Na China tem vindo a ser implementado nalguns túneis uma solução simples que pode representar, porém, um contributo relevante para a poupança energética.

Trata-se de um revestimento interior para as paredes dos túneis, cujo material luminescente absorve a radiação da luz (existente à entrada e à saída de cada galeria e projetada pelos próprios faróis dos veículos que circulam) para a converter em iluminação para as zonas situadas no interior do túnel.

Entrevistado pelo Watts On, o investigador chinês Lianfu Shi que desenvolveu este sistema, refere que esta solução já foi aplicada em dois túneis na região de Guizhou, na China, com potenciais bons resultados em termos de eficiência energética: “Os dispositivos de luz mais antigos em túneis podem consumir mais 60% de energia do que será necessário com uma aplicação destas. Além do mais, a luminescência no túnel garante claridade durante doze horas”.

À margem da Conferência Internacional sobre Segurança Rodoviária organizada pela Infraestruturas de Portugal, na qual participou, Lianfu Shi explica que as potencialidades desse material vão ainda mais além do que a radiação de luz: “O material tem ainda a capacidade de ser retardante de chamas”, diz.

Outra possibilidade futura em aberto e em termos académicos em estudo é a conversão da iluminação existente no túnel (e absorvida pelos materiais luminescentes) em energia, a qual poderia ser armazenada em baterias, com o revestimento luminescente a desempenhar um papel idêntico ao de painéis fotovoltaicos. Embora sendo uma solução bastante mais dispendiosa, a energia gerada, nesse contexto, poderia ser utilizada na iluminação do túnel  quando ocorresse algum corte no fornecimento normal elétrico.

Apesar da utilização de pigmentos luminescentes em infraestruturas rodoviárias estar longe de ser inédita (na Holanda foram utilizadas marcações horizontais luminescentes na estrada, por exemplo e o próprio construtor Nissan chegou a criar uma pintura especial luminescente para um exemplar do Leaf), esta nova aplicação caracteriza-se por permitir economizar na fatura energética, tornando as infraestruturas de transportes mais sustentáveis.

 

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