O concept a hidrogénio Toyota Mirai “Back to the Future”, de 2016, que utilizamos na foto principal deste artigo pode funcionar como uma metáfora para as potencialidades que as baterias de estado sólido trazem para os automóveis eléctricos: elas podem ser as baterias que darão asas à expansão dos EV.

Com efeito, a substituição do electrólito líquido (das baterias de iões de lítio) por um electrólito em estado sólido traz inúmeras vantagens para as baterias dos automóveis elétricos: um aumento da densidade energética na casa de 20/30%; incremento da durabilidade (com a bateria a ser capaz de receber mais ciclos de carga/descarga); melhoria do seu funcionamento sob temperaturas mais baixas.

No globo, uma das investigações mais proeminentes na área das baterias de estado sólido tem por trás um rosto português. Trata-se de Maria Helena Braga, física da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que estudou a substituição do liquido eletrólito por um sólido eletrólito de vidro, em conjunto com John Goodenough, professor na Escola de Engenharia de Cockrell na Universidade do Texas, em Austin, e co-inventor das baterias de iões de lítio.

Os construtores japoneses estão, por isso, apostados em se tornarem players de referência na tecnologia de baterias de estado sólido da próxima geração, ainda que nenhuma empresa tenha iniciado a produção em série deste tipo de bateria, não obstante todos os desenvolvimentos e pesquisas feitas em seu torno, incluindo da parte da Toyota.

Graças, assim, a um novo programa financiado pelo governo local, o desenvolvimento de baterias de estado sólido vai, ao que tudo indica, acelerar no país do Sol Nascente.

O polo dinamizador desta vaga será o centro de avaliação tecnológico de baterias de iões de lítio Libtec (Lithium Ion Battery Technology and Evaluation Center), o qual começará a trabalhar já neste mês de maio.

A nova iniciativa combina muitos dos principais players japoneses, incluindo construtores de automóveis, como Toyota, Nissan, Honda, e fabricantes de baterias como a Panasonic e GS Yuasa.

Apesar deste propósito, a verba disponibilizada pelo Governo japonês pode dizer-se que é baixa, já que ronda os 12 milhões de euros.

“Acreditamos que a tecnologia de baterias de estado sólido pode ser disruptora” – Didier Leroy (vice-presidente executivo da Toyota)

A meta definida pela Libtec em termos de baterias de estado sólido é permitir que os veículos elétricos disponham em 2025 de autonomias de aproximadamente 550 km; até 2030, essa autonomia deve crescer até  800 km, cifras que comparam com as atuais, de cerca de 400 km.

Recorde-se que no plano mundial, as siglas nipónicas perderam terreno nas baterias de iões de lítio, pois, segundo a publicação Nikkei Asian Review, em 2013 dominavam com 70% do mercado e mais recentemente, em 2016, essa quota caiu para 40%. Neste capítulo, o Japão tem sofrido, especialmente, a concorrência da China (cuja quota passou de 3% em 2013 para 26% em 2016) e Coreia do Sul.

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