O nome Kalashnikov o que é que lhe lembra? Provavelmente, responderá: uma metralhadora russa. Sim, a nós também! Acontece que este fabricante de armamento, cujo exemplar mais famoso é a AK-47, tem vindo, ultimamente a envolver-se no ramo dos veículos elétricos.

A Kalashnikov AK-47 é uma das mais populares armas do mundo. Lançada em 1947 pela União Soviética, a sua popularidade alastrou-se para além do próprio exército soviético, sendo igualmente usada por forças rebeldes nos mais diversos conflitos do globo. a sua reputação deve-se à sua resistência, à sua manutenção simples e ao seu menor custo face a outras armas congéneres feitas no Ocidente.

Esta semana, a Kalashnikov revelou um novo veículo, de design retro, e motorização totalmente elétrica. O seu nome de batismo: CV-1.

O mais interessante é que sendo russa, a Kalashnikov aponta a mira (literalmente para usar uma terminologia bélica) aos EUA, mais concretamente à… Tesla!

Sofia Ivanova, diretora de comunicações da Kalashnikov, explica a insistência no nome Tesla: “Estamos a falar de competir precisamente com a Tesla porque, atualmente, é um projeto de sucesso no campo de veículos elétricos. Esperamos pelo menos acompanhá-los”.

Uma nova guerra fria

Ou seja, depois de todas as polémicas recentes entre EUA e Rússia, entre Donald Trump e Vladimir Puntin e o envolvimento russo nas eleições norte-americanas, poderemos vir a ter uma nova “batalha” entre estas duas potências mundiais, numa espécie de transposição da Guerra Fria para os carros elétricos.

Este foi, ainda assim, concebido como uma base de teste para o desenvolvimento de outro tipo de propulsão elétrica (leia-se: mais ambiciosa) que possa ombrear com a Tesla. E isso tem mesmo de ser entendido dessa forma, pois, com base nas especificações técnicas dadas a conhecer a respeito do CV-1, a Kalashnikov, até se aproximar dos níveis dos Tesla, terá de fazer muito mais. Ora veja-se: este elétrico não é mais do que uma conversão de um soviético IZh 2125 “Kombi” (modelo feito entre 1973 e 1997) com um motor elétrico de 220 kW (cerca de 300 cv), com uma autonomia anunciada de 350 km e uma aceleração de 0 a 100 km/h em 6 segundos.

A Kalashnikov tem procurado expandir a sua marca, tendo lançado também uma linha de vestuário (sob a marca Baikal) e outro tipo de merchandisign civil, desde chapéus de chuva a capas de telemóvel.

Um dos aspetos que mais surpreende neste projeto é o facto desta empresa de armamento ter optado por um veículo de construção antiga, cujas raízes remontam à década de 1970.

No entanto, esta ideia, a Leste, não é singular, já que há unidades do famoso Trabant que foram convertidas à propulsão elétrica.

Com efeito, a empresa de tecnologia ReeVOLT criou o e-Trabant (100 km de autonomia) para mostrar as vantagens ambientais de reconfigurar modelos passados ou atuais para os equipar com motores elétricos.

Assim, tendo presente esses factos, tomámos a liberdade de recordar alguns veículos do tempo da Guerra Fria que nasceram em terras da então URSS e das suas nações aliadas, deixando no ar a pergunta: o espírito revivalista em que a indústria automóvel ocidental está a enveredar, será seguido pela Europa de Leste e pela Rússia?

Se for o caso, passamos em revista alguns veículos que podem inspirar novas criações adaptadas aos tempos atuais e às exigências elétricas de mobilidade.

Acompanhe-nos nesta viagem no tempo.

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