso ar como também a sua proteção. 

O projeto ARTUR promete resultados para breve. Estejam atentos!

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