Cristiano Premebida
Cristiano Premebida
Professor convidado da Universidade de Coimbra (UC) e investigador do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-UC)

O projeto AUTOCITS contempla duas componentes fundamentais ligadas à temática da condução autónoma: testes com veículos autónomos de nível 3, 4 e 5 em ambiente e a revisão, estudo e análise da regulamentação, que permita testes e circulação desses veículos.

Veículos autónomos em Portugal: o projeto AUTOCITS

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Muito se tem dito e escrito sobre condução autónoma a nível mundial, e em Portugal a situação não é diferente.

Importa informar que atualmente o grande desafio na área da condução autónoma prende-se com a fiabilidade e robustez dos sistemas de perceção dos veículos com funcionalidades autónomas, porque são estes que interpretam o ambiente à volta do veículo e tomam as decisões necessárias que afetam diretamente a tarefa de condução, tais como: deteção de peões, identificação das vias de trânsito, deteção doutros veículos, reconhecimento dos sinais de trânsito, deteção de obstáculos, entre outros.

Basicamente, um sistema de perceção depende de dados vindos dos sensores instalados no veículo (por exemplo cameras, LIDARs, radares) e de software (nomeadamente algoritmos de inteligência artificial e machine learning). Prevê-se, no entanto, que as tecnologias de comunicação entre veículos e com a infraestrutura (os sistemas de comunicação V2X) possam cooperar com os sistemas de condução autónoma em um ambiente do tipo conectado e ou cooperativo, denominado C-ITS (Cooperative Intelligent Transport Systems).

Além das componentes tecnológicas, há questões relacionadas a legislação e regulamentação dos veículos inteligentes nas estradas portuguesas.

O projeto AUTOCITS, primeiro do género em Portugal, contempla duas componentes fundamentais ligadas à temática da condução autónoma: testes com veículos autónomos de nível 3, 4 e 5 em ambiente real com funcionalidades V2X (ou seja, em ambiente C-ITS) e também a revisão, estudo e análise da regulamentação por forma a permitir testes e circulação desses veículos.

Em Portugal, são parceiros do projeto a Universidade de Coimbra (UC), o Instituto Pedro Nunes (IPN), e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Teremos também, nos testes em Portugal, a participação da Brisa, A-to-Be, da Universidade de Aveiro, e de outras empresas e entidades, e também dos parceiros internacionais do projeto AUTOCITS, nomeadamente Indra (ES), INRIA (FR), INSIA-UPM (ES), DGT (ES).

O consórcio AUTOCITS, coordenado pela Indra Sistemas SA, prevê a realização de testes pilotos em autoestradas nas regiões de Lisboa, Paris e Madrid.

O piloto de Portugal, coordenado pelo IPN, terá dois cenários, um em autoestrada (na A9/CREL) que contará com veículos com diferentes níveis de automação, nomeadamente entre 3 a 4 e também veículos conectados. O segundo cenário será na cidade de Lisboa onde serão testados dois shuttles autónomos.

Os testes nestes três países serão conduzidos em consonância com uma metodologia de testes e avaliação dos resultados sob a responsabilidade da UC.

Importa destacar que, atualmente, não existem veículos nível 5 que possam operar sob todos os domínios operacionais de condução presentes no nosso dia-dia, ou seja, veículos nível 5 existem somente em condições controladas e a trabalhar em baixa velocidade (por exemplo, abaixo de 25 Km/h).

Agradecimentos: este artigo de opinião contou com a colaboração de Ricardo Araújo Fonseca (ANSR), Pedro Serra (IPN), Sofia Pires Bento (ANSR), Alberto Valejo (IPN).

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